Depois
de um ligação recebida no celular, do deputado Roberto Balestra
(PP-GO), o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) concordou com um pedido de
vista e solicitou tempo para análise à Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 478/10, de sua autoria, que amplia direitos dos empregados
domésticos.
Balestra
ligou para Bezerra diretamente do plenário das comissões, onde estava
em pauta a PEC, pela Comissão Especial, ficando assim adiada, mais uma
vez, a votação da proposta.
Com
a solicitação do pedido de tempo pelo deputado Bezerra (que está de
licença da Câmara), os deputados terão mais dias para analisar uma
complementação de voto apresentada hoje pela relatora, deputada Benedita
da Silva (PT-RJ), para o parecer que ela havia entregue no final de
junho.
Conforme
a deputada Benedita, as modificações foram sugeridas pelo Executivo. E
entre as alterações estão a previsão de regras especiais para alguns
direitos das empregadas domésticas, além da simplificação das regras
para a tributação dos empregadores.
“Trata-se
de uma conquista histórica dos trabalhadores domésticos em todo o País.
Daí, precisamos ter cautela para que os direitos pleiteados sejam
realmente assegurados. Vamos analisar as alterações sugeridas pelo
Executivo e provocar o debate. Precisamos acabar com essa infâmia, essa
nódoa na Constituição Federal. Essa é a última reminiscência, a mão
longa da escravidão que está vigendo na sociedade brasileira”,
justificou Bezerra.
A
PEC apresentada pelo deputado Carlos Bezerra revoga o parágrafo único
do artigo 7º da Constituição Federal. As mudanças pretendidas permitirão
acesso ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) obrigatório, ao
Seguro-Desemprego, ao pagamento de horas extras e ao benefício
previdenciário por acidente de trabalho, prerrogativas que estão
excluídas do rol dos direitos a eles assegurados na Constituição
Federal.
Cerca
de sete milhões de trabalhadores domésticos poderão ser beneficiados
com a proposta de Carlos Bezerra. No mês de maio deste ano, Bezerra
surgeriu alterações à PEC diante de argumentos apresentados pelos
palestrantes Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, desembargador Federal do
Trabalho, TRT-3ª Região, Solange Barbosa de Castro Coura, juíza do
Trabalho da 3ª Região e Hamilton Rovani Neves, advogado do Sindicato de
Campinas e assessor jurídico da Fenatrad (Federação Nacional das
Trabalhadoras Domésticas).
Conforme
os palestrantes revogar o parágrafo único do artigo 7º da Constituição,
pura e simplesmente, não resolve. É preciso sim, defendem, inserir no
parágrafo único alguns incisos, como a regulamentação da jornada de
trabalho, com adicional noturno, hora extra, FGTS obrigatório e não
opcional como é atualmente, direito a negociações coletivas, entre
outros.
O
desembargador Fernando Neto entende que é preciso uma reformulação em
dois níveis: constitucional e infraconstitucional. Constitucional:
acrescentar incisos ao artigo 7º; e, Infraconstitucional: modificar a
lei para que se admita a aplicação subsidiária da CLT Consolidação das
Leis do Trabalho), onde for compatível com o trabalho doméstico, porque a
atual legislação impede.
A
próxima reunião da comissão especial deverá ser realizada entre os dias
28 e 30 de agosto, na próxima semana de esforço concentrado do
Congresso.

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