Nações Unidas afirmam que Exército conduziu ataques "bem organizados e coordenados" para expulsar minoria muçulmana. Aldeias foram queimadas, e mais de meio milhão de pessoas fugiram para Bangladesh.As forças de segurança de Myanmar realizaram ataques "bem organizados, coordenados e sistemáticos" contra os rohingyas, com o objetivo de expulsar a minoria muçulmana do estado de Rakhine, afirmaram as Nações Unidas nesta quarta-feira (11/10).
A sondagem descobriu que a mais recente onda de "operações de limpeza étnica" conduzida por militares em Rakhine, de fato, começou antes de 25 de agosto – possivelmente no início do mês, contrariando as alegações do governo de Myanmar de que a repressão era uma resposta a ataques de militantes. A investigação descreveu amplamente uma campanha liderada pelo Exército de Myanmar para acabar com a ligação da minoria muçulmana à sua terra natal. Os rohingyas são alvo de perseguição no país de maioria budista há décadas."Em alguns casos, antes e durante os ataques, megafones foram usados para anunciar: 'vocês não pertencem a este lugar, vão para Bangladesh. Se vocês não saírem, vamos queimar suas casa e matar vocês'", segundo o relatório. "Foram feitos esforços para efetivamente apagar memórias e sinais de pontos de referências na geografia da área habitada pelos rohingyas, de tal maneira que um retorno a suas terras lhes daria nada além de um terreno desolado e irreconhecível", acrescentou a ONU. As conclusões foram baseadas em entrevistas com refugiados da minoria muçulmana que chegaram a Bangladesh entre 14 e 24 de setembro. A equipe da ONU disse ter conversado com centenas de pessoas em 65 entrevistas, algumas com indivíduos e outros em grupos com até 40 pessoas. O relatório contém também informações providas por grupos de assistência médica e humanitária, além de evidências fotográficas e vídeos. O relatório menciona que aldeias inteiras foram queimadas, e que pessoas foram executadas, estupradas e torturadas. O comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, descreveu anteriormente a repressão em Myanmar como "um exemplo clássico de limpeza étnica".
PV/dpa/afp/cp
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