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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

26_02_celulares_foto_pixabay.jpgSerão necessários gestores da complexidade capazes de habitar as fronteiras entre os saberes, buscando oportunidades. Entrevista com Piero Dominici, Professor de Comunicação Pública e Atividades de Inteligência na Universidade degli Studi de Perugia, publicada por Morning Future, 16-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini. O futuro será das "figuras híbridas", os "gerentes da complexidade", de quem saberá "habitar o que hoje consideramos como os limites e limitações entre os saberes". Aqui estão os seus conselhos sobre o que os jovens deveriam esperar das escolas, universidades e, em geral, das instituições de educação e formação. Começando por aqueles que estudam ciências da comunicação.
Eis a entrevista.
O Fórum Econômico Mundial afirma isso há tempo, mas agora o conceito tornou-se dominante: 65% das crianças que estão no primário, "quando crescerem" estarão envolvidos em algum trabalho que hoje não só não existe, mas que nem sequer podemos imaginar. Neste cenário, no qual as competências e os conhecimentos rapidamente tornam-se obsoletos, o que devem buscar os jovens para sua formação?
A reflexão básica é que os jovens deveriam primeiro encontrar, descobrir e viver suas paixões. Não dos seus interesses, mas realmente das suas paixões, daquilo que aquece o coração, aquilo que quando você fica trabalhando até tarde te faz sentir bem e quase não te causa cansaço. Devemos ter a coragem de ir além da visão enganosa que nos impulsiona a sempre ter que encontrar a utilidade em tudo o que fazemos, mesmo no que diz respeito ao nosso crescimento e amadurecimento pessoal e intelectual. As paixões precisam ser descobertas, estimuladas, suscitadas e afloradas com um percurso educacional que deve começar nos primeiros anos escolares, que saiba como vincular razão e imaginação, pensamento e emoções, muitas vezes removidos dos trajetos educacionais e de formação. Tudo isso implica naquela que é - em minha opinião - uma questão de crucial importância, embora muito subestimada: redescobrir o valor da autenticidade e voltar para uma educação da autenticidade. Podem parecer dimensões desvinculadas com o tema do trabalho, mas é exatamente o oposto.
Por que este discurso pode parecer à primeira vista um tanto genérico ou de valores, mas é crucial em relação ao tema do trabalho?
Porque nós somos pessoas, ou seja, sujeitos de relação antes que trabalhadores, cidadãos e consumidores. Na base de todo o nosso discurso, existe a necessidade urgente de recuperar as dimensões (complexas) da complexidade educacional, na perspectiva sistêmica de uma educação sócio-emocional. Sobre esse ponto, teríamos muito a falar, inclusive sobre a ausência de uma "verdadeira" orientação e de políticas de orientação, capazes de acompanhar os nossos jovens na transição da escola para a universidade. Em segundo lugar, para dar uma tradução operacional para o que foi dito, é necessário focar em percursos de formação que sejam cada vez mais construídos e projetados com uma ótica interdisciplinar e multidisciplinar, em condições de deixar para trás as velhas lógicas de separação, como, por exemplo, aquela bem conhecida entre as chamadas "duas culturas". Aquelas que hoje são consideradas fronteiras e limites - entre os saberes, entre os conhecimentos e as competências, entre a racionalidade e a criatividade - devem tornar-se brechas, aberturas, percursos e oportunidades. Precisamos cada vez mais de figuras híbridas, de perfis curriculares que possam manter juntas imaginação e racionalidade, criatividade e rigor metodológico, o humano e o tecnológico. É a complexidade da mudança que está ocorrendo, a sua ambivalência, velocidade e imprevisibilidade que nos mostra a inadequação de processos educacionais e de formação atuais, mas também a inconsistência das explicações reducionistas e dos tradicionais modelos interpretativos lineares.
Devemos recuperar a empatia, o pensamento crítico, uma visão sistêmica dos fenômenos, a educação para a comunicação, o imaginário.
Para tanto como as escolas, universidades, instituições de ensino e formação deveriam mudar?
O discurso sobre os interesses, as paixões, que é capaz de emocionar e estimular a criatividade comporta em repensar sobre os processos educacionais e de formação, no sentido da redescoberta da construção social da pessoa e não apenas do indivíduo. Isso teria repercussões importantes sobre a existência dos jovens, não só no aspecto de trabalho e profissional. Pelo contrário, continuamos a alimentar aquelas que muitos anos atrás eu chamava de "falsas dicotomias", inclusive aquela entre pensamento e emoção: sobre elas continuamos a impostar a educação e a formação, baseando-as sobre uma determinada ideia da racionalidade e da utilidade do saber. Hoje, como nunca antes, é necessário recuperar as dimensões complexas da complexidade educacional: a empatia, o pensamento crítico, uma visão sistêmica dos fenômenos, a educação para a comunicação, além das dimensões que temos deliberadamente removidos, como o imaginário e a criatividade. Isso significa repensar o espaço relacional e de comunicação dentro das instituições educacionais e de formação, revitalizar a educação na perspectiva sistêmica de uma educação que só pode ser sócio-emocional. O "grande equívoco" da educação na civilização hipertecnológica é justamente aquele de pensar que sejam necessárias uma educação e uma formação de natureza especificamente técnica e/ou tecnológica; isso é exatamente o oposto do que temos e teremos desesperadamente necessidade.
Então, quais são os melhores percursos sobre os quais apostar?
Os melhores percursos (não ideais), como resultado, serão aqueles que buscam uma interdisciplinar e multidisciplinaridade. Aqueles, em outras palavras, mais adequados para preparar as pessoas para viver a complexidade atual e futura, aqueles que irão formar, em todos os níveis, mentes críticas elásticas, figuras híbridas, abertas às contaminações entre os saberes e as competências. Figuras e perfis sempre prontos para ver as fronteiras e os limites, seja qual for a sua natureza, como uma oportunidade para crescer e experimentar.
