O investimento em fontes renováveis de energia e a tendência de construção de usinas hidrelétricas a fio d’água em vez de usinas com reservatórios foram os principais assuntos levantados pelos senadores no debate de quarta-feira na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado. A discussão fez parte da audiência pública sobre energia e desenvolvimento do Brasil, que teve pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP).
Além dos senadores, os cidadãos também puderam participar por meio do Alô Senado. Eles fizeram perguntas sobre vários temas que foram lidas pelo presidente da CI, Fernando Collor (PTB-AL), e respondidas pelos professores.
Sem reservatório
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) questionou o motivo que levou à decisão de parar a construção de hidrelétricas com reservatórios no Brasil e à substituição pelas usinas a fio d’água. As hidrelétricas a fio d’água são aquelas que não dispõem de reservatório de água ou o têm em dimensões menores. É o caso da construção da Usina de Belo Monte, no Pará. Na opinião de Flexa, essa decisão é incorreta e o Brasil estaria jogando energia fora.
Foi mostrado aqui pelos professores que o grande problema da energia é guardá-la. A única forma de gerar energia com reserva é por meio de reservatórios, em que se pode equilibrar períodos de seca e períodos de enchentes. Sem isso, vamos ter de compensar com energias que não temos como reservar, que é o caso da eólica: você tem que gerar e consumir, senão vai se perder — afirmou o senador.
De acordo com Sergio Bajay, professor do Departamento de Energia da Unicamp, a partir do momento em que o Brasil deixa de construir reservatórios, o problema da complementação técnica passa a ser uma necessidade.
Para Bajay, ou o país volta a construir usinas hidrelétricas com reservatório ou deve usar as termelétricas como backup. O professor defende que o governo estabeleça uma política de priorização de locais onde a construção de reservatórios tenha menor impacto ambiental e social.
O professor disse desconhecer se existe uma decisão oficial de que o país não construa mais usinas hidrelétricas com reservatórios. Para ele, seriam decisões pessoais de alguns dirigentes do setor elétrico para facilitar o licenciamento ambiental diante da forte pressão dos movimentos ambientalistas. Para Bajay, os reservatórios poderiam ter uso múltiplo, diminuindo, dessa forma, o impacto ambiental e social.
Se no Brasil a gente tivesse priorizado, ao longo do tempo, que um determinado reservatório, além de servir para armazenar água e, indiretamente, energia elétrica, também fomentasse projetos de irrigação, navegação, controle de cheias e piscicultura, a oposição local a essas obras seria muito menor, pois os principais beneficiários seriam as populações ribeirinhas — afirmou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário