O diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Roberto Antonik, afirmou que as principais ameaças à imprensa vêm do crime organizado e do tráfico de drogas, mas ressaltou que, no último ano, as ações violentas de policiais contra os profissionais da área aumentaram muito.
Não entendemos que os policiais tenham um propósito contra jornalistas, mas entendemos que não estão preparados para esse cenário [das manifestações] — explicou.
Antonik também chamou a atenção para a importância de treinamentos para os jornalistas, do aperfeiçoamento da legislação para reduzir a impunidade e da padronização das estatísticas para que a sociedade e os órgãos do governo tenham uma real dimensão das violações.
Representando a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a conselheira Maria José Braga disse que existe uma grande variação nos números sobre a violência contra os profissionais de comunicação e defendeu a criação, no âmbito da Secretaria de Direitos Humanos, do Observatório Nacional da Violência contra Comunicadores para se ter uma exatidão desses dados.
Esse observatório também teria o papel de monitorar os desdobramentos e seria, no nosso entendimento, um órgão fundamental para combater a impunidade — disse.
A conselheira acrescentou que, além da violência externa, os jornalistas ainda sofrem violência interna nas redações, com pressões dos próprios colegas que exercem função de chefe ou por parte de proprietários dos veículos de comunicação.
Comissões
Maria José explicou que outra proposta da Fenaj para diminuir as agressões e assassinatos de jornalistas é a criação de comissões de segurança nas redações para avaliar os riscos de violência em cada cobertura jornalística e definir as medidas mitigatórias desses riscos.
A comissão, explicou, garantiria seguro de vida especial para os profissionais em viagens de risco e solicitaria cursos de treinamento, equipamentos individuais de segurança e suporte operacional, conforme a necessidade.
Radialistas
Coordenador da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert), José Antônio Jesus da Silva disse que os radialistas são os que mais sofrem violência e criticou o fato de esses profissionais não aparecerem nos levantamentos. Ele disse que é preciso discutir a proteção para todos os profissionais de comunicação.
Silva disse que dentro das empresas de comunicação e do governo brasileiro, a questão não é discutida. Ele sugeriu que o Ministério da Justiça convoque os comunicadores para participar dos grupos de trabalho destinados a discutir as políticas de proteção desses profissionais.
O Ministério da Justiça poderia chamar a Federação dos Radialistas e a Federação dos Jornalistas para discutir a questão da violência contra esses trabalhadores. Ele tem essa responsabilidade com os trabalhadores — disse.
Representando o Ministério da Justiça, o secretário nacional de Segurança Pública, Marcello Barros de Oliveira, ressaltou que quem perde com esse tipo de violência é a sociedade, que fica privada do direito de acesso à informação. Ele afirmou que o ministério tem cobrado a atuação dos estados nas investigações e nas respostas para as violações.
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