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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

"ARTIGO: O “Brasil” não conhece o Brasil. Nem aprende com ele

Resultado de imagem para Paulo José Cunha é professor, jornalista e escritor."O Brasil de Parintins tem muito a ensinar ao “Brasil”. A começar pela criatividade de seus artistas, que se reinventam ano após ano. Ou dia após dia, já que os bois-bumbás Garantido e Caprichoso se apresentam de forma diferente em cada um dos três dias de festival".“O “Brasil” tem um professor muito bom, que dá aulas diárias e sem cobrar nada. O professor do “Brasil” é o Brasil. - Menos, né, PJ! Aqui a gente trata de assuntos relevantes, não admitimos brincadeiras. Brincadeiras? Pois nunca falei mais sério. Releia o primeiro parágrafo. Releu? Vamos lá. Ao longo dos anos, o “Brasil” vem se recusando a aprender com o Brasil. No que diz respeito à capacidade de realização, criatividade, organização e sensibilidade, basta o “Brasil” olhar em torno. Dar um pulinho ali na ilha de Parintins, no arquipélago das Tupinambaranas, no médio Amazonas, por exemplo, e assistir ao Festival Folclórico, no finalzinho de junho.
O samba precisa de umas aulas de toadas
O Brasil de Parintins tem muito a ensinar ao “Brasil”. A começar pela criatividade de seus artistas, que se reinventam ano após ano. Ou dia após dia, já que os bois-bumbás Garantido e Caprichoso se apresentam de forma diferente em cada um dos três dias de festival. São novas fantasias, novas alegorias, novas coreografias. Se comparar com o que cada escola de samba gasta para realizar apenas uma apresentação anualmente vai concluir que os boizinhos de Parintins são muito mais econômicos: fazem três “desfiles” por ano! E são tão criativos que as próprias escolas de samba chamam os artistas da Ilha Encantada quando precisam imprimir movimentos às alegorias que levam à Sapucaí. Os caboclos desenvolveram tecnologia mecânica para movimentar as figuras, usando roldanas e cabos, sem eletricidade. E esbanjam talento. Herdeiros da inimitável arte plumária indígena, os artistas-caboclos de Parintins combinam genialmente as cores e conseguem resultados que nada ficam a dever aos melhores espetáculos do mundo. O que torna a ópera da floresta um dos shows mais fascinantes do planeta. Não por acaso, todo ano, a ilha recebe dezenas de milhares de turistas, boa parte dos mais distantes países. A gente até se assusta quando se lembra que aquele espetáculo monumental ocorre no interior da maior floresta tropical da Terra, onde só se chega de barco ou de avião.
A floresta dá aula de civilização
Parintins também dá aula de criatividade musical. Cada boi oferece um conjunto anual de pelo menos doze toadas inéditas. Comparando: cada escola de samba só leva ao desfile um único samba-enredo por ano! As toadas embalam quesitos específicos como lenda amazônica, sinhazinha da fazenda, pajé e o tema do boi. Em parceria com o fotógrafo e designer gráfico Andreas Valentin, escrevi dois livros de arte sobre a festa dos bois da Ilha Encantada: “Vermelho: Um pessoal Garantido” e “Caprichoso: A Terra é Azul”. Poderia relacionar várias outras “aulas” às quais o “Brasil” não parece dar importância. Vou citar só mais uma, que bem poderia ser aprendida não apenas pelo “Brasil”, mas pelo mundo todo. Na festa de Parintins não há vaias. Como não há vaias, PJ, tá brincando? De novo: não é brincadeira. Se um boi está se apresentando a torcida do boi contrário não pode vaiar. Pode até aplaudir, mas vaiar, nunca. Senão seu boi perde pontos. Aula de civilização em plena floresta amazônica, é mole?
Respeito à cultura e à natureza
Corrupção? Claro que há, infelizmente. Essa praga está em toda parte. A Coca-Cola, principal patrocinadora da festa, é altamente exigente com a prestação de contas dos recursos investidos. Mas sempre ocorrem desvios ou falhas, como o não pagamento de direitos autorais, por exemplo. No ano passado o bumbá Caprichoso começou a ser investigado por desvio de recursos. É o resquício do “Brasil” que ainda resiste por lá e por uma infinidade de bibocas por aí. Muitas autoridades resistem a sair desse “Brasil” arcaico. O ex-prefeito Bi Garcia está sendo obrigado a devolver R$ 2 milhões e meio dos recursos que deveria ter aplicado em saúde. É o “Brasil” que não aprende com Parintins. Na verdade, o “Brasil” não aprende nem com experiências de sucesso como a de Antoninho Marmo Trevisan, autor de “O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil”, um guia para a detecção e combate à corrupção no âmbito municipal. O livro foi escrito a partir da experiência na identificação de fraudes em Ribeirão Bonito (SP) com participação ativa da própria comunidade, com ótimos resultados. Tem pra vender no Sebo Virtual por R$3,00 a unidade. De volta a Parintins. A ilha dá aulas também nos quesitos superação, criatividade, alegria, inovação, ousadia, dedicação, organização, otimização de recursos e respeito à natureza. Lá é proibido o uso de penas naturais nas fantasias, por exemplo. E a população rechaça os modismos, assumindo com orgulho sua própria cultura. Na época do festival, os parintinenses ocupam as ruas usando cocares e outros adereços, dançam e cantam toadas na rua. De mãos dadas! Homens com mulheres e também homens com homens, sim senhor! E, assim, exibem ao mundo o que têm de melhor – a bela cultura que os distingue. Parodiando “Querelas do Brasil” de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, celebrizada por Ellis, infelizmente o “Brasil” não conhece o Brasil. Nem aprende com o que o Brasil tem de melhor.
Paulo José Cunha é professor, jornalista e escritor.

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