Depois, porque quando uma pessoa tem a responsabilidade por decidir por uma contratação, ela se dedica mais para que a avaliação seja acertada e o processo de integração seja eficaz, aumentando as chances de dar certo.
Por fim, ao saber que tem autonomia para decidir se contrata, promove ou demite, o líder se responsabiliza por ser efetivamente um líder, dedicando seu tempo para orientar, acompanhar, treinar, incentivar, dar feedback, dentre outras funções essenciais da liderança. Portanto, deixe seu liderado decidir sobre a equipe dele! Compartilhe sua visão, sua percepção e preocupações, mas deixe que ele decida ao final.
Princípio da oportunidade: as pessoas se motivam a trabalhar em uma empresa por três razões principais – pela remuneração/benefícios, pelos aprendizados que poderá obter e pela oportunidade de crescimento na carreira. Então, sempre que houver uma nova vaga na empresa, olhe primeiramente para a equipe atual. Mesmo que haja dúvidas sobre dar a oportunidade pra alguém interno, abra o processo seletivo e incentive a equipe a se candidatar à vaga.
Se a empresa abre uma vaga sem dar oportunidade pra equipe que está atuando participar do processo seletivo, ela declara que não acredita na equipe atual, mesmo que não seja essa a questão. Os profissionais que chegaram a cargos mais altos, vindos da base da pirâmide, terão sempre uma admiração maior pela empresa, porque sabem que acreditaram nele, no potencial dele pra entregar mais e melhor. Desta forma vai se consolidando uma cultura onde há reconhecimento e maior engajamento.
Princípio da competência: temos que contratar ou promover alguém pra um cargo considerando as competências necessárias – conhecimentos, habilidades e atitudes. Queremos dar oportunidades para nossas equipes, mas temos que ser responsáveis em avaliar o grau de prontidão do profissional para a nova vaga. O problema aqui está no perfeccionismo que faz com que muitos gestores nunca acreditem que suas equipes estão prontas para novas oportunidades.
E aqui vai uma regra que aprendi há muitos anos, em um dos programas internacionais de desenvolvimento de líderes que participei: não espere a pessoa estar mais que 70% preparada para promover. Porque dificilmente alguém estará! Principalmente porque a gente aprende, enquanto adulto, na prática, fazendo. Então só saberemos com a prática mesmo se a pessoa vai sair dos 70% e chegar nos 90% ou até 100% de adequação ao novo cargo.
Porém atenção: avalie sempre se o profissional dispõe do perfil comportamental para aquela nova posição. Aplique alguma ferramenta de avaliação através do RH da empresa ou de consultoria externa. Mas, não deixe de avaliar o aspecto atitudinal da pessoa pro cargo. Afinal, todos sabemos da máxima “contratamos pelo currículo e demitimos pelo comportamento”.
Mesmo em se tratando de alguém que está na equipe já há algum tempo e que portanto acreditamos já conhecer, ao assumir um novo cargo, principalmente se for alguém que nunca liderou, novos comportamentos serão demandados. Portanto, nada de precipitação! Com calma e ponderação, checando-se todos os aspectos relativos ao cargo, ou seja: as competências técnicas e comportamentais, as chances de êxito serão bem maiores.
Ao seguir os três princípios, você terá como resultado líderes mais autônomos e responsáveis por suas próprias equipes; equipes motivadas pelas oportunidades de crescimento na empresa e promoções mais acertadas por compatibilidade das competências exigidas com o perfil do profissional promovido. Você não irá eliminar os riscos de errar na decisão, mas reduzirá bastante. E, com a prática, serão cada vez melhores em tomar este tipo de decisão.
No caso do meu cliente, ele decidiu avaliar mais profundamente os candidatos internos à nova posição, até para que aqueles não escolhidos ao final sentissem que também tiveram a oportunidade de serem considerados, recebendo inclusive um Feedback do que faltou para não terem sido escolhidos e como podem se desenvolver para uma futura nova oportunidade.
Desta forma a cultura da organização se consolida com maturidade e bom senso para a gestão das pessoas. Seu nível de retenção de pessoas irá te mostrar o quanto valeu a pena investir nestes princípios.
Lorena Lacerda é palestrante, coach de executivos e times, mentora de liderança e gestão, CEO do Grupo Valure, associada à Fundação Dom Cabral em MT
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