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CÂMARA MUNICIPAL DE NOVA MUTUM

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

"Entrevista:Cadeia neles! por ROMÁRIO DE SOUZA FARIA"

Ex-jogador de futebol, atual senador e futuro candidato a governador do Rio de Janeiro. A vida de Romário de Souza Faria, 51 anos, muda bastante. Só o que não muda no “Baixinho”, como é chamado por torcedores, é sua vocação de atacante – antes nos campos de futebol e agora na política. Ele acaba de lançar o livro “Um olho na bola, outro no Cartola – O Crime Organizado no Futebol Brasileiro”, pela editora Planeta, resultado da investigação realizada na CPI do Futebol, presidida por ele no Senado.
E já se prepara para atacar em outra CPI, desta vez direcionada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que, ele desconfia, também poderia ter o subtítulo do primeiro livro no que se refere ao crime organizado, e aos Jogos Olímpicos Rio 2016. Na CPI do Futebol, o senador pediu a prisão de nove dirigentes da CBF, como o atual presidente Marco Polo Del Nero, que, segundo ele, é um cartola que ocupou o cargo por um período “muito curto para cometer tantos crimes”. Revoltado, diz: “Cadeia neles! Esses caras pegaram a grana e botaram no bolso. Estão ricos. Mas o futebol está pobre”. O senhor é pré-candidato ao governo do Rio pelo Podemos. O que planeja fazer caso seja eleito? Hoje, essa possibilidade existe, mas ainda não é uma afirmação com 100% de certeza. O que eu posso dizer é que já comecei, sim, a pensar nisso e sei que o prioritário é ter tranqüilidade e sabedoria para formar um bom grupo de profissionais competentes e capacitados para que eu possa me tornar um bom candidato no ano que vem.
O senhor apoiou a eleição do prefeito Marcelo Crivella (PRB). Aprova a gestão dele?
Fui enganado pelo Crivella, assim como o povo do Rio também foi. Desde o começo, ele falou que ia cuidar das pessoas, mas nesses quase 10 meses na prefeitura, ele pode estar cuidando de tudo, inclusive dos familiares e amigos dele, menos do povo do Rio. É triste, é lamentável o que vem acontecendo na prefeitura através do prefeito – e eu, infelizmente, participei disso, acreditei nisso também. Ele não está fazendo e nem vai fazer o que prometeu, porque ele não tem capacidade administrativa. Infelizmente, vamos pagar por isso pelos próximos anos.
O senhor também apoiou o presidente Michel Temer. Aprova o governo agora?
Eu acredito que, por tudo que vem acontecendo, será difícil ele se manter no poder até o final do seu mandato. A não ser que prove não ser verdade tudo aquilo que têm sido dito contra ele. O que posso afirmar é que se realmente ele for cúmplice, ou estiver totalmente metido nessas ações negativas e corruptas que estão existindo no País, que ele pague por seus crimes. Mas, precisa ficar realmente comprovado de que há participação dele nas denúncias.
O senhor viveu de aplausos a maior parte da vida, mas no mês passado foi alvo de um ato de escracho, no aeroporto do Rio, e chamado de golpista. Como se sentiu?
Quando eu entrei na política, tinha consciência de que iria viver momentos como esses, porque você tem que fazer escolhas. Não pode ficar em cima do muro. Então, votei a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff porque entendi que a ida do Temer para a presidência poderia melhorar o País. Acho até que tem evoluído e melhorado em algumas áreas, mas, infelizmente, muitos que fazem parte desse governo são corruptos e ladrões e não deveriam estar onde estão. Essa é minha opinião e não me arrependo da decisão de ter votado a favor do impeachment. Para deixar bem claro.
Recentemente, o senhor se arrependeu de ter sido arrogante na década de 1990 com o técnico Carlos Alberto Parreira, que o deixou no banco de reserva. Acha que era muito atrevido? Baixou a bola?
Acho não, eu tenho bastante certeza. Hoje, aos 51 anos, vejo que a minha forma de ser, a personalidade forte, me fez, em vários momentos, falar a coisa certa, mas da forma errada. A gente aprende com o tempo, com a maturidade. Reconheço que poderia ter dito algumas coisas que disse, no âmbito do futebol, de outro jeito. Apesar de tudo, não me arrependo nem um pouco das coisas que foram ditas.
O senhor acabou de lançar um livro com sérias acusações contra alguns cartolas do futebol brasileiro. Qual é a sua expectativa?
Uma coisa para se deixar bem clara é que no livro as acusações são feitas com 100% de provas obtidas em um ano e meio de investigações. No primeiro requerimento da CPI do Futebol, eu pedi a participação de representantes de várias entidades, como Ministério Público, polícias Federal e Civil, Procuradoria Geral da República etc. Após a aprovação, começamos um trabalho que incluiu o envio de relatório para vários órgãos do País, além de desembargadores e juízes como Sérgio Moro e Marcelo Brettas. O que nós da CPI esperamos é que as pessoas envolvidas, principalmente os nove dirigentes indiciados, possam pagar pelos crimes cometidos durante esse período que conseguimos investigar. Cadeia neles! Não só acredito na prisão do Marco Polo Del Nero (presidente da CBF), como tenho muita fé. Acho que órgãos competentes de nosso País têm demonstrado que a maioria daqueles que enriqueceram ilicitamente estão começando a pagar pelos seus erros. Creio que o Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF) e o Del Nero, além dos outros indiciados, paguem realmente por tudo que fizeram de ruim para o futebol brasileiro.
