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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"UPA e policlínicas registraram 243 mil atendimentos no 1º semestre"

Apesar da existência de protocolo que visa à oferta de um acolhimento mais justo, digno e humano à população, a maioria dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Cuiabá ainda procura atendimento nas unidades de urgência e emergência de maneira equivocada. É o que demonstra o levantamento realizado pela Diretoria da Atenção Secundária da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Dos pacientes atendidos nos seis primeiros meses deste ano, 72,4% não corriam risco de morrer.

Ocorre que as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Norte e Sul e policlínicas do Planalto, Verdão, Coxipó e Pedra 90 têm como finalidade principal a estabilização de pacientes com quadro clínico grave. Juntas, elas atenderam 243.624 usuários de janeiro a junho deste ano. Deste total, 176.405 foram considerados estáveis e poderiam buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A diretora da Atenção Secundária da SMS, Dúbia Campos, afirma que alguns fatores influenciam diretamente na decisão do paciente. “Uma delas é que são unidades que oferecem atendimento 24h, enquanto as de atenção básica funcionam apenas em horário comercial, pois o objetivo delas é tratar os casos de menor gravidade. Do outro lado temos mais de 14 milhões de desempregados no Brasil atualmente. Muitos trabalhadores preferem não faltar ao emprego, para não correr o risco de ser demitido por falta, ainda que justificada”.

Na avaliação da diretora da Atenção Básica, Larissa Kichmel, a elevada demanda nos Prontos Atendimentos é também resultado de uma cultura de saúde focada na cura. “A população deve buscar as unidades básicas. A prevenção é o foco da gestão Emanuel Pinheiro. Afinal, já dizia o velho e sábio adágio, que é muito melhor e mais barato prevenir do que remediar. Portanto, ao invés de esperar por muito tempo numa policlínica ou UPA, pedimos que venham até nós. Dentro das nossas possibilidades, procuramos atender da melhor forma possível a todos”. A gestão, com prioridade, vem trabalhando na reestruturação da Atenção Básica, com reformas e ampliação de unidades, capacitação, e buscando ampliar o quadro de profissionais de forma a atender a demanda da população.

Outro ponto que faz parte do contexto social e que gera impactos diretos na política de saúde pública é a crise econômica. Milhares de pessoas cancelaram seus planos particulares de saúde, gerando um impacto de aproximadamente 30% na demanda do SUS. “Atrelado a essa questão está o desconhecimento do funcionamento e da estrutura da rede assistencial do SUS”, pondera Dúbia.

Por fim, o levantamento revela que a policlínica do Verdão é a unidade da Atenção Secundária que apresenta a maior média de usuários classificados como não prioritários no período. De um total de 44.465 pacientes, 36.953 (83,10%) foram classificados como não emergenciais. Em contrapartida, a UPA Sul foi a que apresentou maior média de atendimentos emergenciais no semestre. Dos mais de 68.404 pacientes atendidos, 22.293 (32,59%) eram emergenciais.

Para orientar os atendimentos nas UPA e Policlinicas existe a classificação de risco. A ferramenta é utilizada nos nos serviços de urgência e emergência para avaliar e identificar os pacientes que necessitam de atendimento prioritário, de acordo com a gravidade clínica, potencial de risco, agravos à saúde. Ou seja, trata-se da priorização do atendimento, após uma avaliação do paciente, realizada por um profissional devidamente capacitado, do ponto de vista técnico e científico.

Classificação de Risco

Vermelha – Emergência

O paciente deve receber atendimento imediato, pois se trata um caso gravíssimo, com risco de morte iminente.

Amarela – Urgente

Caso grave e risco significativo de evoluir para morte. Nesses casos o paciente é encaminhado ao atendimento com prioridade.

Roxa – Urgente

No caso de pacientes idosos que forem classificados como verde, portarão a pulseira de cor verde e a de cor roxa, e terão prioridade sobre os demais pacientes de mesma classificação (verde).

Preta – Urgente

Se o paciente for classificado como amarelo e tem alergia, usará as duas pulseiras (amarela e preta)

Verde - Pouca urgência

O paciente deve ser encaminhado para consulta médica, já que a urgência é menor. Além disso, deve ser reavaliado periodicamente, até o atendimento. Esses são os casos que devem ser atendidos nas unidades básicas de saúde.

Azul - Não urgente

Casos para atendimento nas unidades de saúde mais próximas da residência do usuário, com horário marcado ou por hora de chegada. Normalmente são direcionados às UBS ou PSF. São casos como queixas crônicas, e/ou agudas como resfriados, contusões, escoriações, dor de garganta e ferimentos que não requerem pontos, e outros.

HUGO FERNANDES
Michel Alvim

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