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terça-feira, 13 de março de 2018

"A Terra se aquece, mas a receita dos três D pode evitar o pior"

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O aquecimento climático não é uma hipótese futura, já está acontecendo: a temperatura média global aumentou em um grau em comparação com os níveis pré-industriais. Por conseguinte, será impossível respeitar os acordos de Paris de 2015, que alertavam para parar em um grau e meio. De acordo com Hans Joachim Schellnhuber, para todos John, um dos principais especialistas em modelos climáticos, ainda podemos nos manter tecnicamente na barreira dos dois graus, mas apenas se ‘descarbonizarmos’ as nossas economias a partir de agora e nos conscientizarmos na perspectiva de uma nova revolução industrial e agrícola voltada para a sustentabilidade. Se não o fizermos, ultrapassaremos o "ponto crítico" e pagaremos uma conta pesada.
Fundador em 1992 do instituto interdisciplinar que investiga os impactos das mudanças climáticas em Potsdam, Schellnhuber é uma voz influente em todos os painéis climáticos internacionais. O Prêmio Nobel da Paz 2007 para o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) deve-se em parte a ele.
Depois de ter recebido os mais altos reconhecimentos científicos por seus estudos sobre as marés e o clima, ele lançou a Earth League, uma aliança de cientistas que, dos Estados Unidos à China, quer incentivar os governos para a sustentabilidade. Pedimos que ele nos antecipasse o assunto de sua palestra no festival Eventi letterari Monte Verità em Ascona.
Eis a entrevista.
Por que devemos acreditar em cenários ansiogênicos? Que tipo de ciência é esta da qual você trata?
Eu me formei como matemático e físico quântico. Quando me mudei para a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, comecei a investigar o comportamento de sistemas complexos longe do equilíbrio e suas dinâmicas não-lineares. No começo, essas pesquisas eram pouco mais que uma diversão, depois percebemos que poderiam explicar fenômenos muito complexos tais como as mudanças climáticas, cujos modelos são compostos por milhares de equações não-lineares e exigem um grande poder de cálculo.
No entanto, dentro desse caos, é possível fazer previsões precisas. Parece um paradoxo.
Sim é verdade, este é o ponto crucial. As previsões meteorológicas são confiáveis apenas no curto prazo. Depois de alguns dias, as informações iniciais à nossa disposição não permitem antecipar qual será a trajetória. Mas quando estudamos o sistema climático como um todo e observamos seu comportamento por mais tempo, então percebemos que possui padrões reconhecíveis e que podemos fazer projeções precisas. Por exemplo, através da análise de sistemas complexos, desenvolvemos um modelo do fenômeno conhecido como El Niño que nos permite prever sua ocorrência com muita precisão. Nunca seremos capazes de prever onde estará uma determinada molécula ou qual será o clima em uma determinada área daqui a um mês, mas graças à análise das relações reticulares entre os fatores envolvidos, verificamos que podem emergir algumas regularidades, altamente previsíveis, como as monções indianas.
Mas se o clima é um fenômeno tão complexo, como podemos intervir gradualmente para modificá-lo?
As políticas para mitigar os efeitos do aquecimento global têm consequências sociais e econômicas, mas também psicológicas e de modificação dos consumos, das movimentações, da alimentação. Se trabalhássemos juntos em todos esses níveis, poderíamos revolucionar nosso modelo de desenvolvimento...
Em minha opinião, a mudança ocorrerá através do que eu chamo dos três D. O primeiro D é Disaster (Desastre): nós humanos aprendemos a lição através da experiência. Após os desastres e os eventos extremos dos últimos anos, muito mais pessoas, nos Estados Unidos e na Índia, se convenceram da realidade do aquecimento global.
O segundo D, muito importante, é o Discovery (Descoberta), que é a descoberta, o progresso tecnológico, o que nos dará a possibilidade de escolher realmente entre as alternativas aos antigos combustíveis fósseis. Nos próximos dez anos, cada nova casa poderá ser completamente autossuficiente em termos de energia. Os preços cairão, mesmo para o transporte, e não teremos mais álibi: chegaremos a um ponto de virada positivo.
Os dois primeiros D, no entanto, não serão suficientes se não acrescentarmos o terceiro, Decency (Decência), ou seja, a sobriedade, a mudança de atitude: organizar uma videoconferência em vez de uma viagem e talvez evitar voar para Nova York apenas para fazer compras no fim de semana.
Alguma sugestão para o novo governo italiano?
A Itália, como a Alemanha, graças à sua capacidade de inovação e belezas naturais, pode desempenhar um papel fundamental nas estratégias futuras para enfrentar as mudanças climáticas. Quem vier a governar o país não deverá invalidar tudo o que vocês fizeram até agora, especialmente quanto às energias renováveis.
O que você pensa sobre aqueles que ainda negam as responsabilidades humanas no aquecimento global, agora que um deles está na Casa Branca?
Na ciência, quando todos os colegas concordam com você, você deve começar a desconfiar! A discussão é o sal da pesquisa, mas é igualmente verdade que, nas grandes teorias comprovadas, o consenso agora já foi estabelecido sem qualquer dúvida. E isso também vale para o aquecimento global de origem antropogênica. As pessoas estão esquecendo que os frutos da ciência moderna e do Iluminismo melhoraram radicalmente as suas vidas. Nos países ricos, nos acostumamos à ciência e aos seus dons, eliminando o esforço que foi feito nos últimos cinco séculos para obtê-los. Os jovens de Bangladesh não sentem esses problemas e veem na ciência e na tecnologia uma chance de resgate.
Não parece desconcertante que as tecnologias digitais, resultado dessa ciência, tenham de tornado o nicho ecológico perfeito para todo tipo de vazão irracional e de superstição?
Infelizmente, é verdade. A ciência hoje é vista pela maioria como uma bela narrativa sobre dinossauros ou sobre estrelas que explodem. Mas quando a própria ciência, com base em dados igualmente objetivos, nos avisa que devemos mudar os nossos hábitos se não quisermos destruir o planeta, deixamos de acreditar nela. Na internet, cada um está convencido que tem sua própria verdade absoluta. Mas as conquistas da ciência foram obtidas porque conseguimos reconhecer a verdade universal das leis da natureza, que são insensíveis às nossas opiniões pessoais expressas nas redes sociais.
Por causa de seu cenário sobre como seria o mundo se o aquecimento global atingisse quatro graus e pela teoria de que na evolução das emissões de gases de efeito estufa, do desmatamento e do derretimento das geleiras existem pontos críticos de não retorno, após os quais o sistema climático muda de forma irreversível, você foi acusado de ser um catastrofista...
Os verdadeiros catastrofistas são aqueles que fazem propaganda cética e alarmista sobre as mudanças climáticas, para induzir as pessoas a não acreditarem. Nós coletamos dados e propomos soluções alternativas, os outros torcem pelos combustíveis fósseis. Avaliem vocês quem é o catastrofista.
Em setembro de 2018, Schellnhuber deixará a direção do prestigiado instituto de Potsdam para uma dupla inédita de colegas: Ottmar Edenhofer, um alemão economista de clima, e Johan Rockström, um ecologista sueco. A sustentabilidade é um desafio em que as ciências naturais e sociais terão que trabalhar juntas.
A entrevista é de Telmo Pievani com Hans Joachim Schellnhuber, publicada em la Lettura e Caminho Político. A tradução é de Luisa Rabolini.

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