Na última sexta-feira completou 38 anos a Lei Complementar 31/77, que dividiu Mato Grosso e criou Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso a data sempre passa despercebida porque, de algum modo, ainda guarda traumas da época. Confesso que vivi na intimidade a divisão em todas as suas fases e contextos. A separação de Mato Grosso do Sul respondia a anseios iniciados lá no século 19 depois da guerra com o Paraguai, quando a vazia fronteira sulista reivindicava ocupação legalizada.
O fim da Guerra Farroupilha no Rio Grande do Sul foi outro forte motivo para o inicio das campanhas divisionistas. Os oficiais gaúchos fugitivos e derrotados lá, migraram para a fronteira com o Paraguai e começaram a pressionar por melhor estrutura de desenvolvimento no estado. Em 1932, na Revolução Constitucionalista, contra o governo Getúlio Vargas, o Sul de Mato Grosso chegou a separar por conta própria e se denominar Estado de Maracaju, aderindo à causa paulista. Dali por diante os movimentos da divisão foram se fortalecendo e se reforçaram fortemente durante o regime militar.
Campo Grande sempre sediou a 9ª.Região Militar, subordinada ao 2º. Exército, sediado em São Paulo. No fim da década de 1970, a maioria dos oficiais superiores do governo militar, tinha sido oficiais na juventude na 9ª. Região Militar, e copiaram os ideais divisionistas. Muitos casaram-se com moças campo-grandenses e se tornaram divisionistas.
O próprio general Geisel, presidente da República que dividiu Mato Grosso, serviu em Campo Grande como tenente e se tornou divisionista. Mas isto é a História antiga. Em 1977 na divisão, a história era outra. Os três senadores de Mato Grosso eram sulistas, quatro dos oito deputados federais e 12 dos 24 deputados estaduais. A pressão sulista sobre o governo era enorme. Tanto, que em Campo Grande, no Edifício das Repartições Públicas, funcionava uma réplica do governo de Mato Grosso. O espírito vigente na época era o de que Mato Grosso do Sul seria muito rico e Mato Grosso muito pobre. As lideranças políticas lá transformaram o novo estado em um negócio político particular e quebraram um belo projeto bem estruturado.
Hoje, passados 38 anos, além da História resta a leitura de que projetos políticos particulares são muito ruins. Mato Grosso do Sul está muito distante e abaixo das expectativas que tinha naquele distante 11 de outubro de 1977. Por sua vez, Mato Grosso rompeu as suas adversidades e, de longe, superou o estado irmão do qual precisa se reaproximar. Afinal, são famílias do mesmo chão!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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