Minha geração veio rolando de crise em crise. Algumas políticas, outras econômicas, outras ainda políticas e econômicas e muitas de desesperança. Como a de agora que é de desesperança. Por que? Assim como a de 1985 que findou o regime militar foi de desesperança porque a sociedade depositou no colo dos militares a salvação de um país que vinha de crise em crise. Era a direita assumindo o governo. A era Collor foi outra frustração, assim a era FHC deixou lacunas de insatisfação. Era a centro-esquerda no poder. Mas em 2002 o Brasil depositou no colo da esquerda a solução de todos os seus problemas.
Despreparada pra governar, a esquerda tinha métodos ideológicos de laboratório e cópias de projeto de gestão coletadas na forma de retalhos. A primeira surpresa foi governar sem apoio parlamentar no Congresso. Desabituada a conversar, porque as esquerdas sempre foram muito autoritárias, a esquerda brasileira fez o óbvio: comprou apoio com dinheiro, com cargos públicos, com concessões, interesses e com o loteamento do governo para partidos aliados e para parlamentares descontentes.
Nascia ali a institucionalização da corrupção como ferramenta de governo. Vistas grossas a todas as barbaridades em nome da manutenção do poder. O escândalo na Petrobras é apenas uma ponta do iceberg em que se meteram as gestões pós-2003.
A crise moral trouxe junto a crise política e as duas conseguiram criar uma imensa crise econômica dentro de um governo desaparelhado pra conversar consigo mesmo. Imagine conversar com as instituições democráticas, com os partidos políticos, com os chamados poderes da República e até mesmo com a sociedade.
Assisti a um excelente debate nesta segunda-feira no programa Roda Viva, na TV Cultura, sob o tema “Como sair da crise?”. Os entrevistados fizeram avaliações sobre todos os ângulos das crises moral, política e econômica. Saídas não são muitas e ninguém sabe se darão certo, ou se os protagonistas, tipo Congresso nacional e o Poder Executivo tem algum interesse em adotar qualquer uma.
A conclusão óbvia do debate não foi em torno das crises em si mesmas, mas da vontade ou do preparo que a sociedade brasileira tem para ser o protagonista de si mesma. A julgar por aí, teremos crises por muito tempo, porque faltam lideranças no país capazes de mobilizar a sociedade na direção de reerguimento da Nação.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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