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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

"Fuga de Carlos Ghosn intriga japoneses"

Japan Chiyoda Ward Nissan Manager Carlos Ghosn (picture-alliance/AP Images/The Yomiuri Shimbun)Ano começa com japoneses se questionando como pode um dos rostos mais conhecidos do país ter conseguido driblar a polícia e ir para o Líbano. Fuga beneficiaria todos - réu, promotores, economia e até governo.Os japoneses começaram o ano de 2020 intrigados. O motivo é o fato de Carlos Ghosn, antigo presidente da Renault-Nissan, ter conseguido driblar a vigilância policial e fugir para o Líbano antes do seu tão aguardado julgamento no Japão, sob a acusação de má conduta financeira.
Num comunicado divulgado na noite de Ano Novo, um dia depois de ter chegado a Beirute via Turquia, aparentemente com um passaporte francês, Ghosn, que nasceu no Brasil, afirmou que estava escapando da "injustiça” e da "perseguição política".
Ele disse que não seria mais mantido refém por um sistema judicial japonês parcial, onde a "culpa é presumida, a discriminação é desenfreada e os direitos humanos básicos são negados”.
Ghosn foi preso pelas autoridades japonesas em novembro de 2018, sob acusação de má conduta financeira. Os promotores acreditam que ele desviou milhões de dólares da sua antiga empresa para uso pessoal e tenha engando os acionistas sobre o seu real salário.
As autoridades japonesas continuam em silêncio sobre como um dos estrangeiros mais conhecidos do país conseguiu escapar. Ghosn estava sob estreita vigilância policial desde que foi libertado, sob quase 9 milhões de dólares de fiança, em abril e posto em prisão domiciliar
Domina até aqui entre os japoneses a versão que sugere que Ghosn foi tirado do seu apartamento em Tóquio dentro de uma caixa para um grande instrumento musical, após um show privado, e colocado a bordo de um jato privado num pequeno aeroporto regional, evitando assim os agentes de imigração.
Os advogados de Ghosn fizeram de tudo para insistir que nada sabiam sobre seus planos de fuga e ainda estão em posse de seus três passaportes, emitidos por França, Líbano e Brasil.
Os rumores sugerem que a esposa libanesa de Ghosn, Carole, esteve por trás da operação meticulosamente planejada e que ela trabalhou durante meses para pôr em prática o plano.
A sensação em Tóquio é que, para a maioria dos japoneses, a decisão de Ghosn de evitar um julgamento aponta para a sua culpa.
"É ridículo para ele sugerir que não teria conseguido um julgamento justo no Japão", diz Jun Okumura, um analista do Instituto Meiji para Assuntos Globais.
"O Japão está entre as dez maiores nações do mundo em termos de independência e abertura judicial, portanto qualquer alegação de que ele não teria sido capaz de se defender caso se tivesse ficado aqui é totalmente ridícula", opina. "Não é como se ele tivesse sido jogado em alguma masmorra para esperar pelo seu destino."
O processo
Ghosn e sua equipe jurídica criticaram repetidamente as condições em que ele foi detido por 108 dias e as restrições impostas a ele depois de ter sido libertado sob fiança. Ghosn foi proibido de falar com a esposa durante sete meses e foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica.Em seu comunicado, Ghosn sugeriu ter sido maltratado e disse seus "direitos humanos básicos são negados, em flagrante desrespeito às obrigações legais do Japão sob o direito internacional e tratados que ele é obrigado a respeitar".
Conhecido por ser um agressivo redutor de custos, Ghosn foi nomeado pela Renault como diretor de operações da Nissan em 1999 e, posteriormente, atuou como CEO da montadora japonesa de 2001 a 2017.
A remuneração de Ghosn, considerada alta para os padrões japoneses, era questionada há anos. De acordo com emissoras japonesas, a empresa pagou a Ghosn quase 10 bilhões de ienes (89 milhões de dólares) durante cinco anos, mas apenas 5 bilhões de ienes (44 milhões de dólares) haviam sido declarados.
O executivo enfrenta quatro acusações no Japão, apresentadas em etapas. A primeira se refere a suposta sonegação de impostos de cerca de 44 milhões de dólares, metade do valor que teria recebido como remuneração entre 2010 e 2015, incluindo bônus e salários.
Ghosn também é acusado de enriquecimento pessoal e de usar indevidamente recursos corporativos, incluindo benefícios recebidos mas não declarados, como a compra de um iate e de casas de luxo no Rio de Janeiro, Paris, Amsterdã e Beirute.
As outras duas denúncias são sobre desvio de dinheiro para empresas de amigos e transferência de um prejuízo de milhões de dólares em um maFuga de Carlos Ghosn intriga japoneses
investimento para a Nissan.
Fuga positiva?
Outra faceta da fuga de Ghosn que está atraindo atenção são as teorias de que sua partida – e a probabilidade de que ele nunca será julgado no Japão – pode, na verdade, beneficiar os promotores, que estavam tendo dificuldade de ir adiante com o caso. Nesta teoria, a partida de Ghosn seria boa para o governo, ao evitar um constrangimento em caso de eventual absolvição.
Robert Dujarric, professor de relações internacionais no campus de Tóquio da Temple University, diz que duas teorias sobre a partida de Ghosn estão sendo especuladas.
"A primeira é que a polícia que o vigiava era simplesmente incompetente e deixou um dos suspeitos de crime mais célebres sair do país", diz. "A segunda é que o julgamento pegaria muito mal para a economia japonesa e para o governo japonês." A teoria, salienta Dujarric, é que Ghosn foi encorajado a fugir para que o problema desaparecesse do Japão
"Qualquer julgamento traria à tona a obscuridade do sistema no Japão. E isso não é algo que o mundo dos negócios japonês ou o governo querem que seja divulgado em público", afirma o especialista.
Okumura, por sua vez, rejeita essa sugestão, para ele apenas uma teoria de conspiração. O analista afirma que seria impossível manter segredo sobre um plano tão complexo, que, caso revelado, colocaria em xeque o governo.
Ele admitiu, no entanto, que os executivos da Nissan devem estar respirando aliviados porque, sob a lei japonesa, um julgamento não pode acontecer à revelia, e é improvável que Tóquio consiga sua extradição.
"Difícil acreditar que, em algum momento, haverá um julgamento sobre esse caso. E a direção da Nissan pode seguir adiante, sob a premissa de que esta grande distração, por assim dizer, está fora do caminho", completa. "Acho que isso não vai mudar a relação com a Renault, por isso será um tipo de de volta à normalidade".
Julian Ryall (de Tóquio)Caminho Político

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