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sábado, 7 de abril de 2018

"Opinião: "Sigamos lutando! Sigamos juntas! A importância da campanha #DeixaElaTrabalhar", por Patrícia Paixão"

O caso aconteceu há quase dez anos, mas é difícil esquecê-lo, pois nunca em toda minha vida eu me senti tão desrespeitada e insultada. Eu fazia cobertura de um evento em Brasília para uma instituição para a qual eu trabalhava. Essa instituição tinha organizado um grande seminário, com nomes importantes da economia brasileira. Eu estava de pé, ao lado das cadeiras organizadas para o público, fazendo anotações em meu bloquinho sobre o que o palestrante falava. De repente, reparei que um senhor, no meio do público, estava com uma das mãos levantada, fazendo sinal para que eu fosse até ele. Fui ao encontro do homem (branco, de meia idade, bem vestido) e ele pediu que eu abaixasse para dizer algo em meu ouvido. Não estranhei o pedido. Achei que era para não atrapalhar o evento. Quando me curvei para ouvir a mensagem, veio o choque: “Eu te espero no meu quarto, é o número X, no X andar. A porta vai estar aberta pra você a partir das dez da noite. Venha à vontade” [o evento estava acontecendo no salão de convenções do hotel, onde boa parte do público estava hospedada]. Fiquei pensando se eu tinha ouvido direito o que ele me disse. Achei que tivesse entendido errado. Nessa hora, já um tanto nervosa, me levantei e perguntei em alto e bom som, sem me importar com quem estava ao lado: “O que o senhor está dizendo??”. E ele falou, com os amigos que estavam ao seu redor dando risada da minha cara: “Você entendeu muito bem. Não se faça de desentendida, pois eu sei que você também quer. Eu vi como você me olhou”.
Meu coração disparou e me veio uma vontade enorme de chorar, eu me sentia um lixo, um pedaço de carne. Não conhecia aquele homem e não me lembro de tê-lo visto naqueles dias do evento. Disse que ele era louco e que eu o denunciaria, e que avisaria a instituição que eu trabalhava que ele estava me assediando. Ele começou a me chamar de “vagabunda” e mais um monte de termos chulos. Ainda emendou com essa: “Você é jornalista da instituição na qual eu sou filiado. Seu salário vem do dinheiro que eu pago para essa instituição”.
Saí dali enfurecida e avisei imediatamente um dos dirigentes da instituição, que também estava acompanhando a palestra. Ele me disse para eu esquecer o caso. Esse dirigente era uma pessoa muito legal comigo e o que ele me dizia eu sempre levava muito em consideração. Eu não tinha tanta força, esclarecimento e coragem como possuo hoje e, pra não criar confusão, resolvi deixar tudo pra lá. Não tomei uma atitude mais séria. Nessa instituição, formada a maioria por homens, o assédio era bem comum não só comigo, mas com minhas estagiárias de jornalismo. Cheguei a ver discussões surreais no processo seletivo como: “melhor escolher aquela ali que é mais gostozinha”.
Afora isso, foram “n” situações de piadinhas sem graça e comentários maliciosos pelas redações e empresas nas quais atuei. Seja da parte do entrevistado, seja da parte de colegas de trabalho. “Nossa, é você que vai fazer a entrevista comigo? Agora fiquei até nervoso”. “Além de inteligente, é muito bonita, viu?”. “Podemos discutir essa pauta ou podemos tomar um café, se você quiser”. Blá, blá, blá...
O assédio no ambiente jornalístico é enorme. Não é mimimi, é um problema grave que precisa ser urgentemente combatido. Por isso, campanhas como #JornalistasContraoAssédio, lançada em 2016 por Thaís Nunes, Janaina Garcia, dentre outras colegas (depois de o cantor Biel ter assediado uma repórter do portal IG), e #DeixaElaTrabalhar, lançada recentemente por repórteres esportivas (após um torcedor vascaíno ter beijado à força a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, durante uma transmissão ao vivo), são muito importantes e precisam ser abraçadas.
Se aquele caso acontecesse hoje comigo, eu iria até as últimas consequências. O esclarecimento, a coragem e a força são construídos na luta diária ao lado de outras mulheres. Faz quase dez anos que aquele homem fez eu me sentir um lixo. De lá pra cá, eu cresci muito na batalha com outras colegas e vejo que a mobilização fica cada vez mais forte.
Sigamos lutando! Sigamos juntas! Tudo o que queremos é o nosso direito de trabalhar em paz, com segurança, sendo respeitadas e elogiadas pelo nosso profissionalismo, e não por outros motivos.
Patrícia Paixão é jornalista e professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi. É organizadora dos livros "Jornalismo Policial: Histórias de Quem Faz" (In House, 2010) e "Mestres da Reportagem" (In House, 2012). Também é responsável pelo blog Formando Focas.

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