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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A Universidade suspensa. Artigo de Marcello Neri














"Ter transformado a Universidade numa grande escola profissional, onde o que importa é a transferência de noções passíveis de aplicação imediata nos vários contextos de trabalho, é o que a arrastou para a alternativa seca da distância/presença como questão em torno da qual já se organizam agora dois longos anos acadêmicos", escreve o teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado em Settimana News e Caminho Político. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Como todas as outras entidades sociais, a Universidade também tentou se adaptar à condição pandêmica e às normas que tentaram conter a propagação do Covid-19 em nossos contextos de vida. Fizemos todo o possível, às vezes com algum ímpeto de gênio, outras vezes com pedantismo e sem muita imaginação.
Um pouco como todo mundo em suma, mostrando assim que a elite institucional da cultura não é tão diferente do resto da sociedade comum.
Isso a nosso descrédito, porque numa época em que todos os outros centros culturais estavam sendo fechados pelos vários decretos, a Universidade teria a tarefa de assumir um papel vicário, pelo menos temporário, em nossas cidades mais ou menos paralisadas.
Em vez disso, nós também nos deixamos sugar pela única questão que catalisa há meses o debate público sobre o tema da formação e educação das gerações mais jovens - a da alternativa, mal colocada, entre ensino a distância e ensino presencial. Mal colocada, porque se apresenta de forma seca: um ou outro; mal colocada, porque incapaz de gerar horizontes de futuro para uma renovação efetiva daquela instituição educativa singular que é a Universidade.
Mas o fato de estarmos atolados nessa questão diz algo sobre o que a Universidade se tornou nas últimas décadas: uma espécie de extensão do ensino médio em vista da inserção mais rápida possível das gerações mais jovens no mundo do trabalho – sub-remunerado, quando o encontram.
Ter transformado a Universidade numa grande escola profissional, onde o que importa é a transferência de noções passíveis de aplicação imediata nos vários contextos de trabalho, é o que a arrastou para a alternativa seca da distância/presença como questão em torno da qual já se organizam agora dois longos anos acadêmicos.
Sem aproveitar a oportunidade da pandemia para repensar profundamente o sentido, se ainda existe, desta instituição singular que tem em sua matriz original de não ser nem escola nem trabalho – mas, sim, a de ser uma corporação do saber feita de estudantes e professores que se administra de maneira autônoma dentro do contexto da cidade e faz parte com outras instituições similares em nível nacional e internacional.
O crescimento exponencial do setor administrativo, tornado necessário ou justificado pelo viés empresarial da Universidade atual, é o índice de uma patologia na qual o vírus se enraizou quase sem acreditar nos próprios olhos. Desvendando o grande nada em que a Universidade se tornou: tudo pode ser feito sem ela - porque a Universidade é primariamente um lugar físico no tecido da cidade, e quando suas funções podem se reproduzir sem qualquer referência a tal lugar, ela deixa de existir.
Didática e noções podem ser facilmente transferidas online, com todas as vantagens que isso pode acarretar (caso se tenha a inteligência de não olhar apenas para os aspectos econômicos); geração do pensamento e construção civil da corporação do saber, por outro lado, não podem ser traduzidas para a forma digital - a menos que nos contentemos com algum simulacro substitutivo. Mas, precisamente, diante destas duas últimas, a Universidade parece ter abdicado bem antes da pandemia.
Empreitadas idealistas, estas, deixadas sem problema algum nas mãos de um punhado de Carbonários, levadas adiante sem qualquer repercussão no sistema geral da Universidade - que é a condição para a qual elas são tolerados pela Universidade-empresa do nosso tempo. E mesmo essa Carbonária do saber já internalizou sua irrelevância e marginalidade a tal ponto que quase se orgulha de sua identidade dentro da máquina impessoal do sistema universitário. Reforçando-o, ao invés de colocá-lo radicalmente em discussão.
O vírus é o aliado inesperado da grande normalização que está apagando a anomalia corporativa da Universidade para torná-la perfeitamente coerente com as lógicas que dominam nosso tempo – assujeitado-a para continuar a existir pelo menos nominalmente, e mortificando o saber para ser mero instrumento dos poderes que tomaram de assédio as nossas sociedades e as nossas vivências.
Resta algum tempo, pouco, para aproveitar o tempo suspenso a que a Universidade se vê obrigada e imaginar os caminhos possíveis para o seu resgate, um arroubo de orgulho que oponha resistência a ser o simples trânsito em que se completa a homologação das jovens gerações com critérios que sufocam seu desejo de um futuro e de um mundo diferente daquele que catastroficamente entregamos em suas mãos.
Artigo publicado em Settimana News e Caminho Político. A tradução é de Luisa Rabolini. Edição: Régis Oliveira. @CaminhoPolitico

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