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terça-feira, 24 de março de 2020

"Depois da crise nada ficará como dantes"

Resultado de imagem para António ClunyO que ressaltará, passada que seja a crise sanitária, é uma sociedade que perdeu, faz tempo, muita da sua capacidade de se pensar solidariamente de forma estruturada e de modo a assegurar uma vida decente a uma parte muito significativa dos seus membros. A crise sanitária provocada pelo Covid-19 arrisca-se a revolucionar radicalmente a sociedade. Tudo depende da sua duração, do número de vítimas humanas que originar e dos efeitos sociais e económicos, mais ou menos devastadores, que ocasionar. A emergência desta crise sanitária e, bem assim, a das suas consequências diretas – caso não se desvaneçam depressa –, irá confrontar a sociedade com muitas realidades que ela tem teimado em ignorar, alegrada que tem sido por uma publicidade hedonista e
consumista e que tem conseguido escamotear, de facto, as desigualdades crescentes e a erosão real das condições de funcionamento do estado social.
O problema não estará tanto, assim, no cansaço que o possível prolongamento do estado de emergência – justificável essencialmente por razões de segurança jurídica - poderá causar em muitos cidadãos, mas no posterior e cruel desvelar das debilidades da organização política, económica e social que, ao longo das últimas décadas, se foram avolumando.
O que ressaltará então, passada que seja a crise sanitária – e, pior, se esta se prolongar por muito tempo -, é uma sociedade que, independentemente dos progressos técnicos que, sem dúvida, foi conseguindo alcançar, perdeu, faz tempo, muita da sua capacidade de se pensar solidariamente de forma estruturada e de modo a assegurar uma vida decente a uma parte muito significativa dos seus membros.
E o que essa evidência porá a nu é, também, que, mesmo os que se julgavam a coberto de sistemas de apoio privado, que pagavam com os seus rendimentos compensadores, outra alternativa não tiveram do que se amparar dos serviços públicos – que em muitos casos ajudaram a debilitar – para se socorrer a si e às suas famílias.
A quase inevitável crise económica e social que se seguirá à crise sanitária – e que será tão mais grave quanto mais tempo esta última durar – irá, assim, confrontar o modelo político e económico vigente e as opções e responsabilidades dos que nele tudo apostaram, como se não houvesse alternativas.
Claro está, que tal confronto não redundará, necessariamente, num exame de consciência que nos leve a todos a procurar mais e mais fundados avanços no plano político, social e económico.
Pelo contrário, pode até acontecer que os que mais contribuíram para o atual estado de coisas possam, a pretexto da salvação da economia, da ordem pública e até da segurança sanitária, encontrar justificações para aprofundar ainda mais a crise do estado social e reduzir drasticamente os direitos constitucionais – civis e sociais - a ele inerentes.
Só, portanto, um forte e imediato discurso público, partilhado por todas as forças democráticas e constitucionalistas, assente, também, no exemplo e na coragem, e capaz, ainda, de apoiar na rua, de maneira bem visível, os que ora mais sofrem e depois mais despojados vão ficar, poderá conter os retrocessos políticos e sociais, que alguns anseiam e outros justificam.
Tal discurso não pode, porém, reduzir-se a um vago apelo à solidariedade; tem, isso sim, de ser objetivamente assumido, também, por todas as organizações profissionais e associações cívicas e não apenas por aquelas que, em geral, se dedicam, desde sempre, a esse fim.
Exige-se, pois, uma mobilização geral de vontades e um esforço inteligente para superar contradições que, mesmo sérias, não são agora, e não serão – ou não parecerão - no futuro imediato, radicalmente essenciais.
Na verdade, depois da crise, nada será como dantes e o que virá depende muito da atitude pública – dos gestos concretos actuais - dos que, apesar de tudo, estiveram continuamente ao lado dos mais desfavorecidos e, por isso, se bateram sempre por um serviço público bem apetrechado, eficiente e socialmente abrangente, capaz de assegurar a todos uma vida decente.
António Cluny

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