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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

CORONAVÍRUS: Pandemia provoca "emergência" no fornecimento mundial de oxigênio, diz ONU

Suprimento global do gás para hospitais já enfrentava problemas antes da covid-19 em países de renda baixa e média. Força-tarefa buscará solucionar gargalos. A pandemia da covid-19 colocou pressão adicional sobre o já problemático fornecimento mundial de oxigênio médico, afirmou nesta quinta-feira (25/02) a Organização das Nações Unidas (ONU).
Muitos hospitais já enfrentaram momentos de falta de oxigênio, especialmente em países pobres, provocando mortes que poderiam ter sido evitadas e forçando famílias a ter que pagar valores extras para garantir o acesso ao gás a parentes internados.
Em comunicado, o programa ACT-Accelerator, uma iniciativa liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para buscar vacinas, diagnósticos e tratamentos para a covid-19, afirmou que lançou uma força-tarefa emergencial para buscar soluções à crise.
"Esta é uma emergência global que necessita de uma resposta verdadeiramente global", disse Philippe Duneton, diretor da agência internacional de saúde Unitaid, que participa do ACT.
A força-tarefa conta com diversas organizações, incluindo a Unicef, a agência da ONU para crianças, o Banco Mundial e as entidades The Global Fund e Save the Children.
Uma crise no fornecimento do oxigênio hospitalar eclodiu em Manaus em janeiro, quando o aumento do número de internações fez a demanda pelo gás crescer além da capacidade de produção local.
Diante do isolamento geográfico da cidade e da reação lenta do poder público, dezenas de pacientes morreram em hospitais, e parentes foram obrigados a passar horas em filas e pagar valores exorbitantes para abastecer tubos de oxigênio para pessoas doentes tratadas em casa.
A deficiência em Manaus foi parcialmente reduzida com a criação de um esquema logístico para transportar o gás de outros estados, por via aérea e fluvial, além de doações da Venezuela. Uma crise semelhante ocorreu no Peru neste mês.
Demanda diária
O fornecimento global de oxigênio já enfrentava limitações antes da pandemia, e é necessário para o tratamento de outras doenças como a pneumonia, que mata cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano. Mas a covid-19 exacerbou o problema.
Estimativas apontam que 500 mil pacientes com covid-19 em países de renda baixa e média precisem de 1,1 milhões de cilindros de oxigênio por dia, segundo a ONU. Em 25 nações, a maioria na África, há relatos aumento da demanda pelo gás.
"A pandemia da covid-19 transformou o que era uma grave escassez em uma emergência", disse Henrietta Fore, diretora da Unicef. Ela destacou que resolver os problemas no suprimento de oxigênio provocaria efeitos além do tratamento da covid-19 e da redução o número de mortes evitáveis.
Essa iniciativa também "ajudaria a melhorar os sistemas de saúde e os tratamentos além da covid-19 no longo prazo, inclusive para recém-nascidos e crianças que precisam de oxigênio para sobreviver", disse.
A força-tarefa recém-criada estima que 90 milhões de dólares (R$ 500 milhões) sejam necessários imediatamente para resolver gargalos no acesso e distribuição de oxigênio em 20 países, incluindo no Malaui, Nigéria e Afeganistão. Mas a demanda por recursos para equacionar o problema é muito maior, e requer 1,6 bilhão de dólares (R$ 8,8 bilhões) apenas neste ano para estabilizar a oferta mundial de oxigênio e garantir o acesso ao gás.
A Unitaid e a Wellcome, uma entidade filantrópica, afirmaram que disponibilizarão imediatamente 20 milhões de dólares (R$ 110 milhões) e pediram a outros doadores que também participem.
"Precisamos aumentar urgentemente o acesso ao oxigênio médico para assegurar que os pacientes tenham acesso independentemente de onde vivam ou da sua capacidade financeira", disse o diretor de operações da Wellcome, Paul Shreier. "A solidariedade internacional é o caminho mais rápido – e o único – para superar esta pandemia", afirmou.
bl (AFP)cp
@CaminhoPolitico

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