O grande equívoco é pensar que seja necessária uma formação técnica e/ou tecnológica: é o contrário
Em seus estudos, você destaca que "na sociedade hiper complexa não são mais suficientes o ‘saber’ ou o ‘saber fazer’: precisamos ‘saber’, precisamos ‘saber fazer’, mas também precisamos ‘saber como comunicar o saber e saber comunicar o saber fazer’”. O quanto é importante a comunicação nos novos paradigmas do trabalho?
E, acima de tudo, qual comunicação? A comunicação importa muito, é quase banal dizer. A nova viralidade da comunicação, entre outras coisas, é um dos elementos que determinou a passagem da complexidade para a hipercomplexidade. A comunicação sempre foi estratégica para a sobrevivência dos sistemas sociais e das organizações, mas hoje é ainda mais porque a sua nova viralidade (que só em parte está relacionada com o aspecto digital) trouxe para fora da "torre de marfim" os saberes, os conhecimentos, as questões que antes eram de domínio exclusivo dos cientistas, dos estudiosos e dos especialistas, destacando a importância estratégica de questões relacionadas com a representação e a percepção dos fenômenos. Temas de fundamental importância para a própria manutenção das modernas democracias. O problema é não ter consciência da importância da comunicação, o problema é reconhecer que a comunicação, ou melhor, uma determinada ideia/concepção/visão de comunicação, deve ser repensada e redefinida, tomando cuidado para não confundi-la com o marketing e muito menos com a conexão.
Basicamente aqui, a comunicação é mais do que apenas uma técnica ...
A comunicação é um processo social complexo de compartilhamento de conhecimentos, não só onde o conhecimento é equivalente a poder (questão muito antiga), uma vez que a comunicação tem a ver com a criação de vínculos de confiança, com o fortalecimento das conexões entre os sistemas e os ecossistemas. Portanto, é importante estar ciente de que os conhecimentos e as competências no campo da comunicação não devem ser ligados exclusivamente com a habilidade técnica de governar instrumentos de comunicação ou de conexão; o problema é tentar governar a complexidade social e organizacional e, ao mesmo tempo, aprender a comunicar as suas numerosas implicações. Isso requer uma atenção especial à dimensão metodológica e àquela de cultura organizacional. Em vez disso, existe o risco muito concreto de que a nossa oferta de formação universitária, no que diz respeito ao papel do comunicador, venha a coincidir substancialmente com a formação de um vendedor ou um formador de opinião, mais ou menos oculto. O ponto principal, em minha opinião, é que não se deve apenas formar para a comunicação, mas também educar para a comunicação.
A comunicação deve ser repensada, sem confundi-la com marketing nem com conexão
Você falou acima de figuras híbridas como protagonistas do próximo futuro. Também escreveu que "não podemos mais nos dar ao luxo de formar apenas técnicos e isso justamente porque estamos em uma civilização hipertecnológica": não é um paradoxo?
Não é apenas um paradoxo, é o "grande equívoco" da civilização tecnológica. Precisamos formar cada vez mais "gestores da complexidade", que é uma complexidade social, relacional, organizacional, uma complexidade não passível de objetivação por nenhuma fórmula, capaz de escapar a qualquer processo de redução. As organizações em que vão e irão trabalhar os jovens, são sistemas sociais, nós precisamos educá-los, formá-los e atualizá-los para isso, para viver essa complexidade, que nunca é previsível até o fundo. Ao nível do discurso público, em vez disso se continua a repetir que são necessários (apenas) engenheiros, profissionais das ciências exatas, algumas figuras e não outras; ainda se está pensando em termos de "duas culturas", sobre a falsa dicotomia entre educação humanista e formação científica, algo inacreditável. Precisamos obrigatoriamente superar tais dicotomias.
Necessitamos de figuras abertas à contaminação entre os saberes, em condições de ver os limites e as limitações como oportunidades
Qual é o risco de permanecer presos no antigo dualismo entre cultura humanista e técnico-científica?
Continuar a pensar que, para essa civilização hipertecnológica, só sirvam figuras muito preparados para "saber fazer", para "saber como usar", no âmbito de uma dimensão altamente técnica e tecnológica, responde a uma impostação míope que vai nos manter em um estado de perene atraso cultural. Como eu sempre repito, continuaremos a nos contar que a tecnologia é mais rápida que a cultura, como se a primeira fosse algo externo à segunda. Repito: precisamos de figuras híbridas, de gestores da complexidade (uso tal fórmula por conveniência e por síntese), que saibam enxergar oportunidades no que hoje definimos e reconhecemos como riscos, vulnerabilidades, variáveis de uma perigosa desordem, capazes de tornar ainda mais instáveis e inseguros os sistemas e a vida social. Para outros temas e questões muitas vezes se recorre à metáfora das "pontes, não muros", uma metáfora que podemos empregar também nesses contextos. É hora de facilitar a construção de pontes entre os saberes, entre as competências, entre o natural e o artificial (ultrapassando fronteiras), entre os saberes e a vida, entre o humano e o tecnológico. Habitar a hipercomplexidade, não só saber gerenciar/controlar as tecnologias, explorando todo o seu potencial: e há muito mais.
Professor universitário e formador profissional, Piero Dominici ensina Comunicação Pública e Atividades de Inteligência na Universidade degli Studi de Perugia. Há vinte anos está envolvido com as complexidades e a teoria dos sistemas, com referência específica às organizações complexas e as temáticas relativas à educação, inovação, cidadania, democracia e ética pública. É Diretor Científico do Complexity Education Project, coordena um blog sobre Nova em Il Sole 24 Ore, intitulado "Fora do Prisma".

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