Moradores do bairro onde fica o clube que foi palco do mais sangrento dos ataques de 13 de Novembro homenageiam vítimas e discutem ameaça terrorista. Muitos dizem que não vão se deixar intimidar.
Milhares de parisienses estão na noite
deste sábado (14/11) na avenida Richard-Lenoir, perto do famoso clube Bataclan,
que se tornou o mais novo símbolo do terrorismo e da violência desenfreada na
capital parisiense.
Uma espécie de missa sem pastor é
rezada perto do Bataclan, onde ao menos 89 pessoas foram mortas na noite
anterior. Montanhas de flores acumulam-se sobre o asfalto, e alguns homens
distribuem velas.
A cena lembra as horas após o ataque à
sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro
deste ano, mas, desta vez, há muito mais vítimas para lamentar e muitos feridos
nos hospitais das redondezas, entre a vida e a morte.
Robert, que é professor, veio ao local
com o filho François – os dois com rosas nas mãos. Eles moram no bairro, o
Oberkampf, e querem, de alguma maneira, participar do luto coletivo.
O François, que é estudante, diz que
ele mesmo já havia estado várias vezes no Bataclan – um lugar badalado, onde
boas bandas se apresentam. Mas agora ele acha que não seria bom voltar ao local
nas próximas semanas, como muitos dos sobreviventes anunciaram. "É preciso
mostrar respeito pelos mortos, e isso exige tempo", afirma. Por outro
lado, ele não pretende se deixar intimidar pelos terroristas. "É
simplesmente o direito de qualquer pessoa, um direito humano, ir em paz a um
show ou encontrar amigos num café."
Robert critica o governo por erros
políticos, que, na opinião dele, foram cometidos pelo governo. Para ele, os
políticos tentam de tudo contra o terrorismo, mas conseguem poucos resultados.
Muitos dos terroristas são franceses, nascidos no país, ressalta. O professor
considera que uma política que tenta dar lições de moral a países muçulmanos e,
ao mesmo tempo, faz negócios com a Arábia Saudita não tem credibilidade. Essa
moral dupla faz com que ninguém mais leve a sério os valores democráticos e
republicanos da França, diz o professor.
DW.COM

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