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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

"Presidente do Banco Central aponta para cenário de recuperação econômica"

Ilan Goldfajn apresentou à Comissão Mista de Orçamento um balanço da política econômica recente, com previsão de inflação abaixo da meta de 4,5% neste ano e no próximo. Manutenção desse cenário poderá levar a taxa de juros Selic abaixo do patamar atual, de 7,5% ao ano.
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Audiência pública para avaliação do cumprimento dos objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial, evidenciando o impacto e o custo fiscal de suas operações e os resultados demonstrados nos balanços - referente ao primeiro semestre de 2017, conforme estabelece o § 5º do art. 9º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal. Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante a audiência na CMO
O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira (31) que o país vive um período de desinflação e recuperação econômica, após dois anos de recessão. Em sua avaliação, esse cenário só é possível porque, ultrapassada a fase de incertezas, o empresariado deixa de repassar a variação dos custos ao reajustar os preços ao consumidor.
“Quando o futuro fica mais claro, os preços começam a cair”, disse Goldfajn em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO)que debateu as políticas monetária, creditícia e cambial adotadas pelo Banco Central.

Goldfajn explicou que a recente queda da inflação elevou o poder de compra e estimulou o consumo, sem que houvesse um endividamento das famílias. Segundo ele, o consumo cresceu 1,4% no segundo trimestre deste ano, em função também do maior acesso ao crédito – que, segundo ele, deve ocorrer “de forma permanente”.
Questionado sobre a sustentabilidade do consumo, o presidente do BC disse não se tratar de uma “bolha”, uma vez que “o aumento do poder de compra não é feito por endividamento e sim pela queda na inflação”. Ele afirmou que o “o consumo é sustentável porque é feito com mais poder de compra e mais emprego”.
Goldfajn aproveitou o debate na CMO para defender a aprovação, pela Câmara, de proposta que estimula a inclusão de dados nos cadastros positivos de crédito – PLS 212/17, do senador Dalirio Beber (PSDB-SC). O presidente do BC disse acreditar que a iniciativa deve ampliar o acesso ao crédito e, portanto, a expansão do consumo.
Renda e emprego
Ilan Goldfajn explicou que esse quadro econômico permitiu ainda um aumento do salário médio da economia em termos reais (descontada a inflação), bem como do nível de emprego. Ele explicou que, apesar de o salário mínimo ser hoje reajustado a taxas menores que a inflação, a queda dos preços permitiu que o salário médio da economia, em termos reais, aumentasse, bem como a taxa de emprego. Segundo ele, foram gerados 1,5 milhão de empregos ao longo de 2017.

Nesse ponto, os deputados Enio Verri (PT-PR) e Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) questionaram a afirmação, apontando o peso da informalidade e no campo no nível de emprego. “A indústria não cresce nada, está muito lenta, não está gerando emprego de forma nenhuma, apesar de ter um papel fundamental para o desenvolvimento e a recuperação econômica”, disse Verri.
Nesta manhã, o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desocupação recuou 0,6 ponto percentual no período de julho a setembro, encerrando o trimestre em 12,4%. É a menor taxa desde os 12% registrados no quarto trimestre de 2016. Segundo o IBGE, no terceiro trimestre deste ano o total de pessoas desocupadas ficou em 12,9 milhões.
Inflação
Os dados do Banco Central apresentados à CMO apontam para uma inflação (IPCA) abaixo da meta prevista de 4,5% para este ano. A taxa passou de 10,7% em dezembro de 2015 para 2,5% em setembro de 2017, com previsão de encerrar o ano em 3,2%. Para o próximo ano, o BC projeta uma inflação de 4,3% em dezembro.

O presidente do BC atribuiu esse cenário à redução na inflação dos preços de alimentos, que passou de 10% no ano passado para 5% neste ano. “Estamos caminhando bem com a inflação, os alimentos estão quase na meta neste ano”, ressaltou Goldfajn.
Marcos Santos/USP Imagens
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Para o Banco Central, alta no consumo das famílias no segundo trimestre é resultado do maior poder de compra, em decorrência da queda na inflação
Juros
A taxa de juros (Selic), que estava em 14,25% em dezembro de 2015, caiu para 7,5% em outubro de 2017. “É possível que a Selic continue a cair de forma moderada nos próximos anos, mas tudo depende do cenário de recuperação econômica”, disse o presidente do BC. Segundo ele, é possível haver queda adicional além dos 7,5% no médio prazo, mas “as reformas serão importantes para manter os juros menores ao longo do tempo”.

Segundo Goldfajn, os juros pagos pelas famílias caíram cerca de 15 pontos percentuais em um ano, no período de setembro de 2016 (74%) e setembro de 2017 (59%). Já os juros pagos por empresas tiveram queda de 6,5 pontos percentuais, passando de 29,7% para 23,2% no mesmo período.
Spreads
Apesar de reconhecer o cenário favorável da economia, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) cobrou explicações sobre a continuidade de alto spread bancário – diferença entre taxas de juros de aplicação e de captação, compreendendo o lucro e o risco relativos às operações de crédito. Para o deputado, essa situação configuraria a “voracidade” dos bancos em evitar riscos.

O presidente do BC disse que o aumento do lucro do setor bancário pode ser controlado com políticas que estimulem a competitividade dentro do setor. Goldfjan citou como exemplo a maior flexibilidade de regras para as cooperativas de crédito.
Pelas estimativas do BC, houve redução no spread bancário. Nas operações com empresas caiu 2,5 pontos percentuais entre setembro de 2016 e setembro de 2017. No caso das famílias, a redução foi de 10,8 pontos percentuais no mesmo período.
Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição - Ralph Machado

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