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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

"DESTAQUE:Senador Medeiros aciona petistas no Conselho de Ética por incitação à violência e apologia ao crime"

O senador José Medeiros (Pode-MT) protocolou no Conselho de Ética nesta quinta-feira (7) uma denúncia contra os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT no Senado, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional da legenda. Medeiros os acusa de incitação à violência e apologia ao crime durante os dias em que movimentos sociais e militantes partidários ocuparam as ruas de Porto Alegre, no final de janeiro, para acompanhar o julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
Na ocasião, a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro foi confirmada e ampliada para 12 anos de prisão, despertando a revolta dos defensores do cacique petista. Em uma das declarações, feita a poucos dias do julgamento, Gleisi chegou a dizer que, para prender Lula, a polícia teria que “matar gente”. ”Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”, disse a senadora ao site Poder360, em entrevista veiculada em 16 de janeiro. Devido à má repercussão da fala, a própria Gleisi depois foi às redes sociais explicar que apenas usou “força de expressão” para demonstrar o quanto o ex-presidente é “amado”. “Na minha fala ao site Poder 360, usei uma força de expressão p/ dizer o quanto Lula é amado pelo povo brasileiro. É o maior líder popular do país e está sendo vítima de injustiças e violências q atingem quem o admira. Como ñ se revoltar c/condenação s/ provas? Política e injusta”, justificou Gleisi, por meio do Twitter. Lindbergh era um dos mais inflamados na defesa de Lula na semana do julgamento em segunda instância. Dizendo que o julgamento foi uma armação para tirar Lula da corrida presidencial deste ano, o senador recorreu à ideia de desobediência civil como forma de livrar o ex-presidente da cadeia. “Não nos peçam passividade nesse momento. Há uma ditadura de toga neste país. Não podemos mais dizer que vivemos numa democracia e agora só temos um caminho: a rebelião cidadã e a desobediência civil”, defendei Lindbergh, repetindo discurso semelhante ao de Gleisi.
“Vão fazer o quê? Prender o Lula? Vão ter de prender milhões de brasileiros antes”, acrescentou, em discurso organizado em São Paulo para apoiar Lula, depois do julgamento. O senador já havia feito a defesa do colega petista em palco montado nos arredores do TRF-4, em Porto Alegre.
Confronto
Ontem (quarta, 7), José Medeiros já havia avisado que protocolaria a denúncia. Em discurso na tribuna do plenário, ele fez duras críticas aos colegas de Senado – na ocasião, Lindbergh recorreu ao artigo 14 do regimento interno, que assegura ao senador ofendido o direito de resposta, mas seu pedido foi negado pelo governista João Alberto (PMDB-MA), que também é presidente do Conselho de Ética e presidia os trabalhos de plenário naquele instante. “Nós não podemos brincar com as pessoas – e brincar de forma perigosa. Começaram a insuflar atos de violência. Primeiro, uma presidente de um partido desse tamanho disse o seguinte: ‘Para prender o ex-presidente, vão ter que matar gente’. O segundo disse o seguinte: ‘A saída não é mais pela via institucional’. Como é que pode um senador da República defender a quebra da via institucional? Como pode um senador pedir a quebra da ordem institucional, se é o Senado Federal um dos construtores do arcabouço jurídico deste país? Não podemos aceitar”, discursou. Como a iniciativa de José Medeiros é pessoal, a demanda tramitará como denúncia, com apenas duas possibilidades de punição (censura e advertência). Sanções mais severas (cassação, suspensão do mandato etc), segundo as normas regimentais, são hipóteses previstas em processo movido por partidos com representação na Casa, o que não é o caso. Por meio de notas, tanto Gleisi quanto Lindbergh já se manifestaram sobre a denúncia – que não é a primeira feita por José Medeiros contra colegas de oposição (leia mais aqui e aqui). A senadora acusa Medeiros de ser um parlamentar a serviço de um “governo espúrio” e Lindbergh classifica a iniciativa como fruto de “ignorância”.
Leias as notas de Gleisi, em nome do PT…
Querem calar a oposição
A ameaça de representação no Conselho de Ética contra a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, e o líder da bancada, o senador Lindbergh Farias, é mais uma etapa da campanha de ódio e perseguição contra o Partido e suas lideranças. Depois do golpe do impeachment e da farsa judicial contra Lula em Curitiba e em Porto Alegre, os golpistas esperavam nos colocar de joelhos, mas não foi isso que aconteceu. O PT voltou a crescer e tem hoje a simpatia de 1 em cada 5 eleitores, segundo as pesquisas. E Lula aumenta a liderança para as eleições presidenciais a cada injustiça cometida contra ele, a cada violência do governo golpista contra o Brasil e nosso povo. Em busca de um instante de fama na Rede Globo, a grande orquestradora do golpe, um senador aliado a este governo espúrio quer agora criminalizar a livre expressão das nossas lideranças, que é garantida pela Constituição e protegida pela imunidade parlamentar. O que os golpistas e seus fantoches não suportam é conviver no ambiente democrático. Por isso, querem calar o PT, calar a oposição, calar quem defende o Brasil e nosso povo. Continuaremos defendendo a democracia e os direitos do nosso povo!
Brasília, 6 de fevereiro de 2018
Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores
…e de Lindbergh:
Segundo Medeiros, estamos “incitando a violência” em nossas declarações de indignação contra os diversos golpes que a democracia vem sofrendo. Nada mais falso. Se ele tivesse se dado ao trabalho de estudar, veria que “desobediência civil” é marcadamente um termo ligado a manifestações não violentas, pacíficas. É preciso dizer, também, que se ele fosse ler, o direito à resistência foi defendido por Thomas Jefferson, um dos principais fundadores da Constituição norte-americana. Como o próprio Henry Thoreau – criador do conceito; Mahatma Gandhi – que aplicou a técnica durante o processo de independência da Índia e do Paquistão; e Martin Luther King – que defendeu a proposta durante a luta pelos direitos civis e o fim da segregação racial nos Estados Unidos – para esclarecer que o termo utilizado, além de ter sido objeto de estudo de pensadores ao longo dos anos, se trata de reações legítimas. Ele não se deu ao trabalho de tentar entender o que que é isso. É ignorância pura!

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