Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

terça-feira, 24 de abril de 2018

"Para garantir demarcação, povo Munduruku lança o “Mapa da Vida”

Munduruku and Greenpeace Demarcate Indigenous Lands in the AmazonLutando há mais de três décadas contra a instalação de hidrelétricas no rio Tapajós, no Pará, o povo Munduruku lança nesta terça, dia 24, o “Mapa da Vida – Tapajós e Sawre Muybu: a visão do povo Munduruku sobre seu rio e seu território”. Resultado de um grande processo de mapeamento territorial e cultural feito pelos próprios indígenas em 2016 e 2017 na Terra Indígena Sawre Muybu, a publicação retrata o modo de vida Munduruku, os lugares e os recursos da floresta fundamentais para a sobrevivência do povo.

Land and Cultural Mapping of Indigenous Land Sawré Muybu in BrazilO mapa foi lançado durante o Acampamento Terra Livre 2018, em um ato em frente ao Palácio da Justiça, em Brasília, onde os Munduruku exigiam a demarcação de sua Terra Indígena Sawre Muybu. Eles instalaram placas no gramado do Palácio e distribuíram o Mapa da Vida para a população nas ruas da região. Na sequência, ao entregarem a publicação ao Ministério da Justiça, cobraram uma posição do órgão sobre o processo de demarcação.
Land and Cultural Mapping of Indigenous Land Sawré Muybu in BrazilO “Mapa da Vida” foi realizado a partir da percepção dos Munduruku de que, para garantir a preservação de seu território e sua sobrevivência, é fundamental envolver a sociedade e mostrar a importância de sua cultura e dos recursos naturais da região. “Assim, o mapa se torna um poderoso instrumento de diálogo com a sociedade sobre a política energética nacional, que insiste em expandir a construção de hidrelétricas na Amazônia, afetando o modo de vida dos povos indígenas e populações tradicionais”, declara Danicley de Aguiar, especialista em Amazônia, do Greenpeace Brasil. Demandado pelos Munduruku, o Greenpeace apoiou a realização do mapeamento.
Protest for the Demarcation of Indigenous Land Sawré Muybu in BrazilA demarcação da Terra Indígena Sawre Muybu, de cerca de 178 mil hectares, se arrasta há anos na burocracia estatal e atualmente está completamente paralisada. Ela garante o direito originário deste povo ao seu território tradicional, evitando que sua sobrevivência vá por água abaixo com a implantação de grandes projetos de infraestrutura, como a construção da usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. “Vamos esperar de braços cruzados, sentados, a água encher para alagar nossas terras? Não, nós temos que lutar. O mapeamento é uma arma que temos para nos defender”, declara Bruno Kaba, Chefe dos Guerreiros do povo Munduruku.
Protest for the Demarcation of Indigenous Land Sawré Muybu in BrazilApós anos de luta dos Munduruku, o governo arquivou, em 2016, o licenciamento da usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. Apesar da vitória, eles acreditam que a não demarcação da terra indígena Sawré Muybu é um claro sinal de que o governo ainda não desistiu totalmente dos planos de construção de hidrelétricas na região. Atualmente, há cerca de 40 hidrelétricas planejadas ou em construção para a bacia do rio Tapajós. “Nós não estamos fazendo caminho em terra alheia, não estamos invadindo a terra de outros. Nós estamos fazendo o nosso caminho", afirma Juarez Saw, cacique da aldeia Sawre Muybu.
Jéssika Oliveira/CP
imprensa.br@greenpeace.org

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