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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

"DESTAQUE: As Fazedoras de Saberes"

A comunidade quilombola Ribeirão do Mutuca, que fica na zona rural de Nossa Senhora do Livramento, situada às margens da Rodovia MT 060, entrada à direita no km 26, no sentido Poconé, tem histórias de resistências e nos encanta com sua cultura e saberes da vida. Herdeira de tradições tão ricas ao povo mato-grossense como a dança do congo, comemora, com inúmeras festas comunitárias o ano inteiro, as dádivas da natureza e da vida, envolvendo pessoas nos municípios de Livramento, Poconé, Várzea Grande e Cuiabá. A energia de sua gente contagia sobremaneira todo o viver cuiabano, contribuindo para a formação de nosso modo de ser, viver e sentir nesta terra. Na comunidade Mutuca habitam 130 famílias e sua produção da agricultura familiar abastece muitos locais, entrelaçando e saboreando os diversos pratos culinários dos municípios lindeiros com seu modo ancestral de cultivar e de viver neste lugar. Comunidade assim tão arraigada à terra e a seus valores nos dá esperanças de que há modos de ser e de viver em que é possível sentir a vida sem desconectar totalmente da natureza, nos alertando que não podendo ignorar sua força sobre nós. Contudo, nestes tempos de crise climática, tais povos e comunidades precisam ter acessos a mais informações das quais os órgãos de pesquisas estão produzindo sobre o tema, a fim de se preparem para mais este enfrentamento na sua história com o cuidado que tais grupos já têm com a vida e com planeta.
Tendo em vista as mudanças climáticas em curso no planeta, já alertadas pelos mais importantes órgãos de pesquisas mundiais sobre o assunto, durante o ano de 2016 duas pesquisadoras do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, do Instituto de Educação, da Universidade Federal de Mato Grosso (GPEA/UFMT), em plena fase de pesquisa no doutorado e, tendo o quilombo como local de suas reflexões acadêmicas, apresentaram à Diretoria da Associação da Comunidade Negra Rural do Quilombo Ribeirão do Mutuca – Acorquirim, uma proposta de curso de extensão de Educação Ambiental e Justiça Climática para as mulheres do quilombo.
De imediato e atenta à esta questão, a diretora Laura Silva aceitou a proposta do curso com a recomendação que o resultado desse processo pedagógico se transformasse em um livro publicado. Desafio aceito pelo GPEA, a proposta foi apresentada e aprovada pela UFMT como curso de extensão, sendo realizado todos aos sábados entre os meses de agosto a outubro de 2016 no barracão da Acorquirim, em Mutuca.
Os temas da formação versaram sobre os saberes das mulheres quilombolas e como elas podem utilizá-los para o fortalecimento de suas identidades, tendo em vista o enfrentamento às mudanças climáticas em curso. Trazem também seus conhecimentos sobre o cuidado com a terra, a casa, as plantas, as crianças, a família e a comunidade.
O livro discorre do que elas relataram durante o curso e o que elas decidiram que deveriam constar como seus saberes quilombolas. Daí resulta que elas, participantes do curso, são autoras do livro, uma parceria com as pesquisadoras do GPEA/UFMT.
As mulheres foram escolhidas porque são o grupo social mais vulnerável aos efeitos drásticos do colapso climático, uma vez que delas dependem todo o cuidado da casa, das crianças e dos idosos e estão quase sempre com renda econômica mais baixa que os homens, sofrendo com os efeitos de uma sociedade patriarcal e machista, enfrentando violências de várias formas. Mulheres negras quilombolas, portanto, devem estar preparadas para dilema do século, pois são elas que sofrerão as maiores consequências deste acontecimento.
O livro As Fazedoras de Saberes: Diálogos das Mulheres Quilombolas do Mutuca com a Educação Ambiental, Gênero e Justiça Climática traz a beleza dos encontros pedagógicos, tornando as 32 mulheres quilombolas autoras do mesmo e os membros do GPEA como autoras e organizadoras do livro.
O lançamento do livro acontecerá neste sábado, dia 10 de agosto, às 9h, no barracão da ACORQUIRIM, no município de Nossa Senhora do Livramento. Na ocasião, as autoras mulheres quilombolas receberão um exemplar do livro que elas escreveram, assim também como as demais autoras do GPEA, e já comemoram este importante trabalho, que agora está disponível e acessível para qualquer pessoa que quiser conhecer mais sobre elas, à venda nas livrarias.
Denize Aparecida Rodrigues de Amorim é Gestora Governamental, doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e também participou do projeto na comunidade quilombola Ribeirão do Mutuca, ministrando oficinas, escrevendo textos e auxiliando na organização do livro.

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