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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

"CASO BRUNO: “É uma vitória, mas também um alerta de que estamos de olho”, diz presidente do Conselho da Mulher em MT"

A procuradora do Estado e presidente do Conselho Estadual de Direitos da Mulher em Mato Grosso (CEDM), Glaucia Amaral, considera uma vitória a desistência da contratação do goleiro Bruno Fernandes pelo time Operário de Várzea Grande. A decisão ocorreu nesta quarta-feira (22). “Vencemos. Mas, principalmente, as pessoas que têm vindo até mim falam que se sentiram representadas com a decisão porque entenderam que ser contra a contratação não é ser contra a ressocialização. Elas entenderam que a mensagem desta contratação seria negativa, que a influência e o recado que ela passaria seria extremamente negativa. É satisfatório, também, a repercussão nacional que o caso teve, mostrando a importância do posicionamento do Conselho e da força das mulheres”, afirma Glaucia.
A presidente do Conselho da Mulher também pontua que o próprio time e seus jogadores entenderam a necessidade de recuar. “O Operário perdeu dois patrocinadores e teve que compreender que a contratação poderia implicar em ainda mais efeitos negativos. Fica a lição”, completa.
Glaucia, no entanto, pondera que o “Caso Bruno” é um dentre tantos outros que o Conselho da Mulher lida diariamente. “Houve a vitória, nós comemoramos, mas com o encerramento do caso, já estamos com outra situação a caminho. Temos acompanhado, atentamente, o relatório de segurança pública com o aumento do feminicídio em Mato Grosso e precisamos nos posicionar. O recado com a vitória contra o goleiro é que estamos de olho e essa atenção é rotineira”.
Dados recentes divulgados pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEAC) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) indica que das 87 mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2019, 39 foram de feminicídios.
A tipificação “feminicídio” foi inclusa pela lei 13.104/2015 na categoria de “crime contra a vida no que diz respeito a homicídio de mulheres praticados em virtude de violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação contra a condição de mulher”.
“Nossa luta não para e é cotidiana. Por isso precisamos da atuação do Conselho Estadual de Direitos da Mulher, entidade que representa não apenas setores públicos, mas sociedade civil em geral, e que reflete em uma sociedade menos desigual para com as mulheres”, completa Glaucia Amaral.
CASO BRUNO – Bruno Fernandes foi goleiro de times grandes como Atlético Mineiro, Corinthians e Flamengo. O atleta foi preso em 2010 e condenado em 2013 por homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio, com quem teve um filho. Bruno teve progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em 19 de julho de 2019, após uma decisão da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha (MG).
ZF PRESS/Caminho Político

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