O Plenário da Câmara vai analisar proposta (PL 393/11)
que dispensa de autorização prévia a publicação de livros, imagens ou
gravações que relatem a trajetória de pessoas públicas. O projeto do
deputado Newton Lima (PT-SP) foi aprovado pelas comissões da Casa e
deveria seguir automaticamente para deliberação do Senado. Mas o
deputado Marcos Rogério (PDT-RO) apresentou recurso para que seja
apreciado pelo Plenário.
A proposta altera o Código Civil (Lei 10.406/02),
que hoje prevê autorização para publicação ou divulgação de imagens.
Pelo projeto, no caso das pessoas públicas, ou seja, artistas, políticos
ou celebridades, não é necessária essa autorização. De acordo com o
deputado Newton Lima, a previsão contida no código tem o nítido caráter
de censura.
“O Código Civil Brasileiro, que tem alguns ranços de censura, permite
aos juízes interpretar que, para que uma biografia possa ser editada e
vendida, é preciso ter um direito expresso ou do próprio autobiografado
ou de seus descendentes”, afirmou.
O deputado Marcos Rogério explica que a mudança é muito profunda e
coloca em conflito dois direitos fundamentais. Ele defende que um
assunto tão complexo precisa ser debatido mais profundamente, pelo
Plenário. O parlamentar afirmou que o conceito de pessoa pública é
relativo.
"Leva-se em conta para ter a publicação independente de autorização
apenas o fato da pessoa ter dimensão pública. Ora, o que é dimensão
pública? Isso é um critério subjetivo"
Editoras
Escritores e editoras têm se manifestado a favor da liberação da publicação de biografias. Escritores afirmam que o temor de perder dinheiro ao ter edições inteiras apreendidas restringe o interesse das editoras. A presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), Sonia Jardim, relatou que algumas pessoas proíbem obras por não querer sua vida exposta, mas que também é comum personagens secundários ou familiares embargarem publicações para ganhar dinheiro.
Ela disse que a aprovação da proposta é fundamental não só para as editoras, mas também para o País, que tem sido privado de ter sua história registrada. Ela deu como exemplo uma tese acadêmica sobre a história da Jovem Guarda, que teve a publicação impedida pelo cantor Roberto Carlos, simplesmente porque ele é um dos personagens desse período.
“São histórias que precisam ficar registradas para que gerações
futuras que não viveram possam saber o que que foi essa época. A lei, do
jeito que está, está impedindo que a História do Brasil seja registrada
para gerações futuras”, ponderou.
A proposta que permite a publicação de biografias e divulgação de
imagens sem prévia autorização de pessoas famosas ainda não tem data
para discussão pelo Plenário da Câmara.
Reportagem - Vania Alves
Edição - Rachel Librelon
Edição - Rachel Librelon
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