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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

"Conselho fará radiografia do sistema público de comunicação no Brasil"

11ª Reunião de 2018A partir de uma sugestão da conselheira Maria José Braga, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional decidiu realizar uma radiografia do sistema público de radiodifusão no País.
A primeira reunião de trabalho com esse objetivo deve ser realizada em 11 de fevereiro, quando o conselho retoma seus trabalhos. A intenção é fazer a reunião na sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em Brasília.

A proposta formal para a análise aprofundada sobre o modelo público de radiodifusão partiu do presidente do conselho, Murillo de Aragão, após Maria José Braga e o conselheiro Davi Emerich defenderem uma posição do conselho sobre o debate em torno da extinção da EBC ou da TV Brasil. A extinção é defendida por setores da futura gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, incluindo o próprio presidente.
Relevância do sistema
Murillo de Aragão explicou que um dos principais focos da análise do conselho estará no financiamento do sistema público de radiodifusão, suas estruturas administrativas e de produção de conteúdos, impactos na audiência e sua relevância para setores, segmentos e regiões do País. Serão analisados com mais profundidade os sistemas em torno da EBC e da Fundação Padre Anchieta (no estado de São Paulo), segundo detalhou Aragão.

“É preciso que a sociedade seja mais bem esclarecida sobre a verdadeira nuvem em que se tornou o debate sobre a radiodifusão pública no Brasil. Eu sei que o sistema EBC, por exemplo, atinge 70 milhões de brasileiros. Muita gente não sabe disso, prevalece uma visão de que o sistema seria irrelevante, o que não é verdade. Vamos fazer uma investigação e subsidiar a sociedade de maneira pertinente”, informou Aragão.
O presidente do conselho lembrou ainda que as estruturas públicas comumente incluem rádios FM e AM, portais e agências de notícias, em um sistema que vai além das emissoras de TV. Ele acrescentou que, em amplas regiões da Amazônia, por exemplo, rádios públicas como a Nacional têm audiência. Esse ponto também foi ressaltado por Maria José Braga, para quem Bolsonaro ainda parece confundir conceitualmente a EBC e a TV Brasil.
“O futuro presidente reiteradas vezes já declarou que pretende extinguir a EBC, até em um desconhecimento da EBC, porque ele fala EBC como se fosse a TV Brasil. Passa a impressão de que ele desconhece que a EBC é composta por várias empresas, porque sempre que ele diz que vai fechar a EBC, justifica que 'é uma TV que dá traço de audiência', esquecendo da Agência Brasil, das rádios e da NBR, por exemplo”, afirmou Braga.
A representante da Fenaj queria que o Conselho de Comunicação já definisse formalmente uma posição na reunião desta segunda-feira (3), pois teme que em fevereiro “Inês já esteja morta, com a TV Brasil fechada e o sistema como um todo prejudicado”. Mas, para Aragão, não poderá ser um processo "tão açodado" fechar alguma emissora, pois o sistema é regido por lei.
Por fim, o presidente do conselho ainda informou que pretende incluir o Tribunal de Contas da União (TCU) nas reuniões de trabalho condizentes ao financiamento dos sistemas públicos de radiodifusão. Ele também considera importante obter dados mais detalhados sobre a audiência das emissoras nos sistemas de TV por assinatura.
Da Redação
Edição – Pierre Triboli
Com informações da Agência Senado

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