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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"ENTREVISTA DE CESAR MAIA SOBRE O ANO ELEITORAL DE 2018!"

A imagem pode conter: 1 pessoa1. Pergunta: O que há de diferente no ano eleitoral de 2018? 
Cesar Maia: Tudo. Desde a nova lei eleitoral, que já valeu em 2016, agregada às regras de transição aprovadas para 2018 e daí por diante, sobre a cláusula crescente de barreira. E há os novos elementos de imprevisibilidade.

2. P: Que elementos de imprevisibilidade são esses?
CM: Em primeiríssimo lugar, o impacto das Lava-Jatos na cabeça do eleitor. Esse impacto pode ser subdividido -por um lado- na decisão do eleitor de votar ou não, se abstendo, anulando o digitando branco e, por outro lado, no direcionamento do voto contra e/ou a favor dos afetados ou não pelas Lava-Jatos.

3. P: Quais os instrumentos principais para isso?
CM: Principalmente três: a forma que os partidos vão distribuir o fundo eleitoral; a forma que os partidos vão distribuir o tempo de TV; e o uso das Redes Sociais. Há um elemento que é preciso agregar: os candidatos de militância, ou seja, que não flutuam e se fixam em seus eleitores. Suponha que o Não Voto (abstenção + brancos + nulos) atinja 50%, como ocorreu no Amazonas uns 3 meses atrás. Se esse for um fator geral, onde ele não atingir o resultado será dobrar proporcionalmente os votos, digamos, fixos.

4. P: Esse voto de pouca ou nenhuma flutuação é o ideológico?
CM: Também. Mas não só. Por exemplo, o perfil de candidatos que gerem uma contra-referência ou uma contra-atração pelo que o eleitor rejeita ou exclui de suas opções de voto.

5. P: Isso vale para todos os níveis - presidente-governador-senador-deputado federal e deputado estadual?
CM: Certamente. Embora em proporções diferentes, pelo meio de alcance do eleitor. Nas eleições para presidente e governador pesará mais a TV, especialmente pela forte redução das doações eleitorais, impedidas pela nova legislação eleitoral.

6. P: Muitos analistas afirmam que esse novo quadro abrirá as portas para a antipolítica e para o populismo. Você concorda com isso? 
CM: Depende. Quanto mais frágeis forem os candidatos, ou seja, como dizem alguns sociólogos, quanto maior for o peso da entressafra política, maior a importância da antipolítica e do populismo.

7. P: E a inversa? 
CM: Claro, certamente. Quanto mais orgânica a política, menor a penetração da antipolítica e do populismo. Mas há uma importante diferença. Uma entressafra tende a ser abrangente. A política orgânica, num ciclo de crise política como no Brasil, tende a se focalizar em certos candidatos e certos espaços exatamente onde atuam esses candidatos.

8. P: O que você sugeriria aos pré-candidatos para 2018?
CM: Pelo menos uma coisa. A máxima concentração neste primeiro trimestre (política e regionalmente) e a tomada de decisões após a janela de março, em função das reflexões durante o primeiro trimestre, agregadas às consequências e resultantes dos movimentos de março. E é ingênuo e incorreto traduzir esses movimentos como puro oportunismo. Eles são indicativos políticos da maior importância.

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