E o ex-presidente José Maria Marin, que está em prisão domiciliar em Nova York, num belo e confortável apartamento…
Por mais que seja uma prisão domiciliar, e em Nova York, não deixa de ser uma prisão. Mas vai ter o julgamento dele agora e espero que ele seja preso realmente, para pagar por tudo aquilo que fez durante o período em que foi presidente da CBF – um tempo até curto para tantos crimes. Que aconteça uma outra eleição na CBF e que mudem também os administradores que não têm experiência e nem vontade de ajudar o futebol brasileiro.
Os crimes que o senhor aponta na CPI são responsáveis pelo frágil estado atual do futebol?
Nosso futebol está em situação de penúria e é claro que o que eles fizeram tem a ver com isso. Vemos, hoje, clubes quebrando, federações igualmente quebradas e ainda recebendo verbas de forma ilegal. As pessoas dizem, às vezes, ah, mas é empresa particular, não é dinheiro público. Porém, o futebol é público. Quando eles (cartolas) enriquecem ilicitamente, usam uma verba do esporte que poderia ser investida no futebol de base, no futebol feminino, destinada legalmente para algumas federações. Essa grana, esses caras pegaram e botaram no bolso. Estão ricos. O futebol está pobre. Me sinto feliz em saber que todas essas pessoas que fizeram mal para o nosso país, no caso específico do futebol, paguem.
O livro está vendendo bem?
A primeira tiragem de quase 10 mil livros parece já estar vendida e há pedidos por parte de algumas empresas para que a editora faça reimpressão. Isso significa que as pessoas estão interessadas e gostando do que está lendo ali.
Pode dar um exemplo?
Descobrimos que o presidente e os ex-presidentes da CBF têm contas em outros países nas quais são depositadas as verbas ilegais que recebem através de contrato com outras empresas que não tem experiência alguma com o futebol. Outra coisa que descobrimos também é que nem sempre os melhores jogadores jogam na Seleção, principalmente nos amistosos. São escolhidos os mais conhecidos e famosos, e nem sempre eles são os melhores. Um ‘jogo’ que não leva em conta o talento do jogador e, sim, a grana que ele pode atrair.
O senhor se refere a quais dirigentes? Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin?
Sim.
O senhor gostaria de ser presidente da CBF?
De verdade, gostaria sim, de ter oportunidade de ser presidente da CBF. Da minha forma, bem transparente. Tenho total consciência da dificuldade de mudar esse sistema da Confederação. Sei que se esse sistema perdurar será muito difícil para uma pessoa de fora assumir a entidade. Não tenho nada contra a CBF. A minha briga é contra essas pessoas que fazem parte da instituição e são ruins, e que não estão nem aí para melhorar o futebol.
O senhor tem uma filha, a Moniquinha, que está trabalhando no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), presidido por Carlos Arthur Nuzman, investigado por compra de votos para a realização dos Jogos do Rio. Isso o constrange?
Não, de maneira nenhuma. Pelo contrário, ela foi voluntária na época dos Jogos Olímpicos e, segundo informações que tive, foi contratada pelo brilhante trabalho que fez. Não vai ser por isso que deixarei de ter algum tipo de ação em relação ao COB. Inclusive, pretendo abrir a CPI do COB. Tenho pensado e articulado com meus assessores a abertura de uma CPI direcionada ao COB e ao evento da Rio 2016. O objetivo é apurar se o dinheiro público foi alvo de roubo e corrupção.
Esse trabalho já começou ou é só um projeto?
Essa conversa tem mais ou menos uma semana. Para eu pedir a abertura de uma CPI, como foi a do futebol, meu pensamento é participar da presidência ou da relatoria da comissão, porque fora dessas duas posições, tenho certeza que as coisas não aconteceriam como eu gostaria. Caminhamos para uma conversa com o PMDB e o PT, que são os dois maiores partidos do Senado. Ele indicariam automaticamente o seu presidente e o seu relator.Como se sente hoje, na maturidade, com cabelos quase totalmente brancos, vista cansada e menos atlético?
Sou um cinqüentão muito inteiro, graças a Deus. Cheguei a fazer uma cirurgia, a interposição ileal, há quase um ano, e perdi 22 quilos. Eu estava com um índice de glicose de 420 mg/dl, a diabete estava me pegando forte. Descobri essa possibilidade, feita apenas por um médico, o Áureo Ludovico, e foi ótimo. Minha glicose fica, agora, entre 85/90 mg/dl, ou seja, dentro do normal. Estou me sentindo muito bem, muito mais bonito inclusive.
Qual é o melhor jogador do mundo, hoje?
Hoje, o Messi é o melhor, mas o Neymar já está ali pertinho. Se eu estivesse na ativa, e com a mesma qualidade da época de 1993/ 94, com certeza estaria disputando com eles.

Eliane Lobato
Edição 15.09.2017 - nº 2492
Istoé

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