TODOS JUNTOS CONTRA A COVID-19

TODOS JUNTOS CONTRA A COVID-19
Acompanhe os números de evolução da doença pelo painel do Ministério da Saúde

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

MPF em Cuiabá

MPF em Cuiabá
Av. Miguel Sutil, nº 1.120, Esquina Rua J. Márcio (R. Nestelaus Devuisky) Bairro Jardim Primavera

DE OLHO NOS RURALISTAS!

DE OLHO NOS RURALISTAS!
Observatório de agronegócio e políticas ruralistas no Brasil. As notícias com perspectiva social e ambiental.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

"Retornar a Sun Tzu. Artigo de Raúl Zibechi"














"Focar na tomada ou ocupação do Estado é o caminho do fracasso porque volta a legitimar a ordem que se pretende combater", escreve Raúl Zibechi, escritor, em artigo publicado por La Jornada e reproduzido por A Terra é Redonda e Caminho Político. A tradução é de Ricardo Kobayaski. Edição: Régis Oliveira. Foto: Ilust. Caminho Politico Eis o artigo.: Em períodos de tempestade sistêmica é necessário ter uma estratégia clara e definida. Caso contrário, o naufrágio é quase inevitável. Talvez seja por isso que muitos de nós voltamos a conhecimentos como o encarnado por Sun Tzu, um militar, estrategista e filósofo da China antiga, que resume seus ensinamentos no livro A Arte da Guerra, que inspirou várias gerações de revolucionários.
Retornar a Sun Tzu nestes tempos é duplamente importante para aqueles de nós que querem derrotar o capitalismo sem se envolver nos horrores das guerras, que caracterizaram a ascensão dos impérios e do sistema mundial atual. E que podem ser a marca registrada de sua queda.
"TWITTER: Um exército vitorioso vence primeiro e luta depois; um exército derrotado luta primeiro e tenta a vitória depois - Sun Tzu"
Um de seus conceitos mais notáveis ​​diz: “um exército vitorioso vence primeiro e luta depois; um exército derrotado luta primeiro e tenta a vitória depois”.
Do ponto de vista das comunidades em movimento, e dos povos indígenas maias e nasa em particular, isso significa, acredito: vencemos porque aqui estamos, sobrevivemos às tentativas de desaparecer como povos. Não era esse o objetivo das classes dominantes desde a Conquista? Não é esse o objetivo da guerra contra as drogas e de empreendimentos como o Trem Maia [1]?
Para os povos oprimidos, o conceito de vitória não é militar, não está relacionado com a morte, mas com a vida. Continuar sendo povos, continuar construindo novos mundos porque, como aponta a afirmação “Uma montanha em alto mar”, do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), não se trata de retornar a um passado supostamente maravilhoso, como o império asteca, construído às custas do sangue de seus semelhantes.
Continuar a ser é continuar a resistir, não é voltar atrás, mas construir o novo. Esta é a vitória dos zapatistas, nasa/misak, mapuche, wampis e tantos outros povos.
"TWITTER: Estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. A tática sem estratégia é barulho antes da derrota - Sun Tzu"
É preciso dizer tudo: pensei que o que os PeñaNietos e os Pinochets não conseguiram da maneira mais difícil poderia ser alcançado através do desenvolvimento e das políticas sociais dos Mujica e dos Correa (acrescentem os nomes que considerem adequados, em cada geografia). Erro. Os povos estão conseguindo superar as diversas formas de gestão do modelo extrativista neoliberal em curso ou a quarta guerra mundial, como o denomina o EZLN.
A frase notável de Sun Tzu vem à tona quando vemos que alguns povos conseguiram passar, apesar da dor e do sangue, tanto pela administração conservadora quanto a do modelo progressista. O que nos diz que as batalhas que eles travam agora são frutos de sua vitória estratégica.
"TWITTER: As grandes obras, como a brutal barragem de Belo Monte, são apenas fogos de artifício para encobrir o vazio de um modelo que nada tem a oferecer além de morte e destruição - Raúl Zibechi"
Sobre a relação entre estratégia e tática, a Sun Tzu é atribuída uma frase que, segundo especialistas não consta de seu livro, diz: “estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. A tática sem estratégia é barulho antes da derrota”.
A meu ver, grandes obras de infraestrutura, como a brutal barragem de Belo Monte, no Brasil, que destrói as fontes de vida de povos inteiros; a megamineração em todo o continente; o próprio Trem Maia ou o Corredor Transistmiano, para citar alguns exemplos, são apenas fogos de artifício para encobrir o vazio estratégico de um modelo que nada tem a oferecer aos povos além de morte e destruição.
Os povos em movimento que não se deixaram cooptar por um ou outro, que mantêm a sua autonomia (o que não quer dizer que nunca errem), que não se curvam ao mau império ou ao bom, ou a qualquer governo, são aqueles que estão em posição de continuar sua jornada de longo prazo.
'TWITTER: Em meio a essa tempestade, as estratégias da esquerda e dos antigos movimentos mostraram suas limitações. Focar na tomada ou ocupação do Estado é o caminho do fracasso - Raúl Zibechi"
São eles que podem embarcar em projetos de novo tipo, ousados ​​e até perigosos, porque já venceram por continuar a existir. O que não significa que eles não possam ser atacados e até mesmo ser alvo de genocídios. Notícias disso chegam todos os dias do Cauca colombiano, de Wallmapu, de Chiapas e de todas as geografias que resistem.
Em meio a essa tremenda tempestade, as estratégias da esquerda e dos antigos movimentos mostraram suas limitações e estreitezas. Focar na tomada ou ocupação do Estado é, como apontou Immanuel Wallerstein décadas atrás, o caminho do fracasso porque volta a legitimar a ordem que se pretende combater.
"TWITTER: Precisamos de estratégias que não sejam cópias invertidas das agendas e modos acima, sejam elas da direita ou da esquerda. Resistir sem reproduzir a mesma cultura política - Raúl Zibechi"
Precisamos de estratégias que não sejam cópias invertidas das agendas e modos acima, sejam elas da direita ou da esquerda. Resistir sem reproduzir a mesma cultura política. Quando o Conselho Regional Indígena do Cauca proclama que conta conosco para a paz, nunca para a guerra, aponta para um novo tipo de política. Eles resistem em construir outros mundos.
Quando o EZLN constrói saúde, educação, justiça e poder autônomos, está ensinando o modo de vida que percorrem os povos de raízes maias e bases de sustentação, que aos poucos muitos outros começam a percorrer, em todos os continentes, em particular na América Latina.
Nota:
[1] É uma ferrovia, cujo projeto prevê atravessar quatro estados, impactando negativamente em comunidades indígenas, reservas florestais e espécies ameaçadas do México. A nota é do tradutor.
Artigo publicado por La Jornada e reproduzido por A Terra é Redonda e Caminho Político. A tradução é de Ricardo Kobayaski. Edição: Régis Oliveira. Foto: Ilust. Caminho Politico

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ame,cuide e respeite os idosos