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terça-feira, 22 de setembro de 2020

"Botsuana diz ter desvendado misteriosa morte de elefantes"

Autoridades do país africano afirmam que centenas de animais encontrados mortos no primeiro semestre consumiram água contaminada por toxinas produzidas por cianobactérias. Mudança climática contribui para o fenômeno.O mistério sobre a morte de centenas de elefantes em Botsuana pode ter sido desvendado. Autoridades do país africano informaram nesta segunda-feira (21/09) que os animais provavelmente morreram após consumirem água contaminada por toxinas produzidas por cianobactérias.
Os elefantes começaram a morrer misteriosamente no vasto Delta do Okavango, no interior do país, em março deste ano, alarmando os conservacionistas. Ao todo, cerca de 330 animais foram encontrados mortos na região, segundo o governo de Botsuana.
As autoridades logo descartaram a hipótese de que os elefantes tenham sido mortos por caçadores ilegais em busca de marfim, já que suas presas estavam intactas.
Após meses de investigação e testes realizados em laboratórios especializados na África do Sul, Canadá, Zimbábue e Estados Unidos, o Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais do país informou que os animais morreram de um distúrbio neurológico que parece ter sido causado pelo consumo de água contaminada por "uma eflorescência tóxica de cianobactérias" em reservatórios de água sazonais na região.
As mortes inexplicáveis cessaram depois que os reservatórios secaram, observou Cyril Taolo, diretor interino do departamento botsuano, em coletiva de imprensa na capital, Gaborone.
Segundo ele, nenhuma outra espécie animal foi afetada pela água contaminada na região de Seronga, perto do famoso Delta do Okavango. Nem mesmo hienas e abutres que foram vistos se alimentando das carcaças dos elefantes mortos apresentaram sinais da doença.
"Ainda temos muitas questões a serem respondidas, como por que apenas os elefantes, e por que apenas naquela área? Há uma série de hipóteses que estamos investigando", disse o veterinário principal do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais, Mmadi Reuben.
Cianobactérias, também conhecidas como algas azuis, são organismos microscópicos comuns na água e às vezes encontrados no solo. Algumas produzem neurotoxinas.
Nem todas as cianobactérias são tóxicas, mas cientistas afirmam que variedades perigosas para humanos e animais estão sendo observadas com mais frequência, à medida que as mudanças climáticas aumentam as temperaturas globais. O fenômeno, chamado pelos cientistas de eflorescência tóxica, é favorecido por águas mais quentes.
As temperaturas da África Austral estão subindo duas vezes mais que a média global, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Com estimados 130 mil elefantes, Botsuana tem a maior população de paquidermes do mundo e é lar de quase um terço de todos os elefantes do continente africano.
O governo botsuano informou que os estudos sobre a ocorrência da bactéria mortal continuam no país, e prometeu instituir um plano de monitoramento de reservatórios de água sazonais para rastrear possíveis incidentes semelhantes no futuro e evitar mais mortes.
EK/ap/afp/rtr/cp
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