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quarta-feira, 28 de julho de 2021

NOVA BANDEIRANTES: Após formação de brigada comunitária, agricultores familiares controlam princípio de incêndio em Nova Bandeirantes

Menos de um mês após a formação de uma brigada comunitária para combate a incêndios florestais no norte de Mato Grosso, agricultores familiares colocaram em prática o conhecimento adquirido na contenção de um início de incêndio na área rural do município de Nova Bandeirantes.
Era fim da tarde e Eliane da Costa regava a horta na chácara onde mora quando ouviu o “barulho do fogo”, como denomina a crepitação no mato. “Aí fui lá na frente do quintal. Do outro lado da rua, já vi o fogo. Vi ele começar a subir e aumentar e pensei ‘nossa, se esse fogo desce…’”, relembra os momentos de aflição. A preocupação principal da agricultora familiar era com uma plantação de capiaçu, capim usado em pastagens, da propriedade vizinha. “Seca por causa do período, e ainda bastante alta”, explica. “E do outro lado é mata, tudo seco também, nada verde”, diz.
O fogo, pensava Elaine, poderia evoluir e ainda atingir a casa, a estufa de hortaliças, as bananeiras da propriedade.
O período de seca na região é marcado por incêndios florestais com capacidade de, em minutos, transformar grandes áreas em mata incendiada que ameaçam a biodiversidade da floresta, as plantações, saúde e qualidade de vida das famílias da região.
As ocorrências, na maioria dos casos, estão associadas à queima para a limpeza de áreas recém-desmatadas. Neste ano, o estado de Mato Grosso já teve incendiada uma área equivalente a cinco vezes o município de São Paulo.
Eliane ligou para os filhos, que se formaram como brigadistas há menos de um mês por uma capacitação do ICV. “Não estávamos em casa, mas fomos direto”, relembra Adriano, um deles.
Os dois jovens tranquilizaram a mãe. “Eles falaram ‘pode deixar que a gente vai apagar, mãe’”, conta Eliane.
“Com o vento forte, se chega uma faísca lá pega em tudo. E sem ninguém ainda, o que torna mais difícil de controlar”, recorda.
Gabriel e Adriano chegaram na propriedade, olharam para o fogo e se apressaram em colocar os calçados adequados e pegar o equipamento. “Formaram uma espécie de aceiro em volta do fogo, enquanto iam apagando com abafador”, diz.
O fogo, entretanto, crescia. “Fomos segurando para não vir para o lado de casa”, conta Adriano.
Pouco tempo depois, o telefone de Paulo Neves, diretor da Secretaria de Meio Ambiente de Nova Bandeirantes, tocava.
“Era quase 8h da noite quando Eliane me chamou. No mesmo momento, acionei o setor dos caminhões-pipa e fomos pra lá. Cheguei e os meninos já estavam apagando. Assisti o trabalho e os parabenizei. Fizeram o aceiro, usaram bomba d’água, abafador. Já estavam quase terminando o serviço”, conta Paula.
As chamas, lembra Adriano, atingiam a altura de três metros em alguns lugares.
Os focos foram extintos, mas no dia seguinte a família almoçava quando ouviu os mesmos estalidos.
“Não sei se o primeiro fogo foi alguém que ateou, mas o segundo acho que foi”, conta Eliane. “Porque foi num lugar que não tinha fogo quando começou, como se não tivesse queimado o suficiente. E foi no horário de meio dia, então foi bem maior.”
Dessa vez, uma agricultora brigadista comunitária da formação ajudou os dois irmãos a preparar o aceiro para as chamas não se alastrarem.
Para a agricultora, a capacitação da brigada do mês anterior foi o que permitiu impedir que o fogo atingisse proporções com maiores prejuízos às famílias da região.
“Eles chegavam e me falavam ‘agora a gente sabe como faz, mãe’”, relembra ao contar sobre sua preocupação com a integridade física dos filhos.
“Não íamos saber por onde começar a apagar não fosse o treinamento”, constata Adriano.
Para Paulo Neves, o incidente prova o valor da formação das brigadas comunitárias. “Valeu a pena o curso e foi comprovado todo o rendimento neste momento”, classificou.
A brigada formada em junho é constituída por agricultores da Associação São Brás e da Apral, organizações comunitárias da agricultura familiar na região.
É também a primeira formada por uma parceria entre organização da sociedade civil e Corpo de Bombeiros na região.
A capacitação teve duração de três dias e contou com instruções teóricas e treinamentos práticos de atendimento pré-hospitalar (APH), teoria básica do fogo, combate a incêndios florestais e organização de pessoas e material no combate ao fogo.
Também foram doados para os agricultores mochilas flexíveis, bombas costais, pares de botas, capacetes de bombeiros termoplásticos, abafadores e uniformes de proteção (com calça, gandola e luva).
A ação integra o projeto Proteja e Restaure, implementado pelo ICV com financiamento do Global Wildlife Conservation (GWC).
Eriberto Muller, analista do Programa de Negócios Sociais do ICV e um dos organizadores da capacitação, ressalta a importância do envolvimento da sociedade civil na preparação para combate a incêndios florestais na região. “Nova Bandeirantes, por exemplo, é uma cidade que fica a mais de 200 quilômetros da unidade de Bombeiros mais próxima”, conta.
“É uma situação que não desejamos a ninguém. Mas a gente fica feliz pela capacitação ter apoiado. Percebemos que se não fosse o treinamento, as consequências poderiam ser maiores”, avalia Eriberto.
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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