No dia seguinte a anúncio que quebrou tradição da família real de se manter fora da política, legenda aceita oposição do rei à candidatura da irmã, afirmando "se submeter à ordem real com lealdade". O partido opositor à junta militar da Tailândia, o Thai Raksa Chart, retirou neste sábado (08/02) a candidatura da princesa Ubolratana, de 67 anos, ao cargo de primeira-ministra, após ela ter sido desacreditada publicamente pelo rei Vajiralongkorn.
Poucas horas após o anúncio da candidatura de Ubolratana, o rei divulgou um comunicado contrário à tentativa da irmã, citando uma disposição na Constituição tailandesa que afirma que a monarquia está acima da política e precisa se manter neutra.
"O envolvimento de um membro do alto escalão da família real na política é, de qualquer forma, um ato que entra em conflito com as tradições, costumes e cultura do país e, portanto, considerado altamente inapropriado", afirmou o monarca.
Apesar de a Comissão Eleitoral ter a palavra final sobre a aprovação de candidaturas, era improvável que seus membros ignorassem a poderosa influência do rei ao tomarem uma decisão.
A Tailândia tem uma das mais severas leis de lesa-majestade, que proíbe críticas e insultos à família real. A palavra do rei é considera final. Tailandeses celebraram nas redes sociais a intervenção do rei sobre em relação à candidatura da irmã, com as palavras "vida longa para o rei".
Oficialmente, a princesa perdeu seu título real quando se casou com um americano, em 1972. Ela retornou à Tailândia no fim dos anos 1990, depois de se divorciar. Apesar de não ter recuperado seu título original, ela é vista e tratada como um membro da realeza pela população tailandesa.
Ubolratana é muito popular na Tailândia e tem mais de cem mil seguidores no Instagram. Neste sábado, ela agradeceu a seus apoiadores por meio da rede social, afirmando desejar que a Tailândia "avance". Ela não comentou a decisão sobre sua candidatura.
As eleições a serem realizada em 24 de março serão as primeiras após o golpe de Estado de 2014. O Thai Raksa Chart é ligado ao ex-premiê Thaksin Shinawatra, cujo governo foi deposto no golpe.
O primeiro-ministro Prayut Chan-ocha participará das eleições sob as cores de um novo partido, visto por analistas como uma sucessão democrática à atual junta militar. As plataformas políticas ligadas a Shinawatra, que vive no autoexílio desde 2006 para evitar ser preso após condenação por corrupção, venceram todas as eleições desde 2001, mas acabaram expulsas do poder, pelos militares ou por decisões judiciais questionáveis.
Analistas acreditam que os acontecimentos dos últimos dias vão ajudar a junta militar a consolidar seu poder e aumentar as chances de vitória de Chan-ocha, que liderou o golpe de 2014.
LPF/efe/afp/rtr/cp
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