
O desmatamento em várias partes do planeta é um problema sentido pelo Vaticano. Não é por acaso que Francisco, depois de deixar o Ceremony Building, planta um baobá, o emblema da flora malgaxe, junto com o presidente Andry Rajoelina. Também não é por acaso que, em outubro, será realizado o Sínodo dos Bispos dedicado à Amazônia e seus problemas no Vaticano: "Se a Amazônia sofre, o mundo sofre", disseram recentemente os bispos latino-americanos.
Incluída no continente africano, a ilha de Madagascar é uma terra à parte, com espécies vegetais e animais únicas, povoadas por pessoas que, provenientes da Ásia das monções, introduziram seus próprios elementos culturais. A floresta tropical se estende no lado oriental, ramificando-se em direção ao planalto central, onde a cobertura vegetal foi comprometida pelo homem, com incêndios realizados para preparar a terra para ser cultivada. No lado ocidental, existem pradarias onde os baobás crescem, uma região zoogeográfica com diversidades importantes em relação à fauna africana.
No entanto, apesar das imensas riquezas e singularidades, a ilha continua sendo um dos países mais pobres do mundo e o padrão de vida de seus habitantes é menor do que o registrado na África Subsaariana. A própria Antananarivo é um platô pontilhado de vilarejos e pequenos núcleos compostos de cabanas de barro vermelho, com telhados de palha, que se erguem ao lado dos campos de arroz.
Segundo os dados mais recentes, mais de 56% dos habitantes da cidade se encontram em situação de extrema pobreza e, em muitos casos, vivem com menos de 100 Ariary por dia, cerca de 3 centavos de euro. É para essas pessoas que o Papa pede "mediações estruturais" para uma "melhor distribuição de renda e uma promoção integral de todos os habitantes, especialmente os mais pobres".
Daqui, Francisco fala ao mundo: se é verdade, de fato, que algumas atividades que interferem no meio ambiente "são aquelas que garantem no momento sua sobrevivência", é igualmente evidente que o próprio ambiente precisa de "proteção". E, no entanto, o desenvolvimento de uma nação, como Paulo VI já dizia, "não se reduz ao simples crescimento econômico". Aliás, "para ser um desenvolvimento autêntico, deve ser integral, o que significa voltado à promoção de cada homem e de todo o homem".
A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica e Caminho Político.. A tradução é de Luisa Rabolini.
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