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sábado, 27 de janeiro de 2018

"ARTIGO: Banguela. O nosso herói sem caráter"

Resultado de imagem para Paulo Castelo Branco"Banguela abriu caminho para a política e o poder. Aliado a intelectuais encantados com o sindicalista franco e supostamente honesto, chegou ao ápice assumindo o poder em poucas décadas".A luta de Banguela pela paz e igualdade social nasceu com ele. Ainda criança andava pelas ruas pobres do seu miserável barraco em busca de alimento e de algum dinheiro para colocar em casa. De família numerosa, o pai irresponsável os abandonou para mudar de vida na cidade grande. A mãe, desconhecendo o paradeiro do marido, catou seus pertences e, também, seguiu para o sul com a filharada. Enquanto os irmãos engraxavam sapatos, usando suas caixinhas de madeira, Banguela vagava pelas ruas procurando caminhos mais suaves para progredir. Com a ajuda de entidades sociais, fez curso profissionalizante e, ainda na juventude, passou a trabalhar na indústria. Logo sofreu um acidente que o afastou do trabalho por invalidez. Com a pequena grana garantida, observou que poderia aproveitar o seu tempo para se dedicar à causa proletária. Sem estudo, mas inteligente, se aproximou de alguns líderes sindicais, passando a fazer parte da elite. Fez carreira rápida. Com discurso fluente e populista foi identificado como perigoso oposicionista. Não era. Quando foi levado às grades por subversão, conquistou seus carcereiros e se transformou num parceiro para conter a violência. Daí para frente, Banguela abriu caminho para a política e o poder. Aliado a intelectuais encantados com o sindicalista franco e supostamente honesto, chegou ao ápice assumindo o poder em poucas décadas. No controle do país, aplicou seus conceitos em relação ao povo desamparado tornando-se personagem reconhecido mundialmente. Nas viagens, como não gostava de ler, determinava a assessores que fizessem resumos de assuntos importantes e conheceu o seu herói: Nelson Mandela, político africano que, depois de passar 27 anos na cadeia, foi libertado, presidiu e libertou a África do Sul. Queria ser tal qual o seu herói. Durante algum tempo foi o cara, o mais aguerrido torcedor do Corinthians, o querido da imprensa, o sonho de cada sogra, até que a casa caiu.Fingindo juntar recursos para ficar no poder até a morte, como seus amigos Fidel e Chávez, foi pego em roubalheiras. Processado, desconfiou que seria preso como vários dos seus companheiros mais próximos. Transferiu algum dinheiro para países que o acolhessem em caso de condenação. Foi julgado e condenado. Saiu às ruas se dizendo injustiçado e perseguido por golpistas. A imprensa virou inimiga, aliados se transformaram em traidores, Deus e o diabo invocados a cada instante. A vida um inferno. Após o julgamento, sem constrangimentos, partiria de jato privado para a África de Mandela. O pretexto da viagem é a luta contra a fome; a mesma fome que restaram de seus governos. Lá, na Etiópia, imagina que, se necessário, pedirá asilo usando os argumentos de perseguição política.É possível que em alguma ditadura, tão comum por aquelas bandas, Banguela possa se livrar da cadeia e visitar o local onde seu herói passou seus longos anos de cárcere. Verificará que a história de Mandela é inversa à sua. Mandela ficou 27 anos preso e saiu para governar o destino do seu país; Banguela, que governou o país por 13 anos, saiu do poder depois de arruinar o país e passará, por enquanto, 12 anos e 1 mês trancafiado. É o nosso Macunaíma.
Paulo Castelo Branco

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