Nestes dias de campanha eleitoral não é difícil deparar com políticos camaleões, que mudam de cor conforme a situação e ambiente. Com variedades de opções de estilos, tem político que tenta esconder as falcatruas do passado, e se apresenta como a verdadeira novidade, mesmo estando como dinossauro na política, onde muito se enriqueceu a custa do erário público. Num passe de mágica, os canalhas de ontem se transformaram em anjinhos do hoje. Outros tentam se perpetuar no poder com a chamada “familiocracia política”, passando poder de pai pra filho, de irmão pra irmão, de esposa para marido, e por ai vai. Isso corre a rodo e na maior cara dura. Só não vê quem não quer.
Ora! O ser humano tem mecanismos celebrais eficazes e insuperáveis na capacidade de analisar a enormidade desses fatos e frear isso. O eleitor precisa analisar isso com cautela e escolher pelo menos aquele que de fato representa a verdadeira novidade. Numa entrevista recente ao Jornal Folha de S. Paulo, o escritor Steven Pinker retrata algo nesse sentido: o medo. Fala do negativo como um todo, e que o lado “ruim” das coisas é muito forte, e seus efeitos psicológicos naquilo que pode dar errado, sobrepõe o que pode dar certo. Ele diz que a tendências de lembrar-se dos acontecimentos negativos, do que positivos. Dessa forma, a mentira e o medo, podem se tornar um atrativo comum na hora de se tomar uma decisão sobre algo ou alguém. Isso é bem válido na hora do eleitor votar sem empregar ao candidato escolhido todas as informações disponíveis sobre ele. Vale alertar que usar apenas partes isoladas, como medo ou reciprocidade, e afeição, do total, pra decidir por aqueles que irão representa-los na política, é no mínimo uma insensatez. Primeiro se atente para a coerência e a aprovação, ou os erros serão crassos.
Como simples mortal, o homem tem as suas limitações de capacidade, contudo, visando à eficiência e o bem coletivo, deve parar pra pensar e analisar, e com certeza a mente se norteará pelo certo. Por isso é necessário tomar uma decisão demorada, sofisticada e plenamente informada do presente, e muito mais sobre o passado do político. Trocar a resposta automática e até primitiva, baseada em apenas quesitos pertinentes à situação do momento, para uma resposta mais apurada. Rejeitar as pistas solitárias (automaticidade e medo), e se inclinar ao tempo, a energia ou aos recursos cognitivos necessários para realizar uma análise completa da situação. Caso contrário, se regride em escolhas erradas ao ponto de aceitar o velho ditado: no fundo o brasileiro merece os políticos que têm.
Elizeu Silva é jornalista em Mato Grosso elizeulivramento@gmail.com
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