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sábado, 11 de julho de 2020

"Pandemia ofusca lembrança dos 25 anos de Srebrenica"

Pessoas em frente a telão em cerimônia sobre massacre de SrebrenicaLíderes e ex-mandatários enviam mensagens em vídeo para cerimônia recordando massacre de 8 mil homens e meninos durante Guerra da Bósnia. Funeral é realizado para nove vítimas do genocídio identificadas recentemente.Uma cerimônia para lembrar o 25º aniversário do massacre de Srebrenica ocorreu neste sábado (11/07) em Potocari, na Bósnia e Herzegovina, perto do local onde aconteceu o que é considerado o maior genocídio em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Os organizadores planejavam realizar um grande serviço religioso para homenagear as memórias de cerca dos 8 mil homens e meninos mortos no massacre. Mas um grande evento teve que ser cancelado devido às limitações impostas pela pandemia de coronavírus.
Normalmente, dezenas de milhares de pessoas participam das cerimônias anuais, mas este ano, cerca de 50 pessoas – a maioria dos líderes locais e parentes das vítimas – participaram, com cadeiras colocadas de forma distanciada.
Mulher chora sentada em gramado, entre lápides do cemitério memorial de PotocariForam exibidas mensagens em vídeo de mais de 35 líderes mundiais e ex-mandatários, incluindo o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton.O massacre de Srebrenica ocorreu no final da Guerra da Bósnia (entre 1992 e 1995), conflito no qual sérvios lutaram contra bósnios e croatas.
Mais nove vítimas homenageadas
Em 11 de julho de 1995, forças militares e paramilitares sérvias da Bósnia invadiram a cidade de Srebrenica, no leste da Bósnia e, em poucos dias, mataram cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos.
Até agora, os restos de quase 6.900 vítimas foram encontrados e identificados após serem retirados de mais de 80 valas comuns. Todos os anos, mais corpos são identificados e sepultados.
Em seguida à cerimônia da manhã de sábado, os restos mortais de nove vítimas recuperadas e identificadas no último ano foram sepultados ​​em uma cerimônia funeral no Cemitério Memorial de Potocari, um vilarejo nos arredores de Srebrenica onde forças da ONU tinham uma base na época do conflito.
O ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e o chefe militar sérvio-bósnio Ratko Mladic foram responsabilizados pelo genocídio pelo Tribunal de Crimes de Guerra da ONU para a Ex-Iugoslávia e condenados à prisão perpétua.
Homens carregam caixão nos funerais para oito vítimas do massacre de Srebrenica identificadas recentementeAtualmente, Mladic aguarda o julgamento de sua apelação contra sua sentença de prisão perpétua. Devido à pandemia de coronavírus, o tribunal de crimes de guerra adiou o início da análise do recurso e adiou o veredicto para o próximo ano.Antes da cerimônia, os líderes europeus pediram que o massacre não seja esquecido. "Precisamos enfrentar o passado com honestidade e olhar para o futuro com determinação para apoiar as próximas gerações", afirmou uma declaração conjunta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do principal diplomata da UE, Josep Borrell.
O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, disse que esse massacre jamais deve se repetir. "Concordamos que Srebrenica jamais deve se repetir", disse Maas em comunicado, acrescentando que Srebrenica representa como nenhum outro local as atrocidades e crimes contra a humanidade cometidos nos países da ex-Iugoslávia nos anos 90.
Ele destacou que o massacre ocorreu "no final do século 20, no meio da Europa, quase sob os olhos do público mundial". Maas enfatizando ser necessário "nos opor às tendências nacionalistas onde quer que as encontremos".
"Lembrar o sofrimento e a dor é um elemento essencial da reconciliação. Da mesma forma, aceitar os eventos sob o direito penal também faz parte desse processo", disse o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em sua mensagem em vídeo feita para a cerimônia, ressaltando que só isso não basta.
"Novas pontes devem ser construídas onde as antigas foram destruídas. Construir a confiança, onde a retórica de guerra odiosa provocou ódio. Buscar o diálogo onde nenhuma palavra é dita há muito tempo", afirmou o chefe de Estado alemão.
MD/afp/dpa/cp
Caminho Politico

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