O termo partido político se refere a um tipo de organização que aspira governar um país. Os partidos políticos costumam ser o meio pelo qual a população governa um país democrático e que escolhe seus representantes para desempenhar este fim através do voto. Surgiram embrionários na Grécia, depois Roma e se institucionalizaram na cultura política mundial.
Sem desmerecer a História anterior, seria bom olharmos os partidos políticos surgidos a partir da redemocratização brasileira de 1945 e da excelente Constituição de 1946. Quando foram extintos pelo Ato Institucional 2, de 1965 no regime militar, os 13 partidos até então existentes retratavam tendências de pensamento da sociedade ou de correntes. Os militares criaram em 1966 dois partidos: um de situação e outro de oposição. A Aliança Renovadora Nacional-Arena da situação, e o Movimento Democrático Brasileiro-MDB, de oposição.
A diferença entre eles e os antigos partidos é que foram formados como guarda-chuva debaixo do qual cabiam todas as tendências políticas anteriores. Depois da Constituição de 1988 abriu-se o leque de partidos que hoje alcançam 35. Nova diferença é que os atuais não representam com legitimidade segmentos da sociedade. Isso explica a desordem política que vive hoje o Brasil.
Bom lembrar que em 1997 instituiu-se o sistema de coligações nas eleições majoritárias e proporcionais. Desde então, nenhum partido conseguiu mais eleger sozinho os dirigentes executivos: prefeitos, governadores e presidente da República. Na esteira desse sistema de coligações apareceram as dezenas de “partidos nanicos” criados pra fins de negociação nas eleições. Donos de pequenos feudos eleitorais e de minutos ou de segundos no horário eleitoral gratuito tornaram-se cobiçados. Uma vez vencida a eleição instituiu-se a prostituição na gestão pública nacional emitida num conceito cínico: “ajudei a eleger, quero ajudar a governar”.
No governo Fernando Henrique Cardoso aparece a consequência pragmática desse sistema de gestão a que se chamou de “presidencialismo de coalizão”, que veio se corromper Lula a partir de 2003 quando ele se elegeu com minoria no Congresso e precisou distribuir ministérios, autarquias, bancos, estatais, concessões e cargos comissionados de porteira fechada a partidos como o PMDB. Nascia ali outra expressão cínica: “porteira fechada”.
Ministérios inteiros, os seus planos e recursos foram entregues a partidos oportunistas e a dirigentes partidários que transformaram a República num balcão de negócios. Hoje, não é mais um balcão de negócios. Involuiu para uma feira livre de escambos sem critério algum. Aí nasceu a crise política atual que está matando lentamente a economia do país. O assunto continua.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
ribeiro.onofre@gmail.com www.onofreribeiro.com.br

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