Governo dos EUA decide acabar com neutralidade na rede. Assim a internet se afasta cada vez mais do seu ideal de equidade e continua sua jornada como instrumento do turbo capitalismo, opina jornalista Jörg Brunsmann. Eu posso entender os provedores de internet. Por mais de um quarto de século, eles construíram e cuidaram das redes, criaram uma completa infraestrutura – tendo que observar invejosamente como seus clientes ganham rios de dinheiro com elas. Quando eles mesmos poderiam faturar tanto e tão facilmente com uma internet de diferentes velocidades.
No final, será que um provedor vai poder até mesmo desacelerar de forma direcionada a velocidade de transmissão dos dados somente para provar ao cliente "premium" que ele realmente desfruta de uma vantagem adicional? E a neutralidade em relação a nós, usuários? É concebível que, no futuro, haja conexões de internet bem baratas, patrocinadas por Amazon, Facebook etc, mas que só transmitam os dados dessas empresas. Nenhuma oferta de compras a não ser da Amazon, nenhuma página de notícias fora do Facebook. Também aqui os políticos teriam que intervir se quisesse salvar um pouco do antigo ideal da internet, que é: a internet deve ser uma rede global ideal, na qual todos possam se comunicar em pé de igualdade e compartilhar conhecimento entre si. É praticamente impensável que o governo dos EUA sob Donald Trump reflita sobre esses ideais e realmente aja em conformidade. Trump fez um favor aos seus amigos do setor econômico e também impôs uma decisão que seu antecessor Obama queria evitar. Já isso sozinho faz com que a coisa tenha valido a pena. Mas a internet continua a sua jornada como instrumento do turbocapitalismo. E se afasta cada vez mais do que deveria ser.
Jörg Brunsmann é especialista em internet na DW
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