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sábado, 14 de julho de 2018

"O caráter estratégico das eleições 2018"

Falar sobre crise no Brasil, nos últimos dois anos, parece o relato de uma história sem fim. O projeto de Michel Temer avança como um rolo compressor contra o povo brasileiro, aqueles que não compõem os 5% que mais lucraram com as suas políticas de desmonte, reformas e privatizações. Mais um dado se soma às estatísticas do avanço da recessão e da pobreza. A renda do trabalhador autônomo - trabalho por conta própria - caiu, entre 2016 e 2017, em média 33%. Os dados são do Departamento Intersindical de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e ainda revelam que a modalidade inchou desde o golpe de 2016 e a implantação da agenda neoliberal. O motivo da fermentação do trabalho autônomo é o avanço da política de austeridade imposta por Temer ao trabalhador, que amplia o abismo da crise e condena mais de 30 milhões ao desemprego e desalento - aqueles que não têm perspectiva de recolocação no mercado de trabalho. Para se ter uma ideia, em 2017, 23 milhões de pessoas que atuavam como autônomas no Brasil. E mais, o mapeamento do Dieese mostra que 77% destes trabalhadores não têm CNPJ, nem contribuem para a Previdência Social.
A pesquisa mostra ainda que as mulheres negras estão entre os autônomos com menor rendimento, em média R$ 809,00 por mês.
Há de se destacar que dos 13,2 milhões de brasileiros e brasileiras fora do mercado de trabalho, o percentual de mulheres foi 15% e o de homens, 11,6% no primeiro trimestre deste ano. O índice de pessoas negras alcançou 16% e o de brancos em 10,5% no período.
Esse dado também aparece em pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que indica que o perfil do desempregado no país é de mulher, nordestina e com idade entre 18 e 24 anos. Piauí, Sergipe, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro foram os estados que tiveram aumento no número de desocupados.
O estudo ainda aponta que o percentual de pessoas com ensino médio desempregadas ficou em 22% e as com nível superior, 6,6%.
Diante de um cenário de crise brutal e de um governo sem compromisso com o povo, as eleições de 2018 ganham caráter estratégico. Eleger candidatas e candidatos compromissados com um projeto de retomada do crescimento com geração do emprego e valorização do trabalho e defesa da nossa soberania é o caminho para vencermos a onda de ataques que se instalou no país desde maio de 2016.
Joanne Mota é jornalista e assessora da CTB Nacional.

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