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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

"Onde foi que nós erramos?

Resultado de imagem para COLUNISTA  PAULO JOSÉ CUNHA"Na música, salvo as exceções de praxe, vivemos o apogeu do pior, com a melosidade choramingas de um bando de sujeitinhos brilhantinados ou sujeitinhas rebolativas que transferiram aos glúteos a única expressividade musical que são capazes de oferecer".Não sei se o faceiro leitor e a atraente leitora se deram conta, mas Pindorama vive um monumental retrocesso em praticamente todas as áreas, da política à economia, da liberdade de expressão à moral, da religião à música, da televisão ao cinema, para ressaltar apenas alguns aspectos. Calma! Não é um acesso de pessimismo do autor destas mal-traçadas. Mas tão-somente da observação atenta do momento e de suas nuances. Sei que vocês me amam, por isso vão entender este artigo como alerta e incentivo. E não como surto de mau-humor. Querem ver? Até duas décadas atrás o Brasil vinha numa espiral de boas novas nas artes de maneira geral. Basta lembrar que, no rastro da Bossa Nova, que projetou a música brasileira em escala planetária, tivemos o movimento Tropicalista e depois dele produções inovadoras de alta voltagem poético-musical, como os da música mineira (Clube da Esquina), paulista (Itamar Assunção, Arrigo Barnabé), cearense (Pessoal do Ceará), pernambucana (Chico Science). Sem falar na retomada do samba carioca com Zeca Pagodinho & seus compadres, e até (por que não?), o Axé Music baiano que revelou de Luís Caldas a Ivete Sangalo, de Margarete Menezes a Daniela Mercury. E muitos, muitos etcs. E olha que eu nem falei em Marisa Monte, Paulinho da Viola. E nem precisei falar que Caetano, Gil, Bethania, Gal e tal continuam na área, batendo um bolão. No cinema, depois do apogeu do cinema Novo (Glauber, Cacá Diegues, …) tivemos a produção instigante dos diretores pernambucanos, com destaque para o trabalho de Claudio Assis, Paulo Caldas e Lírio Ferreira, entre outros. No teatro, vivemos nos 60-70 um fulgurante momento de euforia com as audácias criativas de José Celso (O Rei da Vela) e Augusto Boal (Teatro do Oprimido), pra ficar apenas em dois exemplos. Na literatura, é só olhar pra trás e ver quem seguiu a trilha aberta por Jorge Amado, José Louzeiro, Moacyr Scliar, Érico Veríssimo e tantos bambambans. Na poesia, depois de Drummond, Bandeira e Cabral tivemos um dos mais radicais e inovadores sopros na linguagem poética com a poesia concreta, a poesia de processo, os movimentos marginais e vai por aí. Saindo das artes – e olha que não falei em Hélio Oiticia, Lygia Clark, Ligia Pape – e entrando na política, tivemos, desde a derrubada da ditadura, a ascensão do primeiro grande partido ideológico brasileiro de massa, o PT (sim, estou me lembrando do velho PCB, mas ele nunca foi um partido de massas, não é?). Na economia, tivemos momentos de muito entusiasmo na produção industrial, na geração de empregos e até acreditamos, numa certa altura, que o caminho do crescimento era irreversível. Isso até chegar a roda viva e carregar o futuro pra lá. No que tange à liberdade religiosa, vivemos até pouco tempo um estágio de convivência pacífica entre as diferentes confissões. Aqui e ali se registrava algum gesto de intolerância – como a do bispo aquele que chutou a santa. Ou de repressão às religiões de matriz afro-brasileiras. Mas, no geral, a convivência era relativamente pacífica. Os canais de televisão, até outro dia, disputavam audiência pela qualidade da produção. Dá saudade o tempo dos Casos Especiais e das novelas que marcaram época como as que saíam da genialidade de Dias Gomes (Roque Santeiro, Saramandaia, …. etc), pra ficar num único exemplo. Hoje, a audiência é disputada palmo a palmo por quem desce mais o nível. Enquanto isso, nossos maiores sucessos no cinema são comédias ligeiras ancoradas na popularidade de atores da TV.
De repente, o mundo virou de cabeça pra baixo. Atenção, revisão, eu escrevi PRA BAIXO. Na música, salvo as exceções de praxe, vivemos o apogeu do pior, com a melosidade choramingas de um bando de sujeitinhos brilhantinados ou sujeitinhas rebolativas que transferiram aos glúteos a única expressividade musical que são capazes de oferecer. Os palcos dos teatros foram invadidos por hordas de humoristas de stand ups comedy. Uns até bons, reconheça-se; mas, a maioria, de uma mediocridade que choca e aborrece pelo apelo descarado à baixaria explícita. E olha que o moralismo não é meu forte. Na religião, pra fechar esse elenco, não precisa dizer muito: o país está entupido de igrejas caça-níqueis (sob o olhar complacente das igrejas tradicionais, sérias, que misteriosamente não abrem o bico pra denunciar as aberrações das, digamos, concorrentes). Os atos de intolerância se multiplicam principalmente ao candomblé e a umbanda. Vale um registro triste em relação aos direitos das minorias, com as seguidas denúncias de racismo e homofobia. Na política, será que é preciso dizer alguma coisa sobre a ladeira abaixo em que nos metemos?
Pronto, falei.
Foi difícil chegar até aqui, porque isso significa reconhecer que, em algum ponto, a linha evolutiva que o país vinha trilhando nas mais diversas áreas foi rompida e vai demorar a ser retomada.
Sim, queridos, já sei: vocês vão me chamar de careta. Pois sou e não nego: careta e saudosista. Agora, deixa eu subir o volume da vitrola. Enquanto escrevo estou ouvindo um tal de Tom Jobim. Esse cara tem futuro. Já ouviu alguma coisa dele?
Colunista PAULO JOSÉ CUNHA

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