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segunda-feira, 28 de junho de 2021

CORONAVÍRUS: Combinar vacinas da AstraZeneca e da Pfizer é eficiente, aponta estudo

Pesquisa da Universidade de Oxford comparou esquemas convencionais e mistos de duas doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca e descobriu que todas as combinações produziram altas concentrações de anticorpos. Um estudo da Universidade de Oxford, do Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (28/06) mostrou que aplicar uma segunda dose da vacina da Pfizer-BioNTech em quem recebeu a primeira dose da vacina da AstraZeneca provocou uma melhor resposta imunológica do que aplicar a segunda dose da própria vacina da AstraZeneca.
O estudo, denominado Com-COV, comparou esquemas convencionais e mistos de duas doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca e descobriu que, em qualquer combinação, elas produziram altas concentrações de anticorpos contra a proteína spike do coronavírus.
A maior resposta de anticorpos foi observada em pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer. Ambos os esquemas mistos produziram respostas melhores do que duas doses da AstraZeneca.
Uma dose da AstraZeneca seguida de uma da Pfizer produziu melhores respostas de células T e uma resposta de anticorpos mais alta do que uma dose da Pfizer seguida por uma dose da AstraZeneca.
O estudo contou com a participação de 830 pessoas e as doses foram aplicadas com intervalo de quatro semanas.
O Com-COV também está analisando esquemas mistos com um intervalo de 12 semanas entre as doses, já que é conhecido que a vacina da AstraZeneca produz uma resposta imunológica melhor com um intervalo mais longo entre as aplicações.
No Reino Unido, as autoridades sugerem um intervalo de 8 semanas entre as doses da AstraZeneca para pessoas com mais de 40 anos e de 12 semanas para os outros adultos.
"Dada a posição de fornecimento estável do Reino Unido, não há razão para alterar os calendários de vacinação neste momento", defendeu o vice-chefe médico da Inglaterra, Jonathan Van-Tam, acrescentando que os dados do estudo do mix de vacinas com intervalo de 12 semanas influenciariam futuras decisões. Os resultados serão divulgados no próximo mês.
Flexibilização das campanhas
Os dados do estudo apoiam a decisão de alguns países de oferecer alternativas ao imunizante da AstraZeneca, após a vacina ter sido associada a alguns casos de coágulos sanguíneos raros.
Países como Espanha e Alemanha passaram a oferecer, a quem desejasse, uma segunda dose de vacinas alternativas a pessoas com menos de 60 anos que haviam recebido a primeira dose da AstraZeneca.
Matthew Snape, o professor de Oxford por trás do estudo, disse que as descobertas poderiam ser usadas para flexibilizar a aplicação dos imunizantes. No entanto, os resultados não são suficientes para recomendar uma mudança mais ampla nos cronogramas de vacinação.
"É certamente encorajador que essas respostas de anticorpos e células T pareçam boas com os cronogramas mistos", disse. "Mas acho que o padrão deve permanecer, a menos que haja uma boa razão para fazer o contrário, já que o esquema convencional funciona", acrescentou ele, referindo-se à aplicação de duas doses da mesma vacina, avaliada em testes clínicos.
Em entrevista à BBC, Van-Tam disse que a mistura de doses pode "fornecer ainda mais flexibilidade para um programa de reforço, ao mesmo tempo que apoia países que ainda têm lançamentos de vacinas previstos e países que podem estar enfrentando dificuldades de abastecimento".
É o caso da Coreia do Sul, que anunciou que aplicaria uma segunda dose da Pfizer em mais de 700 mil pessoas que haviam recebido a primeira dose da AstraZeneca, devido ao atraso na entrega do imunizante da empresa anglo-sueca.
Em maio, uma pesquisa científica feita na Espanha já havia concluído que aplicar uma dose da vacina contra a covid-19 da Pfizer-Biontech em pessoas que receberam a primeira dose da AstraZeneca é um procedimento seguro e eficaz.
Terceira dose
Os resultados do estudo também indicaram que as pessoas que já receberam duas doses da vacina AstraZeneca podem ter uma resposta imunológica mais forte se receberem uma dose de outra vacina como reforço.
Outro estudo da universidade de Oxford, também divulgado nesta segunda-feira, sugere que uma terceira dose da vacina da AstraZeneca seis meses após a segunda estimula o sistema imunológico. A pesquisa foi divulgada sem a revisão de outros cientistas e analisou 30 participantes que receberam uma segunda dose tardia e 90 que receberam uma terceira dose.
No entanto, especialistas dizem que é muito cedo para saber se uma dose de reforço será mesmo necessária antes do inverno europeu. Ainda não está claro o quanto a imunidade adquirida com a vacina pode diminuir com o tempo.
À BBC, o professor Paul Hunter, da Universidade de East Anglia, afirmou que, com as evidências disponíveis, é possível que pessoas com maior risco de contrair o coronavírus, seja devido à idade ou por serem clinicamente vulneráveis, poderão receber um reforço.
Ele sugeriu que as pessoas que receberam a vacina da AstraZeneca poderiam receber a vacina Pfizer como reforço, em vez de uma repetição da AstraZeneca. Já as pessoas que receberam as duas doses da Pfizer não precisariam de uma terceira.
Os dados divulgados não significam que duas doses da AstraZeneca sejam inferiores a duas da Pfizer. Estudos mostram que, após as duas doses da AstarZenca, as chances de hospitalização por covid-19 caem em mais de 90%.
Além disso, com a vacina da AstraZeneca, os níveis de imunidade aumentam com o tempo, especialmente quando o período entre as doses é prolongado.
le (reuters, ots)cp
@caminhopolitico @cpweb

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