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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

“Atlas da Notícia” aponta 70 milhões de brasileiros sem fonte de informação"

O “Atlas da Notícia”, levantamento com base em jornalismo de dados sobre a presença ou ausência da imprensa em todo o território nacional, revelou que 70 milhões de habitantes não têm registros de meios noticiosos impressos ou digitais. O estudo é uma parceria do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo com o Volt Data Lab e o Observatório da Imprensa. O projeto tem inspiração no America’s Growing Deserts of News da revista Columbia Journalism Review.
Os números apurados pelo Volt Data Lab se baseiam em três fontes de informações: Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Associação Nacional de Jornais (ANJ), além de uma campanha de crowdsourcing. Foram identificados, na primeira etapa do projeto, 5.354 veículos — entre jornais impressos e sites —, em 1.125 cidades de 27 unidades federativas. Um universo que compreende aproximadamente 130 milhões de pessoas, mais de 60% da população brasileira. Quase 35% da população nacional não dispõe de notícias sobre sua própria comunidade, vivendo nos chamados “desertos de notícias”, onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal. Não há, nesses territórios, a produção jornalística, o que compromete a capacidade decisória dos cidadãos. O conceito de “desertos de notícias”, olha para os espaços não contemplados na pesquisa: 4.500 municípios representando 70 milhões de habitantes. “O Atlas da Notícia é, antes de mais nada, uma ferramenta para conseguirmos enxergar quais as localidades mais carentes de jornalismo no Brasil”, explica Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab. “Dessa forma, ao criar conhecimento sobre esses desertos informativos, o Atlas servirá como ponto de partida para entendermos melhor a configuração do jornalismo no país.”
Números
Em termos absolutos São Paulo é o estado com maior número de veículos noticiosos (1.641), seguido do Rio Grande do Sul (600) e Santa Catarina (547). O predomínio é dos meios impressos (63% contra 37 % dos digitais). Já nos veículos online, a liderança proporcional é do Distrito Federal, seguido de Rondônia e Santa Catarina. O Maranhão é o estado com menor número de veículos online, considerando a relação por cem mil habitantes. O sudeste ocupa o primeiro lugar nos números absolutos, com 2.643 veículos impressos e online, mas considerando a proporcionalidade na relação a cada cem mil habitantes cai para terceira posição. Neste caso, a liderança é da região sul com média de 5,49 veículos para cada cem mil habitantes, seguida do centro-oeste com 4,5 veículos, norte com 1,31 veículos. A média mais baixa está no nordeste com 0,72 veículos. Os números do impresso acompanham a tendência do ranking geral. Ao considerar os veículos online a liderança passa a ser da região centro-oeste, seguida pelo sul, sudeste, norte e nordeste. Das cidades do interior com mais veículos mapeados digitais e impressos são Campinas e Santos, empatadas em 12º lugar, com 30 veículos mapeados, seguida por Ribeirão Preto, em 19º lugar, com 22 veículos. Já quando analisadas as regiões metropolitanas a liderança é do Distrito Federal, seguida de Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Das capitais de outras regiões do país, Belém aparece na sétima posição, seguida de Salvador, Fortaleza e Recife. Quando considerados apenas os veículos impressos Porto Alegre assume o 1.º lugar no país, seguida do Distrito Federal, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Quando se trata de veículos online, porém, o Distrito Federal ocupa a primeira posição, São Paulo a segunda e Porto Alegre a terceira.
Os dados e gráficos da pesquisa podem ser vistos aqui
Atlas da Notícia/Projor

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