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domingo, 23 de fevereiro de 2020

"3º Encontro Folha de Jornalismo debate trabalho da imprensa na era Bolsonaro"

Dando início às celebrações do centenário da Folha de São Paulo, o 3º Encontro Folha de Jornalismo, realizado nesta quarta (19), no Centro Cultural São Paulo, contou em sua abertura com fala contundente do jornalista Sérgio Dávila, diretor de redação do jornal. Em seu discurso ele condenou os ataques que o jornalismo tem sofrido no Brasil e classificou como "campanha covarde" as agressões à jornalista Patrícia Campos Mello. Dávilla disse ainda que as instituições democráticas passam por um dos mais duros testes de estresse da história do país. Após a fala do diretor de redação da Folha, teve início o debate "Jornalistas são mesmo animais em extinção?", que foi mediado por Flávia Lima, atual ombudsman da Folha, e contou com participação de Ana Cristina Rosa (assessora-chefe de Comunicação do Tribunal Superior Eleitoral), Eugenio Bucci (professor da ECA-USP e colunista do jornal O Estado de S. Paulo) e da colunista da Folha Mônica Bergamo. Bergamo participou do debate em substituição a Patrícia Campos Mello, que foi originalmente escalada, mas precisou ficar na redação acompanhando a CPMI das Fake News.
Respeitando o tema do debate, Bucci afirmou que a pior crise do jornalismo não é tecnológica, nem de modelo de negócio, mas reside na dificuldade de fazer com que as redações sejam "núcleos pensantes", capazes de analisar os fatos em profundidade.
"As forças lideradas por Bolsonaro se situam fora do campo democrático. Faltou nas redações nomear e enxergar esse tipo de coisa", analisou o professor da ECA.
Ainda de acordo com Bucci, o medo de "poluir a cobertura com opinião" pode estar por trás da dificuldade que parte da imprensa tem tido de cobrir o presidente Bolsonaro.
"Se temos um presidente que afirma publicamente que mentiras podem trazer benefício público, as redações precisam discutir isso, pois uma declaração dessas exige mudança na forma como se cobre o presidente", disse Bucci, sobre Bolsonaro ter dito que fake news contra o PT são válidas.
Assim como os demais paineis do evento, o debate estava aberto a perguntas do público, que em boa parte era formado por estudantes de jornalismo. Um dos questionamentos enviados pela plateia foi se a imprensa não estimulou os atuais ataques à liberdade de expressão ao apoiar o impeachment de Dilma Roussef.
Para Bucci, não é verdade que a imprensa apoiou o impeachment. "Houve dissonância", disse. Mônica Bergamo ponderou que a imprensa, "à exceção da Folha", dispensou um tratamento acrítico a Sérgio Moro.
Outro tema debatido foi a ideia de deixar de cobrir eventos em que Bolsonaro está, como forma de protesto e estratégia de defesa.
Bucci, todavia, acredita que essa não é uma alternativa, pois representaria por parte dos jornalistas e veículos de imprensa a "renúncia a um dever". Porém, ele acredita que, no "cercadinho do Alvorada", onde Bolsonaro tem desferido boa parte de seu "festival de ofensas", a imprensa pode e deve realizar protestos. Uma ideia seria os cinegrafistas e fotógrafos colocarem seus equipamentos no chão toda vez que o presidente ofender alguém.
Apesar da onda de ataques ao jornalismo e dos problemas de caixa de boa parte dos veículos de imprensa, Bucci lembrou que, assim como afirmou Otavio Frias Filho no 1º Encontro de Jornalismo da Folha, "nunca se consumiu e se produziu conteúdo jornalístico tão diverso e em tanta quantidade como nos dias de hoje". Portanto, para ele, jornalistas estão longe de ser animais em extinção.
Leandro Haberli/Caminho Político

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