DIRETO DA VENEZUELA

DIRETO DA VENEZUELA
Tweets por ‎@infoenlaceweb INSTAGRAM @INFOENLACEWEB

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Endereço: Av. André Maggi, 6 - Centro Político Administrativo

DE OLHO NOS RURALISTAS!

DE OLHO NOS RURALISTAS!
Observatório de agronegócio e políticas ruralistas no Brasil. As notícias com perspectiva social e ambiental.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Brasileiros com demência devem quadruplicar em 30 anos

Estudo aponta que incidência de Alzheimer e outros tipos de demência já dobrou no Brasil nas últimas décadas. Para pesquisadores, falta de controle de fatores de risco, como obesidade e sedentarismo, explicam aumento. Cerca de 1 milhão de brasileiros sofrem de demência atualmente – a maioria deles têm a doença de Alzheimer. Há 30 anos, eram 500 mil. Daqui a 30 anos, serão 4 milhões.
Esta é a principal conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade de Queensland, da Austrália. O trabalho foi publicado nesta quarta-feira (14/04) na Revista Brasileira de Epidemiologia.
De acordo com os cientistas, os dados são preocupantes mesmo considerando o envelhecimento da população e a melhoria dos diagnósticos. A projeção realizada indica que, se hoje um quarto dos idosos com mais de 80 anos têm algum tipo de demência, daqui a três décadas metade dessa parcela da população terá desenvolvido a doença.
"É a primeira vez que fornecemos uma descrição abrangente de pacientes com doença de Alzheimer no Brasil. Mesmo considerando que em todos os países as pessoas vivam o mesmo, ou seja, tirando o 'efeito da idade' [sobre a incidência da doença] apesar de estarmos passando por uma transformação demográfica importante, o Brasil tem a segunda maior prevalência do planeta [por 100 mil habitantes, perdendo apenas para a Turquia, e seguido por Nigéria e Gana]", explica um dos autores do estudo, Natan Feter, pesquisador do Centro de Pesquisas em Exercícios, Atividade Física e Saúde da Universidade de Queensland e da UFPel.
Isso indica um "descontrole dos principais fatores de risco modificáveis para demência", ou seja, de tudo o que não depende da predisposição genética, da melhor expectativa de vida e do aprimoramento dos diagnósticos, aponta o pesquisador. "O Brasil está num caminho contrário ao de países como Inglaterra e Estados Unidos, onde estamos observando um melhor controle desses fatores", comenta Feter.
Fatores de risco
Os cientistas estão convencidos de que hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, sedentarismo e obesidade favorecem o aparecimento de doenças como Alzheimer.
Dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e publicada em outubro do ano passado, 22,8% dos homens adultos e 30,2% das mulheres adultas sofrem de obesidade, ou seja, têm índice de massa corporal maior do que 30. Isso é mais do que o dobro do que o apontado pelo IBGE entre os anos de 2002 e 2003, quando eram obesos 9,6% dos brasileiros e 14,5% das brasileiras.
De acordo com o estudo publicado nesta quarta, 75% das hospitalizações decorrentes de demência no Brasil são atribuídas à inatividade física.
Por outro lado, também é importante manter a cabeça ativa. Hábitos de leitura diminuem as chances de demência. A pesquisa constatou também que aposentados com baixa escolaridade têm mais chances de desenvolver Alzheimer do que os que se mantêm economicamente ativos e os que estudaram mais.
"É claro que o envelhecimento tem um papel muito importante [no desenvolvimento de demência], mas com certeza não é a única razão", frisa Feter. "Aproximadamente metade dos casos [de demência] são atribuíveis a fatores modificáveis, como hipertensão, obesidade, diabetes e baixa escolaridade."
Outros problemas de saúde como consequência
Segundo o estudo, os respondentes com Alzheimer relataram mais consultas médicas, quedas, e maior frequência e duração de hospitalizações quando comparado a participantes sem a doença, o que pode estar relacionado à pior saúde física e mental observada nessa população.
Os pesquisadores observaram ainda que dois a cada três idosos com Alzheimer no Brasil apresentam depressão ou relatam tristeza "na maior parte do tempo".
"As análise ajustadas revelaram que os pacientes com DA [doença de Alzheimer] tinham maior probabilidade de serem diagnosticados com diabetes, doença de Parkinson, e acidente vascular cerebral, em comparação com adultos mais velhos sem diagnóstico de DA", diz o artigo.
Conscientização e prevenção
Um recente levantamento realizado pela organização britânica Alzheimer's Disease International apontou que dois terços das pessoas acreditam que a demência é parte normal do envelhecimento. A mesma sondagem indicou que 25% da população entende que não há nenhuma maneira de prevenir o aparecimento de doenças como Alzheimer. 
Feter acredita que a conscientização da população é a melhor maneira de reverter – ou pelo menos diminuir – a gravidade desse cenário. "Grande parcela da população acredita que não pode fazer nada em relação à demência, que ela é inevitável e tratada como ‘normal' em decorrência do envelhecimento", pontua ele. "Contudo, atividade física, ao longo da vida, é importante pare reduzir o risco de diversas doenças."
O especialista se preocupa com a falta de prevenção no Brasil. "Temos um quadro preocupante: a prevalência [de casos de demência no Brasil] tende a quadruplicar nos próximos 30 anos, e o controle dos fatores de risco não está sendo suficiente", alerta.
Os pesquisadores defendem que campanhas públicas foquem na importância de hábitos saudáveis, em todas as fases da vida. E que gestores e outras autoridades também preparem as instituições de saúde e serviço social para atender às demandas dessa população, que deve aumentar proporcionalmente.
As informações divulgadas sobre Alzheimer oficialmente pelo site do Ministério da Saúde mencionam como fatores de risco para o desenvolvimento da doença a idade, o histórico familiar e o baixo nível de escolaridade. Para prevenção, a pasta recomenda "estudar, ler, pensar, manter a mente sempre ativa", "fazer exercícios de aritmética", "jogos inteligentes", "atividades em grupo", "não fumar", "não consumir bebida alcoólica", "ter alimentação saudável e regrada" e "fazer prática de atividades físicas regulares".
Vale ressaltar que Alzheimer é o tipo mais comum de demência do mundo — responde por 70% dos casos. Mas há outras doenças, como a demência frontotemporal e a vascular. Cada qual tem suas particularidades, com diferentes características clínicas e progressões. "A generalização, sob o mesmo termo ‘guarda-chuva', é preocupante porque acarreta descuidos quanto ao tratamento e a origem. O diagnóstico correto e acurado é importante", alerta Feter.
Edison Veiga/Caminho Político 
@caminhopolitico @cpweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ame,cuide e respeite os idosos