Março chegou trazendo com ele a grande corrida de marketing dos pretensos candidatos nas próximas eleições. Aqueles, mais abastados financeiramente, juntamente com seus marqueteiros de plantão, já começam mobilizar para a grande corrida do marketing até o pleito de outubro.
Nos próximos dias e meses; o que ouviremos e veremos se pautará em conjuntos de técnicas e procedimentos, que tem como objetivos adequar um candidato ou candidata ao seu eleitorado potencial. Daqui pra frente, é chegado o momento de maior exposição dos “pretensos” ao maior número de eleitores possível.
Chamo isso de fase pós-carnaval e de adequação do candidato ou candidata ao seu eleitorado potencial, o que significa, basicamente, saber o que pensam e o que querem os eleitores em determinado momento. A partir dessas informações é possível compatibilizar o discurso do candidato ou candidata com os anseios do eleitorado, fazendo com que se posicionem alguns sorrateiramente, de acordo com as preocupações da sociedade, sem contrariar sua história política. Mas, vale ressaltar; que muitos se confundem o marketing propriamente dito, já que ele subdivide em: Marketing político e marketing eleitoral. Para saber melhor, recorri ao Marketing político: Conceitos e definições, da consultora Eloá Muniz. Seus conceitos e definições deixam às claras que o marketing eleitoral consiste em implantar técnicas de marketing político e comunicação social integrados, de forma a conquistar a aprovação e simpatia da sociedade, construindo uma imagem do candidato que seja sólida e consiga transmitir confiabilidade e segurança à população, elevando o seu conceito em nível de opinião pública.
O marketing eleitoral abrange todas as técnicas de comunicação disponíveis no mercado, iniciando-se por um trabalho de pesquisa e sondagem, que irá nortear a construção da espinha dorsal da comunicação eleitoral como um todo e, do projeto de marketing político. Dessa forma, o próprio marketing eleitoral preocupa-se, portanto, com a formação da imagem em curto prazo, onde o fato crucial é o tempo, enquanto o marketing político é algo mais permanente; está relacionado com a formação da imagem em longo prazo.
Assim, os candidatos precisam desenvolver um trabalho contínuo e sistemático de formação de imagem, objetivando aumentar seu poder de influência sobre o eleitor na decisão de voto. Portanto, a estratégia para formação da imagem positiva do candidato inicia-se no marketing eleitoral, é sustentada pelo marketing político, retornando ao marketing eleitoral. Forma-se, então, uma cadeia de construção crescente de imagem, ampliando o espaço político através da aceitação popular, ou seja, a diminuição do índice de rejeição – fator assustador do candidato ou candidata.
O interessante é que a consultora aborda uma outra diferenciação que se torna necessária fazer entre o marketing político/eleitoral e marketing empresarial. A definição de marketing de Philip Kotler publicada em 1980, pela AMA, American Marketing Association, segundo o qual marketing é a atividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca (Kotler, 1980, p. 33). Assim, no marketing empresarial, o consumidor tem garantido a premissa básica do marketing, qual seja a plena satisfação. Neste caso, cabe às empresas (públicas ou privadas, nacionais ou transnacionais) assegurar, por seus próprios meios, o completo atendimento das necessidades e desejos de seus consumidores por serviços e produtos de boa qualidade.
Atualmente, esta garantia de satisfação está assegurada de duas formas: a livre concorrência e o Código de Defesa do Consumidor. A primeira, consagrada em economias liberais, faz com que as empresas que não estejam cumprindo adequadamente suas funções de satisfazer seus consumidores sejam substituídas por outras que estejam cumprindo melhor suas funções. A segunda, o recente aliado do consumidor brasileiro, o Código de Defesa do Consumidor, dá a garantia legal de que o consumidor lesado seja por defeito do produto ou por propaganda enganosa, deva ser imediatamente ressarcido dos prejuízos causados pelo fornecedor. Infelizmente, no marketing político/eleitoral isso não acorre, não há um código de defesa do eleitor; à revelia da satisfação com o produto, o consumidor ficará com ele durante quatro ou oito anos, sem direito a troca ou devolução.
Elizeu Silva é jornalista - elizeulivramento@gmail.com
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