Enquanto candidatos ao governo do estado, discutíamos um orçamento para 2015 na ordem de R$13,6 bilhões, o valor fechará a maior. Ponto para o governador escolhido pela maioria da população que estará incrementando a arrecadação? Para mais ou para menos, o valor significa que R$ 4,2 mil serão gastos pelo estado em nome de cada mato-grossense. O que parece pouco, frente aos benefícios esperados de saúde, educação, segurança, etc. Considerando que cada voto dado ao novo governador lhe custou menos de 1% desse valor, ou R$35,00, a população de Mato Grosso está na vantagem, certo?
O chavão diz que este é o país das vantagens, dos jeitinhos, dos mi-mi-mis, dos não-me-toques, do eu tenho meus direitos e te levo ao fórum por que sou amigo do juiz e você não é ninguém, então temos um sério problema. Não existem espertos num reino de espertos, alguns sempre se considerarão geniais ou mais especiais que os outros. Sempre haverá um 'reizinho' nesse reinado cíclico, onde a cada temporada se impõe as verdades dos que se instalam no poder.
O novo governador reuniu apoiadores que asseguraram a campanha mais cara da história de Mato Grosso, e cada um desses votos custou a esse grupo R$35,00. Isso é pouco? É um baita investimento de cada cidadão se for para dispor de R$ 4.235,00. E quais são as necessidades desses apoiadores da campanha? Seria a saúde pública? Seria a educação pública? Seria a segurança pública? É claro que não.
Quem gastou na campanha do novo governador possui outras necessidades. Com espanto, todos continuarão vendo as mazelas da maioria da população e se perguntarão, por que a população de Mato Grosso não usa um plano de saúde privado e se sujeita ao SUS, por que não colocam vigilância privada em suas casas ao invés de ficarem a mercê da bandidagem? Por que não matriculam suas crianças em boas escolas particulares? Diante disso tudo acharão que o problema dos 99% é a preguiça e burrice e que se trabalhassem mais, ao invés de esperar o governo, seriam como eles, os 1% dos prósperos cidadãos que carregam os demais nas costas.
Do governo de Mato Grosso os apoiadores (e não se fala dos que doaram R$10mil, R$50mil, R$150mil, que não são os ricos deste Estado) esperam apenas uma coisa, que o governo ajude a movimentar seus negócios. E farão isso tentando mostrar que as necessidades deles são as mesmas do povo mato-grossense. Por exemplo, a trafegabilidade. Boas rodovias não servem apenas para escoar a safra. Boas rodovias geram emprego, renda e transito das ambulâncias, geram o social, diria o novo reinado. Ou seja, não dirão que um hospital na cidade é melhor que mandar doentes para Cuiabá, ou que é necessário que o dinheiro das lavouras fique na região, ao contrário, irão culpar estradas esburacadas, e tudo o mais num pacote chamado “Custo Mato Grosso”.
A mídia mostrará imagens de caminhões atolados, quebrados, motoristas desolados, cargas dando prejuízo, cidades desabastecidas. E cada um irá concordar que o governo tem que gastar mais na infra-estrutura do Estado, nas pontes e estradas. Mas, para cada 1 km de asfalto o governo deverá gastar o “crédito” de 250 mato-grossenses, ou 350 se for R$ 1,5milhão/quilômetro. Aí acabou o dinheiro para outras coisas.
A culpa é do empresário que constrói? É claro que não. O empresário exerce sua atividade onde estiver o dinheiro. Se o governo diz que construirá hospital o empresário se colocará à disposição, asfalto, ponte, idem. Afinal de contas, quem é o pagador? É o governo, eleito para atender as necessidades de toda a sua população.
E aqui entra a mágica do bom gestor, fazer muito com pouco, e contentar a todos, ou ainda, iludir a todos pelo tempo necessário, ao menos até ocorrer um evento grandioso, e aí reiniciar o círculo vicioso da enganação.
O que fazer? Ou se lava as mãos, e dá de ombros, e não se reclama que se paga muito imposto neste país de políticos ladrões. E se senta à beira do caminho, esperando as coisas melhorarem. Ou se atenta para cada gesto, cada ato do governante de plantão. Afinal de contas, cabe ao governador reunir os melhores cérebros para ajudá-lo a pensar nessas questões. Cabe ao governador exercer o poder e o dinheiro pago pelos seus concidadãos em prol de todos, indistintamente.
O senhor Pedro Taques foi eleito por ser o melhor dentre todos os candidatos, certo? Deixemos de lado o mérito dessa campanha. Vamos aceitar a eleição democrática, sem pedidos de impeachment, sem “fora Taques”, sem campanhas orquestradas, nada disso. Vamos deixar o homem trabalhar. Mas, democraticamente, devemos como cidadãos apontar as contradições desse governo. Em tempo, de qualquer governo.
José Marcondes Muvuca é jornalista, ex-candidato ao governo do estado e editor do site Muvuca Popular.

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