Com 64 votos favoráveis e nenhum contrário, os senadores aprovaram o
texto-base do substitutivo de Walter Pinheiro (PT-BA) a oito projetos
sobre partilha do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
As 18 emendas
apresentadas serão votadas hoje. O texto de Pinheiro mantém até 2015 os
coeficientes atuais. Em 2016 e 2017, seria garantido um piso
correspondente aos valores recebidos em 2015, corrigidos pela variação
do IPCA e 50% da variação real do PIB. O excedente seria distribuído de
acordo com a população e a renda domiciliar per capita.
Ao manifestar preocupação com a necessidade de acordo, José Sarney
(PMDB-AP) acabou apresentando nova proposta: adiamento da definição de
uma fórmula para o excedente a partir de 2016.
A política é a arte do possível — disse Sarney.
Mário Couto (PSDB-PA) afirmou que nenhum estado perde com o
texto-base, elogiando a competência do relator e a condução do
presidente do Senado, Renan Calheiros, na busca por consenso. Couto
acredita que até 2015 o Congresso encontrará consenso. Wellington Dias
(PT-PI) alertou para a necessidade de pelo menos “apontar o rumo” sobre
como serão as regras depois de 2015.
Vários senadores conseguiram que os destaques fossem ressalvados para
votação em separado, entre eles Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Ricardo
Ferraço (PMDB-ES), Paulo Paim (PT-RS), Pedro Taques (PDT-MT), Waldemir
Moka (PMDB-MS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Aloysio Nunes Ferreira
(PSDB-SP), Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), Ana Amélia (PP-RS) e Pedro
Simon (PMDB-RS).
Segundo Moka, o consenso era difícil. Ele lembrou que o Supremo
Tribunal Federal (STF) decretou a inconstitucionalidade dos critérios
atuais por serem injustos.
Perdas evitadas
Paim disse que emenda da bancada gaúcha, propondo outros limites para o excedente, beneficiaria 16 estados.
Pelos cálculos dele, as perdas com arrecadação no Rio Grande do Sul
chegariam a R$ 600 milhões se fosse aprovada a proposta original..
Lúcia Vânia (PSDB-GO) apoiou emenda de José Agripino (DEM-RN) que
adota o PIB estadual como referência para distribuição do excedente. Ela
já havia apresentado três sugestões que foram atendidas pelo relator,
entre elas a que inclui o equivalente a 50% da variação real do PIB na
distribuição futura dos recursos.
A proposta de Pinheiro permite uma ampla e democrática discussão — disse.
Sérgio Souza (PMDB-PR) reconheceu que o consenso era difícil. Para
ele, o ideal seria aprovar a emenda de Luiz Henrique (PMDB-SC), que
define como critério, também, a extensão do estado. Ele destacou que Sul
e Sudeste têm 56,5% da população, respondem por 72% do PIB e arrecadam
80% do Imposto de Renda e do IPI, mas recebem de volta somente 15% de
toda a participação do fundo. Com as novas regras, essa participação
cairá para 14,2%.
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) ressaltou que o FPE não tem promovido o equilíbrio socioeconômico.
Explicou que Acre, Amapá, Roraima e Tocantins recebem valores líquidos maiores do que estados com IDH semelhante.
João Capiberibe (PSB-AP) pediu que a proposta fosse alterada para não
prejudicar Amazônia e Amapá. Ele afirmou que o substitutivo pode levar à
redução da participação desses estados.
Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse que se recusava a votar a favor de
qualquer emenda que prejudique o Ceará e Ana Amélia afirmou que seria
obrigada a apoiar a aprovação de uma emenda para que o Rio Grande do Sul
não perca muito.
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