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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

ALTA FLORESTA: Pecuária de leite do norte de MT alcança produtividade 38% maior com o sistema rotacionado de pastagens

Os dados se referem ao total de 132 produtores de duas organizações comunitárias atendidas pelo ICV.
Produzir mais leite por hectare é um passo importante em direção à sustentabilidade dos recursos naturais da Amazônia, bioma sob forte de pressão de desmatamento. Além isso, favorece a qualidade de vida dos pequenos produtores rurais que moram na região. Essas premissas levaram o Instituto Centro de Vida (ICV) a incentivar o uso do sistema rotacionado de pastagens nas regiões norte e noroeste de Mato Grosso. Os resultados iniciais são animadores.
No primeiro semestre deste ano, produtores de leite contemplados pelo projeto Redes Socioprodutivas registraram uma produtividade 38% maior em relação aos criadores de gado que não adotaram a técnica.
Os dados se referem ao total de 132 produtores de duas organizações comunitárias atendidas pelo ICV.
O programa é implementado pela instituição desde 2018 com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES para apoio às cadeias de leite, café, hortifrutigranjeiros, castanha-do-Brasil, babaçu e cacau nas regiões norte e noroeste do estado.
“Identificamos esse aumento significativo”, comenta o técnico do Programa de Negócios Sociais do ICV, Romário Fogaça do Prado.
As informações são do total do primeiro semestre, período de maior produção de leite na região em razão da dinâmica de secas e cheias da região amazônica.
Enquanto a maior parte dos criadores de gado das organizações alcançaram uma média de 1,36 litros de leite por hectare, os produtores com unidades de produção sustentáveis do projeto contabilizaram 2,20 litros de leite por hectare no mesmo período.
As propriedades das organizações somam uma média de 48,5 hectares.
O sistema rotacionado consiste na divisão das áreas de pastagem do gado em piquetes, o que permite o manejo dos animais e a recuperação dos pastos degradados.
Com a adoção de técnicas de manejo de solo e pastagem, a técnica possibilita o aumento do número de cabeças de gado e maior produtividade para os produtores, o que elimina a necessidade de abertura de novas áreas.
Romário avalia que o número, apesar de extremamente positivo, ainda não resume todos os benefícios trazidos pelo sistema.
O especialista afirma que são diversos os resultados indiretos testemunhados nas unidades demonstrativas de produção.
Um exemplo é na propriedade de Reginaldo Antunes, localizado no município de Alta Floresta.
“Eu tinha um gadinho que pagava aluguel e trouxe pra cá”, afirma o produtor, ao se referir à terra que arrendava para manter suas vacas na propriedade vizinha.
A situação mudou com a implementação da tecnologia.
“No ano passado, ele conseguiu trazer esses animais para dentro da propriedade porque estava sobrando pasto, então conseguiu essa economia a mais”, comenta Romário.
O técnico também ressalta a diferença na renda causada pela manutenção das novilhas que, antes do sistema rotacionado, eram vendidas por Reginaldo.
“Porque não havia pasto”, resume Romário.
“O sistema rotacionado vai além dos piquetes e auxilia no processo de gestão de pastagens, na parte reprodutiva do animal. Tem mais comida e por isso, mais animais”, complementa.
MELHORIA GRADUAL
Em relação ao primeiro semestre do ano passado, os produtores que implementaram a tecnologia pelo projeto registraram um aumento de 9,5% de produtividade no mesmo período deste ano.
Para Romário, o dado reflete o processo de melhoria gradual estabelecido com a adoção do sistema.
“A dedicação do produtor ao longo do tempo gera, aos poucos, familiaridade com tecnologia. Além disso, os produtores começam a aprender com a assistência técnica e vão adaptando manejo de solo, adubação e ampliação dos sistemas. É um processo gradativo”, diz.
A demanda por assessoria técnica é o maior impedimento para em garantir maior escala ao sistema nas propriedades produtoras de leite, uma das principais atividades econômicas na região, localizada em área conhecida como Arco do Desmatamento.
“Sempre digo que é possível tornar o sistema rotacionado bem barato, porque as cercas são adaptáveis”, comenta o engenheiro agrônomo sobre os custos da tecnologia.
O modelo de piquetes feito com lascas pode variar, explica o técnico. As distâncias entre as lascas podem chegar a 30 metros e podem ser instaladas com apenas um fio de arame liso entre elas.
“O problema é falta de acesso à informação, de como fazer as coisas”, diz o técnico.
Pelo projeto, as propriedades também contaram com apoio na análise técnica do solo, o que permite as recomendações necessárias para adubação e melhorias no solo da propriedade.
O próprio Reginaldo já havia, anteriormente ao projeto, implementado um sistema rotacionado.
Fez um piquete de um hectare. “Mas na época não deu certo porque ficava longe do lugar onde a vaca bebe água”, conta.
Com a distância percorrida, os animais perdem peso e, consequentemente, são menos produtivos.
Hoje Reginaldo conta também com um sistema de abastecimento de água que garante a hidratação dos animais em locais próximos às pastagens.
A tecnologia funciona pelo bombeamento da água do rio para um reservatório de cinco mil litros na propriedade através de um sistema de energia solar.
A água é, através dele, distribuída em cochos em volta do sistema rotacionado.
O engenheiro agrônomo explica que a medida preserva os rios ao retirar o acesso dos animais às áreas de proteção permanente e, adicionalmente, simboliza maior ganho para o produtor.
Isso porque quando as vacas precisam se hidratar diretamente no rio, apenas as primeiras bebem a água limpa.
“Os animais pisoteiam e sujam a água, que fica de má qualidade e impacta na produtividade e na qualidade do leite”, diz.
“Aí foi bem diferente dessa vez”, afirma Reginaldo.
As tecnologias implementadas foram um salto em relação ao modo de produzir aprendido e praticado pelo produtor de leite, que exigia a abertura constante de novas áreas e, assim, o desmatamento da floresta amazônica.
Para contornar a situação de escasso acesso à informação, acentuado pelo acesso precário à internet e outros meios de comunicação na área rural, Romário ressalta a importância da troca entre vizinhos.
“Todos os produtores já tiveram experiências e testes que, com essa troca, pode-se aprender e ter ganhos”, diz.
É também um dos benefícios das organizações comunitárias, que dependem do fortalecimento de cada um dos produtores na busca por melhores preços e valor agregado para a produção.
“Os insumos ainda são caros, mas quem sabe um dia conseguimos melhorar as condições para o pequeno produtor. Vamos tentando, não pode desanimar. Tem que ir mexendo e descobrindo”, resume Reginaldo.
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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