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domingo, 29 de julho de 2018

"Mali chamado às urnas para eleger o próximo Presidente do país"

Afrika Wahl in Mali 15.12.2013 (AFP/Getty Images)Oito milhões de eleitores são chamados a votar este domingo para decidir entre o Presidente cessante, Ibrahim Boubacar Keita, e outros 22 candidatos, em ambiente de insegurança. Os malianos votam este domingo (28.07) numa eleição presidencial que vai pesar, sobretudo, no destino do acordo de paz de 2015 e em toda a região do Sahel, a braços com a ameaça terrorista, apesar de cinco anos de intervenções militares internacionais. Cerca de oito milhões de eleitores do Mali são chamados a eleger o próximo Presidente do país, mas uma unidade local da Al-Qaeda avisou os votantes para "ficarem longe das urnas". Na sexta-feira, último dia de campanha, os extremistas islâmicos fizeram questão de entrar no debate, na voz do líder da principal aliança jihadista do Sahel, ligada à Al-Qaeda, o tuaregue maliano Iyad Ag Ghaly: "Estas eleições não são nada mais que a busca de uma miragem e o nosso povo só vai colher ilusões, aquilo a que está habituado", declarou numa mensagem de vídeo o chefe do "Grupo de apoio ao Islão e aos muçulmanos”.
Mali Wahl in Mali 2018 | WahlplakateDe acordo com a agência de notícias Associated Press, as acusações de operações violentas de combate ao terrorismo por parte das forças de segurança do Mali e os confrontos entre grupos étnicos aumentam a insegurança.
Em declarações à AFP, o Presidente da República do Mali e candidato à reeleição, Ibrahim Boubacar Keita, de 73 anos, afirmou que tem "esperanças de um Mali estável, um Mali pacífico, na direção certa".
Soumaïla Cissé, líder do partido União para a República e Democracia é o principal opositor de Ibrahim Boubacar Keita. O engenheiro de ciência da computação, de 68 anos, criticou o Presidente por não abordar a crescente insegurança do Mali. "[Keita] não conseguiu proteger-nos, ele falhou em dar-nos perspetiva, o IBK [Ibrahim Boubacar Keita] falhou em preservar as nossas liberdades", disse Cissé.Segurança foi palavra de ordem na campanha
Além de Keita e Cissé, que aparecem como claros favoritos nas sondagens, há outros 22 candidatos à Presidência. A participação da empresária Djénéba N'Diaye, a única mulher nesta corrida presidencial, suscitou interesse e os observadores admitem que possa reunir muitos votos.
Mali: Menschen demonstrieren für Transparenz bei der WahlFortalecer o desenvolvimento econômico e restaurar a segurança de um país onde grupos jihadistas atuam desde o golpe de 2012 são algumas das promessas dos candidatos. Durante a campanha, que começou a 7 de julho, os candidatos também se comprometeram a garantir a coabitação étnica, uma vez que o Mali possui dezenas de grupos étnicos e vive ao ritmo dos conflitos intercomunitários.
Outro ponto recorrente nos discursos dos candidatos foi a revisão do Acordo de Paz e Reconciliação assinado em Argel em 2015, bem como a aceleração do processo de desarmamento dos grupos armados. Apesar deste acordo, a violência jihadista não só persistiu como se propagou do norte ao centro e ao sul do país, sob estado de emergência quase sem interrupções desde novembro de 2015, bem como aos vizinhos Burkina Faso e Níger.
Segundo a EFE, estarão no país durante as eleições 171 observadores da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Foram também mobilizados mais de 30 mil membros das forças de segurança nacionais e estrangeiras para permitir a realização da votação, segundo o Ministério da Segurança Interna.
Em termos de segurança, "hoje, podemos dizer que as condições mínimas estão provavelmente reunidas", disse o chefe da Missão da ONU (MINUSMA), Mahamat Saleh Annadif, em declarações à rádio da ONU no Mali, a Mikado FM.
Fraude eleitoral?
Nas últimas eleições presidenciais, em 2013, Ibrahim Boubacar Keita, foi eleito com mais de 70% dos votos. De acordo com a agência EFE, o primeiro-ministro do Mali, Soumeylou Boubeye Maiga, reiterou esta semana o compromisso do Governo em garantir eleições transparentes. Para evitar fraudes, as autoridades do Mali planearam uma série de medidas, entre as quais a abordagem de um sistema de cartão biométrico com o qual os malianos irão votar.
Os primeiros resultados são esperados 48 horas após a votação e os resultados oficiais provisórios a 3 de agosto, o mais tardar, antes de uma eventual segunda volta a 12 de agosto.
A taxa de participação é tradicionalmente reduzida em primeiras voltas nas eleições presidenciais no Mali, abaixo dos 50%. No entanto, o governador de Mopti, no centro do país, o general Sidi Alassane Touré, diz estar "muito otimista" quanto à participação desta região, dado o levantamento de mais de 77% dos cartões de eleitor emitidos.
"Vamos votar, mas temos medo, medo pelos nossos filhos, maridos, irmãos, irmãs, todos", afirmou Hawa Cissé, membro da plataforma Salvemos Mopti. "Nem podemos ir ao mercado, não podemos atravessar o rio Níger".
A campanha ficou marcada por uma polêmica sobre as listas eleitorais, com a oposição a denunciar o risco de fraude devido às discrepâncias entre a lista usada para preparar os cartões de eleitor e a lista final publicada. O Governo, por sua vez, garante que há apenas uma lista e explica que as anomalias se devem a um problema informático. Moussa Diombélé, padeiro em Bamako, prefere esperar para se pronunciar: "As eleições têm de ter lugar primeiro para que possamos falar de fraude".
AFP, AP, Agência Lusa, mjp/cp

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