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sábado, 6 de outubro de 2018

"A bênção de Edir Macedo para Jair Bolsonaro na TV"

05_10_edir-macedo-jair-bolsonaro.jpgDias após receber o apoio do todo-poderoso bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) recebeu do líder religioso uma espécie de bênção: 30 minutos de palanque na TV nesta quinta-feira. Enquanto os outros candidatos à presidência se enfrentavam no debate da TV Globo, o último antes do primeiro turno das eleições, foi ao ar na Record, que também é de propriedade de Macedo, uma entrevista exclusiva com o capitão reformado do Exército. Sentado na sala de sua casa no Rio de Janeiro, onde termina de se recuperar do atentado que sofreu em setembro, Bolsonaro se sentiu à vontade. Não teve de lidar com questionamentos duros e viu sua imagem ser suavizada. Em ao menos dois momentos o presidenciável mentiu sem ser questionado - sobre os protestos #EleNão e sobre declarações machistas, racistas e homofóbicas feitas por ele.
A entrevista, que chegou a atingir 13 pontos de audiência, quase o dobro do que a emissora costuma ter no horário (o debate da Globo tinha 25 pontos no momento), coroou uma semana na qual Bolsonaro cresceu nas pesquisas e recebeu uma série de apoios importantes. Além do bispo Macedo, importantes lideranças evangélicas como o bispo Robson Rodovalho, criador da Sara Nossa Terra, e do pastor José Wellington, presidente emérito da Assembleia de Deus, declararam apoio ao capitão. Ele possui quase 48% das intenções de voto entre os eleitores evangélicos. Por fim, a bancada evangélica da Câmara, uma das mais fortes do Congresso com quase 200 deputados, também endossou seu nome.
A equipe jurídica de Fernando Haddad (PT) e de Ciro Gomes (PDT), respectivamente o 2º e o 3º colocados nas pesquisas, tentaram impedir na Justiça que o rival fosse beneficiado com o palanque na Record. Eles argumentaram que a entrevista configuraria “falta de tratamento isonômico” por parte da emissora, uma vez que os demais concorrentes não tiveram o mesmo espaço no canal. O ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Horbach negou os pedidos de suspensão, afirmando que “não se pode caracterizar eventual tratamento anti­-isonômico (...) a partir de notícias veiculadas em um único dia e em um único telejornal da programação da emissora”. Não é a primeira vez que o presidenciável aparece em espaço privilegiado nas TVs abertas. Na sexta-feira, antes de receber alta do hospital em São Paulo onde se recuperou da facada, Bolsonaro deu entrevistas exclusivas à Band e à Rede TV. As três aparições colocam de volta no debate o papel das emissoras: podem exibir Bolsonaro sem chamar os demais?

Jogando em campo favorável
Jogando em campo favorável, Bolsonaro aproveitou a entrevista para rebater as críticas que vem sendo alvo desde o início da campanha. “Onde tem um vídeo onde eu ataco negros? Onde tem um áudio meu atacando mulheres?”, questionou o candidato, tomando as rédeas de sua entrevista e omitindo os casos documentados onde ofende negros, mulheres e homossexuais. “Sou acusado de disseminar ódio e quem leva facada sou eu!”, afirmou.
Por duas vezes a conversa foi interrompida para que Bolsonaro pudesse “descansar”, informou o repórter, uma vez que “por recomendação médica ele não deve falar por mais de 10 minutos seguidos”. Nestes momentos um enfermeiro negro da equipe médica que acompanha sua recuperação o examinava. Em entrevista anterior, ao apresentador José Luis Datena, o capitão falou por mais e 45 minutos ininterruptos.
Durante a conversa, Bolsonaro mentiu ao dizer que o movimento multitudinário #elenão é composto por “artistas que estão mamando há anos na Lei Rouanet” - os atos foram convocados por grupos de mulheres contrárias a ele, e reuniram milhares de pessoas em várias marchas pelo Brasil, contando com a adesão de alguns artistas. Os comentários do candidato provocaram uma enxurrada de críticas nas redes sociais: participantes das manifestações indagavam ironicamente quando iriam “receber o cheque”. Horas antes o presidenciável fez uma transmissão ao vivo em sua página do Facebook no qual usou um broxe com o símbolo da campanha Outubro Rosa, de combate ao câncer de mama. Seu filho fez questão de mencionar que era para "mostrar respeito" a todas as mulheres, em uma clara tentativa de amenizar sua rejeição com as eleitoras, que é de 50%.
O tema mais espinhoso tocado foi sobre fake news. Acusado pelos adversários de usar a seu favor uma poderosa máquina de fake news em suas redes sociais e grupos de WhatsApp, ele inverteu o jogo: “É duro combater [fake news], por que a esquerda vai em todos os locais pregando essas fake news contra nós, de que vamos acabar com Bolsa Familia”, respondeu. No passado, Bolsonaro criticou o programa social, mas ele não defende mais a extinção do benefício. Questionado novamente sobre eventuais notícias falsas propagadas por seus seguidores, o capitão tergiversou: “Eu não tenho controle sobre os milhões de pessoas que me seguem. Uma ou outra pessoa acaba extrapolando (...), mas nós não pregamos fake news”. Tanto Bolsonaro quanto seus filhos já foram flagrados postando e compartilhando material inverídico nas redes.
Bolsonaro também questionou a investigação envolvendo Adélio Bispo, que se tornou nesta quinta-feira réu com base na lei de segurança nacional por ter atacado o capitão em 6 de setembro. “Este processo está sendo conduzido por um delegado de confiança de Fernando Pimentel [governador mineiro do PT, Estado onde ocorreu o crime] (...) Isso não parte de forma isolada. Não quero me precipitar, nessa equipe que investiga tem gente isenta e simpática à minha causa”.
A reportagem é de Gil Alessi, publicada por El País e Caminho Político.

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