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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

"Brasileira é uma das três vítimas do atentado em Nice"

Consulado brasileiro em Paris afirma que uma das pessoas assassinadas em ataque a basílica no sul da França era uma baiana de 44 anos, residente no país europeu há três décadas. Itamaraty confirma nacionalidade. Uma brasileira está entre as três vítimas do atentado com faca ocorrido na cidade francesa de Nice nesta quinta-feira (29/10), segundo confirmou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Em comunicado, o Itamaraty afirmou que a cidadã brasileira tinha 40 anos, era mãe de três filhos e residia na França, mas não revelou seu nome.
Já a emissora pública francesa RFI, citando o Consulado Geral do Brasil em Paris, disse que a vítima era Simone Barreto Silva, de 44 anos, nascida em Salvador. Ela morava há 30 anos na França, tinha nacionalidade francesa e trabalhava como cuidadora de idosos, disse o veículo.A brasileira foi gravemente ferida pelo autor do ataque dentro da Basílica Notre-Dame, a maior de Nice, e morreu num café nas imediações, onde ela havia se refugiado.
Em entrevista à TV France Info, um dos proprietários do estabelecimento afirmou que esteve em contato com Simone durante sua última hora e meia de vida.
"Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja", contou Brahim Jelloule, que é muçulmano.
Segundo ele, o irmão e o funcionário chegaram a entrar na basílica, mas foram ameaçados pelo autor do atentado e fugiram do local. Foram eles que chamaram a polícia, informou a RFI.
No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirma que "o presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta as suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como aos das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e governo franceses".
"O Brasil expressa o seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma o seu compromisso de trabalhar no combate e erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa em todo o mundo", completa a nota.
A pasta disse ainda que, através de seu consulado em Paris, está prestando assistência consular à família da cidadã brasileira vítima do ataque em Nice.
O atentado em Nice
O atentado ocorreu por volta das 9h da manhã (horário local), e acabou com três mortos. Além de Simone, um homem de 55 anos e uma mulher de 60 anos foram assassinados dentro da basílica, sendo que a vítima do sexo feminino foi degolada pelo agressor.
O autor, que teria gritado "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe) ao perpetrar o ataque, foi ferido a tiros pela polícia e levado a um hospital. O promotor antiterrorismo da França, Jean-François Ricard, disse que o suspeito é um cidadão tunisiano nascido em 1999.
Ele chegou à ilha italiana de Lampedusa, ponto de entrada para migrantes que cruzam em barcos a partir do norte da África, em 20 de setembro, e viajou para Paris em 9 de outubro. O promotor não especificou quando o agressor chegou a Nice. O tunisiano não estava no radar das agências de inteligência como uma ameaça potencial.
Câmeras de vídeo gravaram o homem entrando na estação de trem de Nice às 6h47, onde ele trocou os sapatos e virou o casaco do avesso, antes de se dirigir à igreja, a cerca de 400 metros de distância. Ele chegou à basílica por volta das 8h30.
Ricard afirmou que o agressor carregava uma cópia do Alcorão, livro sagrado do Islã, e dois telefones. Uma faca com lâmina de 17 centímetros usada no ataque foi encontrada perto dele, junto com uma bolsa contendo outras duas facas não utilizadas no atentado.
Ataques na França
O ataque, o terceiro no país em apenas um mês, ocorre num momento em que a França está em alerta para atos terroristas em meio a tensões envolvendo caricaturas do profeta Maomé.
Em 16 de outubro, o professor de história Samuel Paty foi decapitado por um extremista islâmico nas proximidades de Paris, após ter exibido caricaturas do profeta em sala de aula, durante uma discussão sobre liberdade de expressão.
Em uma cerimônia de homenagem ao professor, Macron defendeu a liberdade de expressão e o direito de divulgar caricaturas no país, incluindo de Maomé, e acabou virando alvo de uma onda de indignação no mundo muçulmano, onde têm se multiplicado os apelos ao boicote de produtos franceses e os protestos.
Já em 25 de setembro passado, duas pessoas foram esfaqueadas perto do local onde ficava a antiga sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. O autor do atentado disse que não conseguiu suportar a nova publicação de caricaturas de Maomé pelo jornal, que em janeiro de 2015 fora alvo de um atentado por causa da publicação dessas caricaturas. Na ocasião, dois extremistas islâmicos mataram 12 pessoas.
Nice, por sua vez, foi alvo de um massacre em 2016 que deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, a avenida beira-mar da cidade, no dia 14 de julho, a data nacional francesa. Um tunisiano de 31 anos avançou com um caminhão sobre a multidão reunida no local.
EK/ap/lusa/ots/cp
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