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sexta-feira, 17 de julho de 2020

"VIRA-CASACA OU JUDAS: A politização do futebol em meio à pandemia"

FlamengoArticulação pelo retorno do Carioca durante pandemia que já matou mais de 75 mil e decreto sobre direitos de transmissão estreitam laços entre Bolsonaro e diretoria do Flamengo. Mas há também vozes críticas no esporte. O Flamengo conquistou, nesta quarta-feira (15/7), seu 36º Campeonato Carioca. O título, num Maracanã sem público, teve sabor especial para o presidente Jair Bolsonaro, que divulgou foto assistindo à final com o uniforme rubro-negro.
O presidente da República se engajou pessoalmente pelo retorno "solo" do torneio, concretizado em meados de junho, mesmo com a pandemia fora de controle no Rio. O torneio acabou apelidado pelos cariocas de Covidão 2020.
ImageBolsonaro aproveitou a convergência de interesses na pandemia para estreitar laços com a diretoria do clube rubro-negro, uma aproximação que teve início ainda no ano passado. Preocupado com o fluxo de caixa, o clube de maior visibilidade e investimento do Brasil se tornou um aliado importante do presidente em sua agenda negacionista, mesmo a pandemia de covid-19 já tendo atingido mais de 2 milhões de brasileiros e causado a morte de mais de 75 mil.Enquanto a bola rolava no Rio, Bolsonaro e a diretoria do Flamengo continuaram a se articular em Brasília. Como resultado foi editada a Medida Provisória nº 984, que alterou as regras dos direitos de transmissão dos jogos. Reivindicada pelo Flamengo e por outros clubes, a mudança teve como maior afetado o Grupo Globo, um inimigo declarado do presidente.
A campanha pelo retorno do Carioca, liderada pelo rubro-negro com o apoio de Bolsonaro, dividiu os rivais. Presidido por um médico, o Vasco da Gama aderiu à iniciativa, enquanto Fluminense e Botafogo se opuseram. Derrotado na final, o tricolor das Laranjeiras teve um mês a menos de preparação que o Flamengo, pois só retomou os treinos quando esgotou os esforços para reverter a decisão judicialmente. A posição assumida pela diretoria teve apoio do elenco.
Brasilien Super Cup - Flamengo v Athletico | Jair Bolsonaro"O Maracanã tem um hospital de campanha dentro do complexo. A gente fazer um gol e ter uma pessoa morrendo do lado é, no mínimo, estranho, sem humanidade", afirmou o volante Hudson na volta das atividades. Nesta quinta-feira, ele e outros jogadores do Fluminense se afirmaram campeões morais, ressaltando a disputa de seis jogos em 18 dias, com breve preparação de nove dias após três meses de inatividade.
Apesar do posicionamento crítico de atletas do Fluminense, Bolsonaro contava com apoios significativos no mundo da bola, e isso já antes de assumir a Presidência da República. Nas eleições de 2018, o Athletico Paranaense trocou as cores preta e vermelha de seu uniforme pelo amarelo, em apoio ao então candidato. Vitorioso nas urnas, ele participou da premiação do Campeonato Brasileiro de 2018, vencido pelo Palmeiras.
Já no Planalto, Bolsonaro manteve o tour por estádios, acompanhado de seus filhos ou aliados políticos. No auge da crise que atingiu o então ministro da Justiça Sergio Moro, por mensagens vazadas pelo site The Intercept, o presidente levou o ex-juiz a um jogo do Flamengo no Mané Garrincha, em Brasília, onde ambos vestiram a camisa do clube. Segundo levantamento do jornal O Globo, Bolsonaro havia recebido 38 camisas de clubes e seleções até novembro do ano passado.A atual utilização do futebol para fins de legitimação política só encontra paralelo na ditadura militar, durante o governo de Emílio Garrastazu Médici, maior referência de Bolsonaro na política. Além de ter utilizado a seleção tricampeã em 1970 como instrumento de propaganda, o ditador ia com frequência ao Maracanã e outros estádios. Ao contrário de Bolsonaro, porém, tinha fidelidade às cores do Flamengo – há registros documentais de sua presença em um jogo do rubro-negro com apenas 8 mil pessoas no Maracanã.
Brasilien Protest Fussballfans von der Gavioes da FielEsse amplo apoio de jogadores, cartolas e técnicos a Bolsonaro – caso de Renato Portaluppi, do Grêmio, e Luiz Felipe Scolari – chama a atenção por não ter precedentes no período democrático. A última grande mobilização havia sido a Democracia Corinthiana, movimento liderado por Sócrates, Casagrande e Vladimir no clube paulista. Além de endossar o clamor por eleições diretas no fim do regime, o grupo adotou um sistema decisório interno com pesos iguais, do roupeiro ao presidente.
Torcidas rivais juntas contra o presidente
Mas nem tudo é apoio a Bolsonaro. Um ator fundamental entre os críticos é a torcida organizada Gaviões da Fiel. Durante a pandemia, ela participou de manifestações pela democracia ao lado de grupos rivais nas ruas de São Paulo. Pelo histórico de conflitos entre as torcidas, a mobilização causou surpresa. Os protestos coincidiram com a emergência de levantes contra o racismo em todo o planeta, inclusive no Brasil, no fim de maio.
As manifestações das torcidas foram as primeiras de rua contra o presidente durante a pandemia. Até então, somente os seus simpatizantes haviam rompido o isolamento social para participar de atos a favor do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e contra medidas de distanciamento social. "O futebol é um espaço privilegiado para travar combates a favor de determinados valores", observa o antropólogo José Florenzano, da PUC-SP.
João Soares/Caminho Político

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